Recesso.

A temperatura não é a única coisa que observo cair. A pigmentação remanescente esforça-se para resfolegar-se uma última vez antes que tenha de ceder a gravidade e as cores comecem sua entrada na extinção. O azul se fora, há muito o céu não aparece. Caso o faça, o preto é inigualável, nulo e escuro. De peso imensurável, estende-se como um véu a afagar o telhado de residências habitadas apenas pelo eco de visitas passadas.

O humor está em decadência, os assuntos levianos. Eu sei aonde estamos indo, eu sei para onde estou indo. E todos sabemos que estamos caindo. Eu estou caindo, as folhas vão caindo naturalmente, eu caio forçosamente. Eu não quero apegar-me, eu não vou. É apenas a sensação de queda livre, é apenas a inquietação para com o chão ausente. A procrastinação não é capaz de retardar a queda, tampouco de adiá-la.

A estiagem estivera aqui, pelos últimos anos. Os dias tornaram-se semanas e as semanas meses. Contudo, ainda não sei como que se formara isso, e como chegamos onde deveriamos nos encontrar. Por mais que eu tenha me certificado de ter esmigalhado algum vestígio para poder voltar quando bem entender, o labirinto é inegável. Não há escapatórias. Mudar de lugar, apenas fará com que se distancie de qualquer saída, mesmo que inexistente.

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