20 Minutos.

Então ela esticou o braço apenas o suficiente para alcançar sua bolsa e poder deslizar os dedos pelo interior do bolso externo. Alívio. Ela o sentiu ali, um envelope, como o deixara dias atrás. Ela queria certificar-se de sua permanência, não que um papel sumiria ou, por mais que não acredite numa salvação humana, que roubam cartas. Mesmo que o fizessem, ela não aguentaria, não com aquela carta, em especial.

Dor, angústia, pontadas, contrações, sem ar. Estava convicta, nada disso diminuiu, ela apenas estaria acostumada. Mas, não sabia que aumentaria assim. As letras saltaram.

Deve estar sendo difícil ler isso, então eu paro.

Mas nada parou. Como ELA sabia disso? Eu sempre soube. Eu deveria saber, ela saberia.
Necessário. Foi o que disse quando sucessivamente pediam por motivos. ”Compreender para crer, crer para compreender”. Nenhum dos dois eles conseguiram.
A necessidade é iminente, cada célula de meu corpo a reconhece e funciona, precariamente, a partir disso. Cada uma morre, mas não estou certa se há uma quantidade suficiente de substitutas. Eu não sei de nenhuma. Enfim, não há sobreviventes, eu não acredito. Mas onde está o sentido em não ver outras necessidades? Ela precisa saber.
Então, ela diria ao remetente. Nunca antes o respondera pois não poderia concordar com vestígios, ela não poderia ser lembrada. Seria saudável, as lembranças são fatais quando reais. E se sentia protetora demais para permitir algum risco aos outros.
Mas, ela ainda assim não deixaria de dizer. ‘Fostes tu, caro amigo, o mais difícil. Eu não podia abrir mão, pois não sobreviveria. Mas se estivesse morta, eu não escolheria. Não a carregaria para o sepulcro, mas não a deixaria. Eu preciso cuidar de ti, por mais necessária que a distância seja. Porque és única e impossivelmente incrível, não há comparações. Eu só não posso permitir isso. Eu não posso sobreviver se você não fizer o mesmo, se significa apenas um, você será este. Porque compreendes como ninguém, porque fostes absolutamente invencível. Não posso lidar, com algo que contenha ‘último’ na frase, uma vez que seja de sua autoria. Eu só não consegui. Por favor, tente entender. Você nunca deixou de significar como um dia eu SEI que soube exatamente como era, pois foi quando deixou de ser recíproco. Mais importante, doa onde doer, você precisava ficar segura. Eu me realizava em te ouvir, eu me consumia por qualquer vislumbre de uma solução, eu nunca estaria cansada, pois você não me exigia esforços. O contrário, conseguia equilibrar, dava estabilidade. Eu só precisava deixar, pois você sempre foi capaz. Saiba disso. Isso não mudou. Mas agora só é como se todos me odiassem. Estás certa, K.’

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