Platônico.

Eu… Eu não quero pensar que as coisas vão ficar assim. Assim simplesmente de jeito nenhum. Eu me acostumei com a realidade que você me proporcionava. Acostumei-me a deixar o mundo para depois, uma vez que estava destruído. Eu sabia que poderia estar no seu mundo e, bastaria.

Nós nos privamos de dizer o que mais sentiamos e, o que era real. Distraidas com filmes, músicas e desenhos… Nós estavamos apenas construindo o que seriamos, sem sentir algo sobre nós mesmas. Eu aprendi a chamar esse mundo de nosso, e foi o mais perto de ter alguma coisa que eu estive em anos.

Eu não posso deixar que alguma rachadura comece a aparecer. E por mais que eu possa ignorar os destroços de um mundo inteiro… Eu não consigo suportar uma só lasca que venha de você. E saber que sou eu mesma a responsável por tal degradação… É já estar destruida por absorver tal consideração.

As coisas estão nubladas. A atmosfera adquiriu um peso que chega a ser opressivo. O ar está denso demais para o meu pulmão administrar, sem nenhum estímulo.

É como ser Platão e constatar que há dois mundos, um apenas das ideias e o outro que implicaria os sentidos… O primeiro refere-se a razão, enquanto o que for material (sensível), está fixo no outro.

Nós nos habituamos com apenas um deles e, quando eu me atrevi a questionar o outro mundo (tenho certeza que nunca esteve ausente, apenas imperceptível), eu dei início a uma série de eventos autodestrutivos.

O choque entre os dois mundos não faria com que se unificassem, apenas com que o aniquilamento entre eles fosse instantâneo. A questão deixara de ser COMO, uma vez que lia-se em uníssono QUANDO. Quando foi que eu me tornara a direção no mundo dos sentidos?

Sempre esteve claro que nenhuma de nós se sugeitaria a adentrar esse outro mundo… Apenas porque nossos sentidos já estavam destruídos. E nós haviamos plantado uma constante incapacidade com sentir, ou identificar o que diariamente se semeava em nossas entranhas.

Nós construimos um outro mundo, exclusivo e inabitável. E enquanto a estrutura do meu fosse você, estaria tudo bem para mim. Eu só não consigo suportar o instante que você percebe que este não é o melhor lugar pra ti e então, de uma em uma, coloca as paredes a baixo.

Tirando toda e qualquer ligação que eu fora capaz de estabelecer com o mundo, pois você era o único que me restara. Você estava nos alicerces desse mundo, em sua estrutura. Assim como está em minhas veias, na minha circulação. E atualmente, é como se você fosse drenar todo esse sangue do meu organismo.

Mas também segundo Platão, no mundo dos sentidos não há luz e o homem estaria preso numa caverna, apenas com sombras que seriam as imagens distorcidas da verdade. Por mais claro que possa parecer, eu não me atrevo em preferir essa realidade iluminada que estaria com a razão, num mundo inteligível. Eu sei que não quero que a verdade seja essa, uma vez que ela não contaria com você. Pois essa é uma ideia impossível de mundo.

“Eu não quero lembrar do que eu fui pra você, uma simples distração pra você esquecer.”

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