Alguém para preencher seu coração – II.

Alguém para preencher seu coração não é aquele alguém que te arrebata, que se instala dentro de ti sem deixar espaço para repensar em algo que não seja o quão adorável poderia ser, que seria caso não houvesse uma outra face, caso a doçura de seus beijos compensassem o amargo de seu desprezo, desrespeito e ousadia.

Alguém para preencher seu coração não é aquele alguém que pensa em fazer amor a qualquer hora, que beija e suas pernas amolecem, que cruza o olhar e seu coração dispara, que te deixa ávido por mais de sua companhia, por mais de sua atenção e sedenta por seu afeto, que não consegue evitar seu pensamento de ir além e mentalizar uma vida ao lado dela.

Alguém para preencher seu coração não é alguém de quem não consegue desviar o olhar, caminhar sem estar de mãos dadas, por quem suspira e mantem o pensamento fixo em seu bem-estar e felicidade, alguém que não apenas respeita, mas por quem faria o que fosse para ver sorrir e que preza por sua liberdade, que não quer que seja nem um pouco menos de si mesma, mas que o seja contigo.

Alguém para preencher seu coração não é alguém que preencheu sim o seu coração, mas de vazio.

Mendigar atenção, aceitar gritos, ouvir uma versão distorcida da realidade, se encher de omissão e meias verdades, ter a sua ausência mesmo quando está ao alcance de seus dedos, não conseguir se fazer clara, não se permitir confiar pois as evidencias apontam o contrário do falado, quando o falado jamais condiz com a forma de agir, quando precisa suportar a pessoa demonstrar mais interesse até por desconhecidos do que por aquela que tem ao seu lado, até quando você se depara com o abismo entre vocês pois o que ela despejou dentro de ti não preencheu, apenas ocupou o espaço do discernimento, da razão e do respeito próprio com o da autoestima.

Imagine se ela imaginasse…

Imagine se ela imaginasse como é deitar em seu abraço, receber o seu afago, vê-la dormir em meu colo…

Se ela soubesse como é ganhar um beijo seu, como eu sinto meu corpo amolecer, o ar faltar, a mente esvaziar e como demora até que eu consiga me situar após seus lábios se afastarem dos meus, como a intensidade é arrebatadora, e eu juro que me sinto zonza por receber as pancadas de um único beijo. Se ela imaginasse, ou não haveria mais nenhum outro ou, felizmente, jamais pararíamos.

“Alguém para preencher seu coração…”

Na próxima lua, ele dissera, com seus olhos adquirindo uma profundidade que só aquele ancião tão sábio e caridoso teria, me fitando para adicionar uma porção extra de credibilidade em suas palavras que transbordavam mistério e também esperança.

Confiei em suas palavras, assim como sempre confiei em tudo que me disse ao longo dos anos, mas, verdade seja dita, eu não poderia esperar de fato que alguém viesse, que eu não estaria mais sozinha e que alguém alcançaria o órgão vital dentro de meu peito.

Aconteceu que chegou alguém com seus 1,65m que entrou sem que eu conseguisse tirar aqui de dentro ou, melhor dizendo, que eu não quisesse sequer pensar na ideia de não sentir esses tremores que ela provoca de onde está. Eu não esperava que alguém tão diferente de mim fosse deixar tanto em comum, a reciprocidade se não fosse tão doce seria difícil de engolir pela estranheza do acaso.

Com seus cabelos escuros de ondas perfeitas, ela tem a essência no cheiro que não me deixa querer respirar longe de sua pele, seus cílios fartos me deixam invejar o rímel dispensável, assim como qualquer maquiagem, sendo essa mesma naturalidade que me deixou como quem cai no sono, gradual e então de repente, irremediavelmente entregue ao amor por ela.

Eu não posso negar que rir com ela é mais leve, que ver os olhos dela abrirem devagar a cada manhã me fazem querer acordar sempre minutos antes para poder assisti-la, eu queria não pensar que a lábia dela é ardilosa a ponto de me fisgar, mas não posso evitar como eu adoro cada face da personalidade forte e imponente que ela carrega com tanta graça.

Não poderia me enxergar com raiva ou algo negativo com relação a ela, nem mesmo estar longe dela.

É como se dançássemos uma música que toca apenas em nossos ouvidos, uma melodia que se compõe a cada entrelaço de dedos, quando nossos corpos se juntam e nossas almas colidem num liame fervoroso, como se nossos quadris se mexessem no disparar de nossos batimentos que me saltam o peito a cada proximidade de sua respiração em meus ouvidos, cada toque de nossa pele.

Estranho seria se eu não a reconhecesse, se eu deixasse ser como um dejà vú em que insisto que é apenas alguma impressão dos meus sentidos, precipitação e leviandade quando claramente se trata de um reencontro fadado a se repetir em cada uma de nossas encarnações.

Quando há algo a ser sentido, quando estremece cada ínfimo pedacinho de sua mente, de seu corpo e de seu espírito, nada tão ilusório como o tempo poderia se responsabilizar por concluir o que é ou não é para ser, tampouco aquilo que está claro em cada olhar sustentado, quando seu coração sorri e agradece por ter ela em sua vista, ao alcance do destino de concretizar sua união.

Até parece que sei o título disso.

Eu fingi que o tempo não passou por tempo demais até que também perdi a noção do tempo.

Por mais que eu nunca tenha gostado de espelhos, eu nunca fiquei tanto tempo sem me encarar em um. Essa manhã quando distraidamente passei por meu reflexo, algo fez com que eu parasse. Aparentemente nada mudou, até eu persistir o olhar e constatar, enfim, que não havia mesmo nada ali. E soube que até disso eu havia me esquivado, de preencher o meu próprio corpo ou, mais correto dizer, de ser alguém substancial e verdadeiramente.

Por mais que a minha mente não tenha conhecido o silêncio, eu fingi que nada acontecia, nada havia acontecido e que não havia nada para fazer com que acontecesse. Fingi que os textos que se formavam constantemente em minha mente não eram nada além de falatório, ignorando ao máximo as percepções e o que apreendia logo tratava de descartar.

Desde que consigo me lembrar tive problemas com a realidade, de saber o que é real e o que não é, o que faz com que algo seja real? O que não é irreal? Por estar somente em minha mente não parece deixar de ser menos real. Ou, pior, o que é que está só na minha mente? Eu nunca soube essas respostas (e ainda não sei), nunca soube interpor essa barreira entre realidade e fantasia, como não serem a mesma coisa? Até que chegou o momento onde eu não sei mesmo onde é que me insiro. Em qual lado estou? Na realidade? Sou eu uma criação minha ou de alguém? O que é que eu crio ou só permaneço – mas nada permanece? O que tenho em mim de verdade quando o que mais encontro são ilusões? Falsas percepções da realidade caracterizam o erro, eu sou um erro, o que isso faz de mim? Irreal?! Pois bem, me perdi. Perdi a minha existência, se é que ela foi real um dia.
Anulei a minha existência como se pudesse me privar de lidar não só com o externo que não me convence, mas comigo mesma em concreto.

Declinei várias vezes de vir a enfrentar letras amontoadas que registrassem algo que só eu sei e que não sei dizer sobre, na verdade, não quero nem tentar colocar ordem.

Acontece, sim, que o tempo passa e está passando, e que ele não é remédio se eu não estiver ali para tomar a minha dose dele, não obstante ele passa até para mim. E eu ainda não sei o que fazer nem com ele, nem comigo.

Moinho

TOCA DOS DEVANEIOS

Eu não faço ideia onde foram parar meus anos de glória. Devem estar no zunido. No bar. Na companhia aleatória. Perdidos por aí embriagados.

Sinto que conheço cada dia menos as pessoas ao meu redor. Se é que elas me rodeiam. Quando não tropeçam em mim. Não me derrubam sem pedir desculpa. Não me sugam a energia.

Por vezes achei que solidão não era coisa pra mim, até notar que sem ela não vivo. Me suportar não é ruim, estou acostumada com o silêncio. É até melhor nesse mundo que se fala tanto e não se diz nada.

Conheci tantas pessoas vampiros, que sugaram tudo aquilo que puderam e foram embora da minha vida. Que chega a ser um sonho conhecer uma que valha a pena uma conversa.

O telefone não toca, exceto se for para pedir favor. Exceto para começar alguma conversa constrangedora, iniciada por tudo bem, finalizada no…

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Cansada.

Hoje eu acordei cansada. Não que nos outros dias a disposição tenha dado o ar de sua graça, não que eu tenha acordado de fato.
Acordei sem o despertar ou vice-versa.
Mas hoje eu estou com o cansaço generalizado e excessivo.
Hoje o cansaço se manifesta incluindo dores no peito, fadiga e respiração falhada, o corpo entrecortado com a mente em frangalhos. E não é exagero, é produto de um acúmulo.
Acordei há poucas horas e já é demais para continuar o dia. Outro dia. Mais um dia.
Acordei cansada do agito, cansada do estresse, cansada da tensão e das discussões e cansada da discórdia.
Cansada de tanto ouvir quando falam sem ter o que absorver ao escutar, ficando resíduos de mais angústia e desânimo.
Acordei cansada de ser esse corpo vazio. Essas tralhas ambulantes que carrego sem sentido. Sem rumo.
Acordei cansada de confusão, cansada de barulho, com os pulmões anunciando o seu recesso.
Acordei com os sentidos atordoados pela intensidade recorrente.
Acordei sem apetite, sem fala.
Acordei trêmula, sem energia para enfrentar uma centelha que seja da hipocrisia diária.
Sem energia nenhuma.
Acordei sem fôlego e no sufoco.
Acordei sem querer.
Acordei sem poder sequer pensar em poesia.
Acordei sem crer.
Acordei sem culhões para a medicina. Tampouco para a pediatria.
Acordei sem suportar lembrar das rimas, da melodia, do cheiro, do toque, sem estrutura para mais algum devaneio.
Acordei cansada demais para acordar.
Acordei sem foco, sem nada no olhar.
Acordei e soube que não iria ficar.
Acordei sem acordar.
Cansada.
Cansada demais para aguentar.

Exaustão.

Hoje.

Hoje se eu fosse escrever sobre alguém de que sinto falta, não seria sobre nenhuma das ex ou daquelas que passaram uma noite ou outras comigo, não seria sobre as amigas e amigos que achei que era o que chamavam de amizade verdadeira e já não me lembro quando nos falamos a última vez.
Hoje eu escreveria sobre a falta que sinto de mim, a saudade de mim, de me ter por perto, de ser substancial e consistente, ao menos poder me alcançar e delinear, esbarrar nos meus tropeços, que fosse, mas nem o meu reflexo está ali.
Hoje, então, falaria sobre o quanto é solitário se procurar dentro de si mesmo e seus gritos ecoarem.

Falaria sobre a decepção de querer se encontrar e dar de cara com porções extras de angústias.

Falaria sobre querer dar uma opinião ou conselho e não conseguir encontrar uma fala de autoria própria ou que me concentrasse o suficiente para ouvir e responder de acordo, defender algo com uma crença verdadeira e ponto de vista estável.

Falaria sobre como busco forças e me deparo com mais medo e repressão própria. Falaria sobre tentar me sustentar em meus pés e encontrá-los bambos com uma estrutura que devia ser de confiança mas que o pânico corroeu.

Falaria sobre não poder me defender nem das minhas críticas pois julgo merecer os maus tratos, próprios ou alheios. Falaria como é não aguentar o próprio peso, não os quilogramas, mas as toneladas de incerteza, ansiedade e insegurança.

Falaria sobre estar em falta de si.

Falaria sobre essa criatura que cresce aqui, me devora e arrasta a possibilidade de enfrentá-la.

Falaria sobre como eu não tenho conseguido encontrar lucidez e sou tomada pelo choro ao não conseguir vislumbrar qualquer futuro.

Falaria sobre ser como se estivesse numa constante despedida, com a ida a qualquer instante.

Falaria sobre não me suportar a ponto de lutar contra a minha existência.

Falaria se eu pudesse continuar.

Sobre ela que não conheci.

Nos esbarramos por acidente, o cabelo em chamas tinha me chamado atenção, ao vê-la quase dobrar o salto e cair, em silêncio pedi que ela não bebesse mais e conseguisse se recuperar. Logo ela se distanciou e observei a silhueta maravilhosa se esconder em outros corpos. Achei que não mais nos veríamos.
Mais tarde na mesma noite um amigo comentou como ela era mesmo linda enquanto a fotografavam, gostei do meu coração reconhecer a sensação de estar na presença dela outra vez, por insistência alheia tiramos uma fotografia juntas e começamos a conversar. Ela estava bêbada sim, mas a voz ainda melódica, as palavras compostas, coerentes com um papo que dava para saborear, o riso delicioso deixava água na boca, até que nos beijamos e não mais paramos.
Não pude rejeitar o convite de ir à sua casa, não quando me convidava com beijos, mordidas, apertadas e eu encharcada de tesão. Fui aonde nunca havia ido, feito o que não cogitava, recebido mais e menos do que esperava depois.
As músicas dela escuto até hoje. As vezes lembro do seu riso, lembro das rolhas de vinho, centenas, como decoração, e ter imaginado se um dia seria eu ali naquela varanda tomando vinho com ela e nossos corpos nus.
Lembro de como se arrumava, vestindo uma roupa que caia melhor que a outra com seu corpo indefectível, peças que (se eu tivesse dinheiro) com certeza estariam no meu guarda-roupa.
Lembro que o desejo crescia inversamente proporcional a uma vela acesa, quanto mais queimava e seu tamanho diminuía, o desejo seguia ascendente se mantendo aceso mesmo quando só restava cera derretida e vestígios do pavio.
Achei que sequer nos falaríamos mais, mesmo com suas promessas do contrário. Fui surpreendida com o contato ainda no mesmo dia, com a conversa ininterrupta abrangendo fotos minutos antes de dormir, o dia a dia contado, partilhado, a poesia que me escreveu, como me envolvia e demonstrou que ficaria.
E não ficou.
Até que nunca mais sequer nos falamos.
Foi encantadora a medida que efêmera. Se fez presente na memória, mas com sua ausência, assim como ausentes quem de fato é, hoje é mistério.
Mistério sem resolução como uma pendência. A atração fica inevitável.
Fica a dúvida do desconhecido que parou dentro de mim, assim.

25 de julho, 10 AM.

Vou te colocar como datas e horários.

Voltar a noite de sexta-feira 17 de julho, até o meio-dia de 18 de julho, com possíveis dias subsequentes e o buraco maior que o que há em você que me impôs. Ok? Ok.

Não vou deixar que coloque a culpa em mim e eu não vou me culpar. Se você é rasa, é isso, não tem nem o que eu julgar também. Caso esteja a procura de sexo casual e alguma experiência com bocetas, go ahead e obrigada por ter me cortado do jogo, a ideia de “curtir” que eu tenho não me envolvia com feridas expostas, com um puta amargo e sensação de uso.

A questão não está nos fatos em si, respeito e nada tenho a ver com as escolhas que cada um faz, ainda mais das quais eu compartilho, como manter-se livre, desprendido, sem compromissos e agarrando oportunidades de prazer, mas não igualmente pois eu não firo, iludo, desprezo, esnobo, ignoro, após poemas, pseudo promessas, planejamentos e entusiasmo – o que não largo mão de dizer que é covardia sim, e não denota nenhum aspecto positivo no caráter.

Eu mergulhei sozinha, admito o que sequer é segredo, e foi numa pessoa rasa, mas foi ela mesma quem disse que estaria ali comigo, e que a profundidade era recíproca.

Intensidade não é para casualidades.

E a pior parte é ser levada a pensar o pior de ti, também. Ser convencida da sua sua melhor versão estava ok.

Agora eu só quero apagar. O problema é que não sou como você, sequer sei se consigo.

Eu quero um basta, mas para isso precisaria de honestidade da sua parte, e você nem mesmo está mais aqui.

Você provavelmente agora mesmo está com outra que conheceu ontem, ou antes, e está gemendo com o sexo matinal, como nós fizemos há uma exata semana, agora não sou mais eu ali, não vou chupar, não vou bajular e receber um “obrigada pela atenção e pelo carinho” após dias de conversas infinitas – aquelas que te preenchem, dão friozinho no estômago, passam o tempo, te fazem rir e se apegar – não sou eu ali, e vou me conformar que não mais serei, também, que no mesmo dia quando decidiu que não nos falaríamos mais, você colocou outra para substituir, que agora é a mesma playlist de quando transamos tocando, e que apesar dos dez anos a mais que eu nos seus documentos, eu espero não aprender nada disso com você, a não ser a reconhecer qualquer semelhante a você e me afastar de pronto. Se fosse para ser uma noite, você deveria ter agido de acordo, ué. E não há nada de errado em mudar de ideia, de direção, ir, voltar, fazer o que lhe aprouver, mesmo, só não brinca comigo, não pisa no meu pé, isso sim está errado.

Eu ainda não quero me culpar.

Foi um vicio. E vicios fazem isso.

Deixa eu contar um pouco do muito.

As vezes eu me pego reservando passagens para Araguaina, lá do outro lado do país, pra onde você foi e abriu mão de me buscar e deixou de me esperar também.

Eu nunca mais coloquei Shakira para tocar, por mais que eu goste, mas quando ela toca independente da minha escolha, eu fecho os olhos e canto alto, assim as lágrimas não fazem alarde. Madonna também, eu não sei se teria aprendido a história dela de outra maneira, e ouvido as músicas que ninguém mais ouve mas que você as carregava e ouvíamos.

Tem umas gírias do vocabulário que é só seu que ainda impregna o meu, digo um “por certo” e a saudade grita em silêncio lembrando de como dizia a cada poucas palavras.

Não coloquei mais os sapatinhos que deu de presente para o meu cachorrinho personificado, seria demais, nem voltei a rever as fotos do meu aniversário – o único em muitos anos mesmo que permiti comemoração e estavam todos de que mais gosto. Você está em cada uma delas.

Não ousei voltar a nenhum dos nossos bares e restaurantes, nem ao meu amado rodízio japonês. Certa vez tive de descer na sua estação, caí de joelhos, engoli o choro e tentei correr, surpresa pela reação, as lágrimas caíam, lábios trêmulos e o vento cortante, e desviei meu pensamento 545878643543 em vão, voltando para casa e sem querer me enfrentar por aquilo.

Ainda tenho sonhos contigo e acordo com o nó na garganta tão atado que não passa nem saliva, mas acordo depois de ter tentado morar ali com você junto de mim enquanto durmo. As vezes, chego a ouvir seu “bom dia” no meu ouvido, coloco então meus joelhos na altura dos seios, virando uma bola, e tento não pensar em como parece que vou partir.

Não aceitei mais vestir as roupas que colocava para te ver quando buscava seus elogios, já que eram suas preferidas, como a saia cintura alta rodada preta, regata branca e meu oxford preto e branco com meu batom vermelho.

Não comi mais também o hambúrguer da minha mãe, aquele que você era viciada.

Não consigo ouvir La Roux sem ter o seu clipe cantando e dançando na minha frente, daí eu não aguento.

Até cortei meu cabelo num protesto de não deixá-lo mais enorme como você queria. Voltei a me despreocupar com o meu peso sem as suas exigências de que eu me mantivesse magrela.

Repeti inúmeras vezes para mim que eu não voltaria e nem queria, e me convenço de que foi melhor ter ido de vez. Faz meses, quase metade do ano, mas se eu abraço alguém, aperto o cabelo como você gostava de receber o cafuné, ainda é o seu cheiro que sinto, ainda é dos seus olhos fitando e engolindo os meus que vejo, é aquele seu sorriso safado que fazia e me mirava como se eu fosse alguma salvação que me persegue quando tento lembrar do coração aquecido, de estímulos que fazia o ar entrar e sair dos meus pulmões.

Eu me lembro de tudo. E, confesso, as vezes de um jeito doentio.

Agora eu quero começar a pensar contra. E eu espero que não seja autodestruição.

The inability to differentiate between dreams and reality…

Vitti

nem temer, nem esperar: a poesia acontece agora.

o nome é: "segunda-feira"

(todas as) ruivas são para isso: foder você

TOCA DOS DEVANEIOS

Essa é a minha toca. Onde eu posso me perder, me achar e me esconder. Ser e nunca me esquecer.

O Equilibrista.

Busco o equilíbrio de tudo. Principalmente o meu.

desperte seu sono

there was something charming in these voices of the night.

limerência

sobre amor que a gente inventa

o romance está em apuros.

cabe a mim encontrar seu paradeiro.