Supermassive Black Hole.

Talvez esse só seja um assunto no qual eu não deva mais tocar. Não há insistência, provavelmente apenas o receio de que caso eu o deixe, ele nunca mais retorne. Eu não passei tempo o suficiente com ele para conhecê-lo, eu não consigo concluir afirmações sem que possa definir a exaustão relacionada com ele, pois tampouco sei se é exaustão. Capaz que seja apenas ansiedade, mas é inegável o cansaço de esperar por algo que não vai acontecer.

Eu não quero ter de falar e imaginar como vai ser a recepção dessas palavras, por mais que tenha de me expressar de alguma forma. Eu não sei como elas serão apreendidas e não acredito que alguém consiga compreendê-las. Caso o faça, eu não sei como proceder a partir daí. Não é como se fosse existir algum ponto no espaço que marcasse o tempo, deixando as coisas organizadas e nos livrasse desse baralho do qual não conhemos as jogadas.

Se nem aquilo que está diante de seus olhos pode ser real ou significativo, como saberiamos se há realidade? Se nós podemos passar horas encarando algo que estamos cientes de estar morto… Como saberiamos que não vivemos no passado? O presente nunca vai ser real. Não há o momento em que você simplesmente vai entender o agora. Não há nada além disso, o futuro é incerto pois é inexistente. Não pela falta de certezas, apenas pela ausência.

“O futuro é um presente e o presente já passou.”

Você está rodeado pela morbidez e em algum ponto ela vai cercar você e você estará de braços abertos para recebê-la. Seria como o céu descer alguma espécie de véu sobre ti, com todas aquelas estrelas mortas e brilhantes. Com todos os ecos de palavras que foram ditas debaixo de seu teto, com todo o passado que você encara enquanto ele parece encolher até se ajustar desconfortavelmente em seu tamanho.

Mas quão insignificante seu tamanho seria enquanto existirem corpos que comparados ao Sol que é bilhares de dezenas de vez maior do que qualquer coisa que viu seria? E realmente há um ser? Qual a garantia de que assim como estrelas, voce apenas não seria mais um eco do passado? Uma luz remanescente que vai oscilar até entregar-se a uma escuridão indiferente?

Há classificações que dizem que é real aquilo que pode ser tocado. Eu não estou tocando o ar, mas supostamente ele EXISTE. Então algo é vivo por fatores biológios, como respirar. Mas de que maneiras eu poderia tangenciar isso? Como uma respiração estaria menos distante do que a fusão nuclear que abriga o surgimento de outra estrela?

Como diabos sabemos não estarmos no meio de algum sonho… E se estivessemos todos em coma? Ou apenas se não somos. Se há apenas um de nós que criou essa nitidez fragmentada que nos faz desconhecer seus limites? O ponto que conseguiriamos acordar e ver os prédios ruirem, todo esse concreto se desmaterializar?

De quantas formas possíveis poderiamos considerar não sermos apenas essas partículas na mente de alguém, assim como os planetas giram em torno de um Sol, como os elétrons em volta de um núcleo? E como não sermos, uma vez que há outros sistemas solares, que não somos nós esses elétrons?

Essas partículas indivisíveis, minúsculas e INVISÍVEIS? Se você não pode ver, não pode tocar… Se não pode tocar, não poderia existir. Primordialmente. Estariamos em um ciclo maldito onde apenas chegariamos a lugar nenhum e voltariamos a procura de nada. Como se tivessemos adentrado um buraco negro, saido por ele e adquirido inconscientemente a capacidade de controlar o tempo passado de alguma forma?

Olhar o céu nada mais é do que olhar para o passado. Ele sempre vai estar ali, mesmo que o seu esteja desmoronando ou com cores assombrosas. Apenas não há formas de se lutar contra. A tempestade já se formara.

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