Quebradiço.

Isso não deveria estar acontecendo. Nada como isso. Eu nunca deveria ter ido além da linha anunciando LIMITE, impossível de se ignorar. Porém, exatamente ao contrário do que eu deveria ter feito, eu simplesmente fiz como se nada estivesse ali, e ao invez de estar em lugar nenhum, eu fui além de algo como aproximação.

As pessoas estão cada vez mais cientes de que outras pessoas só causam desapontamentos, você não precisa ter esperanças para que isso aconteça. Simplesmente acontece, sem você saber. Você se decepciona com você. Exatamente como as pessoas que julgara há minutos atrás, nada se parecerem contigo.

Não vai existir o dia em que as suas inseguranças vão estar atravessando a janela ou você simplesmente vai saber o que fazer. Contudo, eu não quero seus incentivos ou qualquer coisa que lhe de o direito de ficar, eu não pedi por isso. Não houve um só momento que eu constatei um tipo de necessidade, nem mesmo quando meus dedos eram ávidos em enviar ‘preciso de ti, aqui’.

Eu não preciso de suas críticas, não preciso que diga sobre o quanto seus idiomas são melhores, como suas fotos são criativas e recebem comentários, como seus seguidores são numerosos, como os livros que leu são mais incríveis, sobre a variedade de atores e atrizes que conhece, os filmes maravilhosos que passou pelos seus olhos.

Eu não quero que chegue o momento em que eu seja quem você quis. Eu ainda não quero ser alguém. Eu não quero ser um alguém contigo. E eu só não o quero, porque você nunca seria alguém comigo. Eu não quero ter de rir quando lembrar de algo e eu não quero pensar sobre não ter o controle disso, eu não quero pensar que seria o que você é, mesmo sem tê-la conhecido.

Eu não quero decepcionar. Eu não quero que você tente me desenhar porque eu nunca vou ser um desenho. Eu nunca vou deixar de ser o pedaço que amassara repetidas vezes e que largou numa lixeira qualquer. Eu não quero que me desdobre e junte os pedaços, se interesse por alguma leitura numa caligrafia tosca escrita nas linhas mal cruzadas.

Eu não quero que você seja a pessoa que de algum jeito entrou e eu não consigo fazer tirar. Eu não lembro de ter deixado alguma fresta, alguma passagem que a conduzisse para cá, onde parece se instalar. Eu não sei como voltar, fazê-la recuar. Aqui não é seu lugar. Não há como cobrir um sol com a peneira, não há como eu abrigar em cativeiro, quem é livre em sua natureza.

Eu não quero ter que não querer isso. Eu não quero pensar que posso sentir falta disso. Eu estava no nada, sem nada a perder. Eu não quero pensar que posso mudar isso e vir a perder você. Eu não quero me ligar mais ainda em você. Nós não podemos compartilhar isso. Se eu arrebentar, eu vou partir você.

Eu ainda sou um elástico esgarçado, eu não quero que esteja por perto quando a emenda for questão de necessidade e principalmente, não quero que veja arrebentar de uma vez. Eu não quero que você saiba que eu estaria respirando através de ti, e que você estaria nas minhas extremidades. Eu não quero que você descubra o quanto estive frágil, e o quanto ter me recomposto custou. Custou o ápice da fragilidade.

Eu não quero que interprete como  o incômodo de uma garotinha mimada, meiga, inocente, e insegura. Eu não queria ter dado margem nem para suspeitas. Enquanto há o mistério, há o interesse. O suspense segura. A revelação dispersa. O medo afasta. E por mais que eu seja como um elástico, eu não me esticaria o suficiente para evitar isso.

E saber que você é exatamente tudo o que faria com que eu pudesse ser melhor em todo e qualquer aspecto, se simplesmente me assemelhasse com você em algum ponto.

Você me perguntou como seria se mais alguma coisa quebrasse… Eu, eu não sei descrever. Mas a cada dia, é como se algo novo estivesse sendo afetado. Se quebrando aos poucos, em pedaços pequenos demais para serem montados, numa quantidade grande demais para serem substituídos.

Não há nenhum órgão vital aqui que vá bombear o sangue e fazer isso parecer um organismo como outro qualquer. Contudo, você não pode ser essa vitalidade. Porque um coração só pode ser quebrado, o meu fora irremediavelmente estilhaçado. Eu não quero você nesse lugar. Eu não quero que você se transforme em centelhas de retalhos.

E principalmente, eu não quero que você seja esse buraco que me tira o fôlego, me revira as entranhas e faz com que exista esse abismo absurdo onde costumam chamar de tórax. Eu não quero que você se transforme na escuridão que há em mim agora. Eu não posso ser você.

Toda a vitalidade que me proporciona, é como inserir uma injeção letárgica nos lugares menos prováveis, das formas mais inimagináveis. A vitalidade, pode ser fatal.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s