Ensaio Sobre a Cegueira.

Em questão de segundos as coisas já não eram como antes. Por mais que eu me esforce para saber exatamente quais coisas eram, não vejo nada. Nada alé do habitual paredão, intransponível. A defesa é dada por aqueles que não conheço, seu sistema longe de indefectível, só faz com que se tangencie, a uma distância cada vez menor, o desconhecido arcano.

Até mesmo aquilo que deveria ser lembrado como suas lembranças, não são suas e tampouco são lembradas.

Ela não se conhece, mas isso não significa que tenha alguma defesa quando impiedosamente, aperecem frestas para inundá-la, lhe atordoando e fixando em sua mente, apenas o esquecido. Em branco. Carregado demais para ser claro ou suave, o escuro se faz presente.

A sensação de ter esquecido algo de suma importância tornara-se onipresente, porém as importâncias foram esquecidas assim como o que é importante e o que deve ser lembrado. Continuo a não ver nada. Não vejo nada.

Eu não sei o ponto onde nos chocamos contra o limite, que cansado de ameaças, despedaçou-se, chovendo por todos os lugares e molhando qualquer chama de orientação que cismava em conservar as labaredas remanescentes.

O antes, como se fosse apagado, preenchendo o lugar de vazios, incalculáveis e descuidados, esbarraram nos vestígios e os esqueceram ali, caidos. Fracos demais para serem seguigos, mas fortes demais para se passar por cima. Os vestígios estão ali, mas não passam disso, obstáculos.

Enquanto o durante, continua indecifrável e vago, incompleto. Não há o antes e o depois está ausente, indistinto.

Apenas o que está claro é a neve, manchada mas sem sinais de esgotamento. Os desmoronamentos são constantes, a bola de neve está crescendo. Nós estamos lidando com uma avalanche, no meio de meu vulcão em erupção. Eles se anulam, afinal.

O aniquilamento é iminente, assim como minha indiferença absoluta.

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