E agora, José?

A luz apagou.

Eu não sei para onde ir, eu não sei se deveria ir. Eu continuo a pedir para que me levem, este não é meu lugar, eu sequer deveria ter vindo. Isso não me pertence. Nada disso. A conclusão, é que nada jamais vai pertencer, pois sequer há um dono. Nunca houve. E não é por cismarem que ninguém é dono de nada ou de alguém. É questão que eu não sou nada, eu não sou alguém. Eu nunca vou ser. Eu nunca vou achar, eu não sei o que deve ser achado. Eu não sei porque devo estar aqui, e eu não sei nem se estou aqui.

Eu não sei. Eu não sei porque eu teria de saber, mas eu sei que mesmo se tivesse, não saberia. Provavelmente há, em algum lugar, alguém que saiba. Talvez, eu o inveje. Mas talvez, ele não saiba disso. Eu não sei para onde fui, ou para onde as pessoas vão. Eu não sei porque diabos elas tem de ir, ou porque diabos tem de ficar se não querem. Eu queria que ficassem, caso isso significasse que eu estaria junto delas. Eu queria ir, se isso significa o único jeito de tê-las outra vez.

Eu não posso continuar aqui, não sem elas e sem ninguém. Eu não tenho o meu ‘eu’ para consolar, pois não tenho consolo. Eu preciso delas, como precisei. Eu preciso de ti, pois nunca te deixei. Eu preciso ir, pois de ti eu não larguei. Eu preciso saber porque é só com você que eu aprendi a querer, e tudo o que aprendi foi não te esquecer. Por favor, eu preciso de você. E se você voltar não esqueça de avisar.

Sinto sua falta. E eu sei que está aqui, eu queria estar aqui também. Por que é que você teve de ir, sem me deixar seguir? Por que é que você continuou se não pode me sentir? Por que é que nada restou e você ficou, me levou. Eu ainda tento entender, alguma coisa. Como se em algum lugar, em algum lugar, você fosse estar lá e eu só não estou conseguindo alcançar. Mesmo quando estou perto o suficiente para você me achar e eu continuar a procurar, e nunca achar, você não vai mudar.Mas eu posso mudar. Eu posso parar de mudar.

Cada medíocre mudança me apavora e me assobia os tímpanos, levam qualquer centelha de sanidade, deixando o mar de desesperança cheio para o vazio da derrota boiar.

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