Evadir.

Como algo tão obsoleto pode continuar a surtir efeitos tão surpreendentes? No sentido da palavra que apenas a surpresa é empregada, nada fantástico ou magnífico. A não ser que a magnitude valha de alguma coisa, a penetração ou, quem sabe, a causa. Caso esta fosse conhecida, ela entraria em campo. No caso, apenas temos o amontoado de insignificâncias não justificadas.

Temos os desvios paralelos que fazem seja o que for chegar a lugar nenhum. Fazem com que as ligações sejam perdidas, sem nenhum esclarecimento. Como se tudo estivesse girando, sem controle algum. As coisas vão perdendo o foco, vão passando com uma velocidade capaz de tirar o fôlego e antes de mais nada, sua importância. Rápido demais para algo ser apreendido. Lento demais para fazer com que a sensação perdure e venha atormentar-lhe quando menos puder imaginar ou, simplesmente, se defender.

Chega sem aviso, como quem não quer nada. Chega sem bater em portas, abrindo caminho e deixando os destroços para trás. Faz poeira. Não é fugaz o suficiente para dar a entender o que pretende, não tem a sagacidade de admitir que a pompa é para pouco. Ela consegue destrancar, seja essa quem for, aquilo que o outro mais guarda. Não importa quão fundo esteja, tampouco o tempo levado para escondê-la ou a segurança empregada para contê-la.

As imagens que lhe preenchem a mente são vazias, apagadas e envelhecidas, apenas o eco que sua memória reproduz, agora que liberta. Não há vida ali, não há justiça para o que está sendo rodado, não há nitidez ou perfeição de detalhes selecionados. É guardado o que não se pode perder, é escondido pois não se pode ter. É deixado pois foi levado. Proibida de lembrar, com medo de esquecer. Uma situação limite.

Nem todos os alarmes poderiam gritar como seus olhos apagados, plantados em sua face. Nenhuma defesa a conteria, pois não há segurança. Não está segura de si mesma, é uma ameaça em seu próprio corpo. Uma condenada ao exílio de seu corpo, de si. Está longe. E aqui, ausente.

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