5, 4, 3…

dormência

1. Estado de quem dorme ou sofre um torpor.
2. Insensibilidade parcial ou total em qualquer parte do corpo, especialmente nas extremidades.
3. Quietação.
4. Estado de absoluto repouso.

As coisas vão perdendo o controle, a medida que o foco jamais verdadeiramente nítido se esvai. Vão partindo, numa ordem jamais conhecida, capaz de ser prevista. As palavras chegam a se perder antes mesmo de terem se formado por completo, as orações ficam sem rumo e então as frases nunca inteiramente conexas, apenas desmancham um meio caminho arrastado.

A muralha nunca absolutamente desfeita começa a reeguer-se, algumas mudanças são aparentes. Agora com revestimentos, ligações mais firmes e enraizadas. Contudo, o tempo de construção não parece o mesmo. O tempo parece levar tempo, mesmo que eu não o providencie.

É o espaço de transição entre o ponto que vamos chegar do qual estamos, desconexos, que apenas fazem com que as ligações de distanciem, que a realidade apareça lado a lado da expectativa, que o sono lhe atrapalhe em dia durante a sua ausência pela noite. Faz com que compare o quão distante estivera da realidade, enquanto contestava uma aproximação com expectativas.

O material do qual é feita não parece ter mudado, afinal. Apenas enclementada, a muralha clama por atenção e porções extras. Uma participação, apenas para que não aconteça vários outros deslizes e eu acabe em escombros outra vez. E ela tenha de fingir uma queda para eu ousar as considerações do que há no outro lado.

Bem, o cenário catástrofe não fora removido, o roteiro inacabado apenas aguarda por uma nova tomada. A vida ensina, e eu apenas aprendo a errar outros erros, mas não há aprendizado. De nada adianta. Não há o que ser ensinado, pois não é uma vida que vai lhe ensinar. Uma vez que já tenha tido tantas outras mortes antes e durante, enquanto permanece morta em vida.

Trata-se apenas de reerguer as paredes de seu antigo leito. O habitual descanso, onde podemos parar de tentar e concordar que não terás descanso algum. Onde apenas estaremos lidando com coisas mais reais, nos afastando da realidade. A muralha estará ali para aumentar o distanciamento, obviamente.

Não é que eu não queira a aproximação. Eu realmente não a quero, mas eu apenas estou aqui para que ela exista. Seria algo privado, discreto. Ela apenas estaria ali para não deixar transbordar. Ela encobriria e faria das coisas que pensam ser para algum público, serem privadas como deveriam.

Eu apenas estaria aqui, para garantir que não se forme um alarde. As coisas devem ser guardadas pois não há uma só palavra que seria de entendimento público. Mas há um grande número de palavras para um público confuso. Não obstante, seria eu quem me perderia.

As muralhas mostrariam-se como cortinas de um espetáculo prestes a começar, quando cada participante se retira, anunciando seu fim. Eu as manteria fechadas, para não atingirem seu término, ainda que não vá acontecer um clímax.

A dormência é um espetáculo, que se apresenta na quietude de seu recinto fechado, durante o desencadear de sua sequencia em repouso absoluto. Como em um torpor, a insensibilidade seria total ou parcial em qualquer parte do corpo, principalmente nas extremidades.

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