Pregnant.

Bem, não é algo que tenha a possibilidade da existência. Mas, eu preferiria. A protuberância em meu ventre se projetaria de uma forma nada natural, eu estaria disforme e não haveria a ilusão de uma beleza sobre gestantes. Carregaria, inquestionavelmente, algo que por razões genéticas acreditariam ser meu, mas não há nada que me pertença, nem que eu mesma o gerasse. Fundido ao meu corpo estariam escolhas, mudanças, desesperança por algo que irá receber o privilégio de um futuro -escasso demais para que possa ser visto. Pesaria. O peso de um embrião, humano.

Mas, eu não estou. Não é esse o peso, este é genuinamente mais intenso e incômodo, não há abortos. Não há desvios, nenhuma centelha da naturalidade. Ainda assim, eu devo carregar, como se pudesse torná-lo um pertence. Mas, erroniamente, sou eu quem tenta se adentrar e fazer parte, numa dimensão tão absorta e desconcertante que torna um útero iluminado.

A diferença, o término não é em 9 meses.

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