Desgastante.

Incrível como um simples fator como o tédio consegue ser tão impossivelmente inquietante. A freqüência com que procura por algo é maior. Por mais que mesmo não estando entediada ainda procure por algo que nunca vai achar por não saber o que está procurando, ainda é inconcebível tolerar tal comportamento. É excruciante o modo como seu cérebro começa a trabalhar em formas de livrar-se da sensação, do incontentamento onipresente.

Você pode experimentar as mais variadas maneiras de não pensar em algo, quando na verdade, está apenas pensando com mais intensidade. Você começa a importar uma série de arquivos que separou como ‘revisão pendente’ ou até mesmo as passagens que confiou à sua memória, para poder repassar quantas vezes quisesse. Mas quando tudo isso se prolonga por um tempo recorde, acaba apenas sendo insuportável.

Porque por maior que seja o tempo que procure por algo, ou por alguma saída… Ainda não achará uma resposta. Pois não há uma escapatória. Um abajur não vai mudar o fato de você continuar no escuro, uma companhia não faz com que se sinta menos sozinho e a procura incessante não faz você achar o que nunca será achado.

Qual a razão de existir um passado quando ele nunca é deixado para trás? Por mais que você o tranque e deixe-o isolado num lugar totalmente restrito, sempre há um jeito de ele invadir sua mente com um deboche tangível, deixando claro quão ingênuo fora de acreditar que ele era mesmo passado. Mas o passado sempre vai se constituir, essencialmente, em insuperável.

Há perdas que são inalteráveis. Não se pode mudar o passado. As coisas são como são. E ter de encarar isso com todas as suas faces possíveis, pode ser destrutivo quando não há interrupções, quando apenas o tédio está em seu alcance feito uma prisão da qual você sabe que não sairá tão cedo. Quando se está preso de todas as formas. Como eu estou, agora.

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