(ir)realidades.

Pergunto-me, há quanto tempo estou assim? Após súbitas dúvidas de como estaria. Há muito tenho feito queixas sobre minha consciência ausente. Consciência de mim, do mundo.

Não significa que eu tenha perdido o senso crítico ou passara a negar fatos. É apenas o discernimento oscilante, com uma negação inevitável. Por mais que o homem pergunte onde está, desde os primórdios da realidade…

Eu só tenho perguntado sobre a realidade, sobre sua veracidade. Onde ela esteve, se um dia existiu, como se prova que acabara de acordar de um sonho sem resposta… Após uma vida inteira sem procurá-las realmente. Há uma resposta?

O neurotismo atingil niveis inestimavelmente altos. Com uma suspeita crescente de todo e qualquer corpo que se aproxima. Quem é e por que está tão perto? É um completo desconhecido… Intimidador. Não parece aprovar o fato de eu nada saber sobre ele.  – O reflexo no espelho parece franzir o cenho para o pensamento que acabara de transitar sua mente.

Quando é que isso aconteceu e… Como? Não importa. A verdade é fria como o punhado de gelo em seu cerne, fazendo seus dentes tinirem. A conclusão é iminente, não há mais nada aqui. O resto congelara, sem passar de resto.

A dúvida continua intacta. Inatingível… É real? Alguma vez houve realidade?

A impressão é estar na ponta de uma faca, entre dimensões que insistem em reservar-me da realidade. Não é que eu tente me juntar a multidão em sua nuvem de entusiasmo, é apenas não estar presente para receber o benefício da dúvida.

Eu pareço correr, atravessar todas essas dimensões, sem sucesso na busca indeterminada. Se alguma vez eu me achar no tempo, talvez o indague, pergunte sobre seu paradeiro e por que diabos decidiu parar. Levou-me consigo, apenas parar controlar o descontrole. E me perder para que eu não o encontre.

Em todas as dimensões, não sei por onde estive, quais as direções tomadas… Mas assim como tudo, parece uma cópia. A irrealidade assume as rédeas, transfigurando tudo outra vez. Como num ciclo maldito. Presa sem nem saber seu começo, consegue esperar que o término esteja próximo.

O que é real? A irrealidade… Consegue ser real? Se consegue, o que é irreal? Não há realidade ou não há irrealidade? Uma não suporta a outra… Não há nada além do nada. É apenas o aniquilamento. Como numa descida vertiginosa do topo de uma faca.

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