Fantasmagoria

Há algo verdadeiramente errado comigo. Não importa onde ou com quem eu esteja, apenas há. Eu estou ali. Mas esse ‘eu’, não é como se fizesse referência a mim, ou a quem eu sou. ‘Eu’ apenas não sou diferente de ‘ninguém’. Não é como se ‘eu’ fosse algo. Talvez eu seja mesmo essa coisa abstrata, no meio dessa tempestade de metamorfoses verginosas.

Eu não tenho emoções ou sentimentos. Eu tenho apenas a impressão de tê-los. Eu sou impressionada por algo e então, a questão é biológica, o estímulo apenas faz seu trabalho e desencadeia reações automáticas. Eu pareço estar programada, mas quem se encarregou de tal tarefa, esqueceu-se de avisar-me sobre o que era.

Como eu posso acreditar em destino e realidades, quando eu não tenho o discernimento necessário para saber sobre o que é real ou o que/qual seria meu destino? Encontro-me debruçada sobre livros, encarando telas que passam pelos meus olhos desatentos, pretendendo apenas intreter alguém diferente de eu mesma.

Eu posso acreditar que estou acreditando em algo, mas na única coisa que eu realmente acreditaria, é estar em uma mentira. Eu pareço estar cercada em um mundo completamente adverso das leis físicas ou materias, onde os ares da irrealidade me atravessam.

Eu estou circundada por muros que se opõem a qualquer clareza, raciocínio, discernimento… Individualismo. Por mais perdida em pensamentos que eu pareça, eu apenas me perdi tentando encontrá-los.

Toda e qualquer conexão que poderia se estabelecer entre mim e alguma outra coisa, fora rompida. Até mesmo aquela que me ligaria a quem ‘eu’ seria.

Não é como se eu pedisse por alguma salvação, tratamento ou algo assim. Talvez eu só preciso, – se é que existe uma necessidade – da verdade. Mas antes eu precisaria saber o que isso significa. Mas qualquer significado fora perdido. A subtração parece cada vez mais presente, arrebatadora. O acúmulo de perdas é iminente.

Eu consigo sentir o torpor que se estende sobre o chão, delineando cada passo que eu pretenda arriscar. É como se eu estivesse rente a um precipício, onde a queda apenas aumentaria essa escuridão paralizante, enquanto eu continuo a tiritar.

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