Desnecessário.

Eu posso ter sido aquela que alguém tentou desenhar, diversas vezes. Mas eu ainda não teria saído do papel. É estranho pensar em algo que apenas eu esteja considerando, mesmo que quando seja diferente eu ainda seja a única capaz de assimilar as palavras.

Meu cérebro pode ter sido invadido e então desmontado. Mas já havia um colapso anterior à sua chegada. Talvez isso que eu posso ou não estar sentindo seja a ausência. Mas isso seria apenas a presença de algo que não está mais ali.

Eu não sei onde estive. Eu não sei com quem estive. Eu não sei se o tempo inteiro os estímulos um tanto desconcertantes partiram de você. Eu não sei se o esboço em sua pintura era mesmo algum eu sendo moldado, aquele que você queria que eu fosse.

E se eu fosse mesmo alguma criação sua… Seria realmente o ato mais atroz da blasfêmia soar como se fosse você ali, com todas as semelhanças mal encobertas? O choque súbito de perceber que não se passaram nem alguns parágrafos até que o foco seja outro é esperado. Decepcionante, mas ainda esperado. Por maior que essa ironia seja.

Eu poderia passar horas a fio, apenas buscando algum outro tema, alguma palavra fixa, simplesmente algum pensamento que não pare antes do caminho que o levaria a qualquer esclarecimento, conclusão. Mas eu não consigo saber onde estamos.

Eu perdi as introduções e não sei quanto ao desenvolvimento, é gramaticalmente impossível de se chegar num desfecho. Talvez eu só precise rir, mas todas as últimas risadas foram seguidas das mais lamentáveis horas, e não há humor nenhum que balanceie isso.

Sempre vai existir alguém falando sobre as mesmas questões, com clichês cada vez mais enjoativos, com indagações decorativas, frases armadas, recriações nada inovadoras… Sempre vai haver o resto do ontem, e o ontem vai continuar sendo o hoje e nunca nada passa de restos. Não há nada de novo, afinal.

Eu poderia apenas continuar escrevendo, eu poderia apenas buscar por palavras que fariam com que eu mesma me contraísse, fatos que me estilhaçariam, passagens que me deslocariam e questões que nem de longe seriam do meu controle limitado e inexistente.

Eu não sei como lidar com isso, não é como se eu estivesse suportando. É apenas como se não importasse. – Numa tentativa porca de aplicar a indiferença. Eu poderia buscar de algum jeito pintar sentimentos com palavras, mas não é como se houvessem palavras para descrever o mais brando vazio, o vazio arrebatador é apenas isso, sem sentido e violento.

E eu não vejo porque diabos deveria de haver alguma continuação. Mas toda história tem seu fim, mesmo que ele tenha se repetido por outras incontáveis vezes. Até mesmo se não há algo para ser terminado. E nós nunca deixamos de afirmar isso. Nós sempre estivemos atentas para os finais, para que nos permitíssemos um começo.

E agora é apenas como se eu já tivesse passado pelos mais diversos fins para saber como deveria receber um verdadeiro. Mas talvez eu apenas não o receba pois não sei o que estaria terminando. Não é como se houvesse uma conclusão. Tampouco sei sobre o início que cobiçamos. Pedidos por voltar, mas no início não nos conheciamos. Como agora, não nos conhecemos.

Eu poderia chorar. Mas eu ainda estou suspensa. E eu não faço a mínima questão de mudar isso. O torpor sempre foi querido, a anestesia nunca foi temida e sempre foi como se eu nunca tivesse existido. Não há dramas, tramas, histórias, enredos e blá. E respostas não são mudanças, não são um presságio sobre soluções. Logo, não são necessárias.

Não há necessidades > Não há dependência > Não há sofrimentos > Não há desapontamentos > Não há esperança > Não há futuro > Não há continuações > Sem conclusões. E não tivemos nem mesmo um clímax.

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