Buried Alive.

O tempo passa… Mesmo quando isso parece impossível. Mesmo quando cada batida do ponteiro dos segundos dói como o sangue pulsando sob um hematoma. Passa do modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa. Até para mim.

O tempo continua passando, ele não para. Você se enrosca, se embaralha, se atrapalha, mas ele não está nem aí. Passa por cima, te atropela. Mesmo você tendo a ciência de estar para trás, é diferente quando você é deixada, ultrapassada.

Quando tudo começa a se emaranhar rápido demais para distinguir o que está sendo atado e o que está sendo deixado de lado. Quando você não vê o que está sendo perdido, que o peso do que está levando não é o que pensara.

Aquele que tinha em seus ombros no início, não era um peso. Agora, o que tem sobre cada centímetro de seu corpo, triplicando o peso de seus ossos, é aquele que te sufoca. Faz você se afogar em águas translúcidas, até nas mais calmas. Faz você se encontrar em escombros, num deslizamento que o mundo jamais imaginara. Onde você só consegue… Não consegue.

Você está imobilizado agora, paralizado. E tudo só continua a desmoronar, você está cada vez mais fundo. A escuridão é negra e profunda, tentadora. Você é reduzido a saliva, apenas retalhos do que fora um dia. Na verdade, não passa de pó.

Talvez algum vestígio… Não. Você finalmente é nada (finally I’m no one). Mas não como sempre fora, agora é quando você percebe o quanto estivera errado e como se enganara ao pensar que nada mais restara e que tudo estava perdido, quando estava apenas deixando o que jamais poderia ser perdido se esvair.

Há muito que concluira estar morto, mas se realmente estivesse, nada mais disso importaria. E talvez não importe, mas ainda há dor. Desconforto. Insatisfação e o pior lado de tudo, como ainda decidira em vida.

E não deveria doer tanto. Mesmo que tenha passado o tempo inteiro pronunciando o quanto não se importava com dor ou o que for, o seu coração (a cave called chest) insiste em deixar apenas a sua ausência, como um órgão fantasma que só se manifesta quando é dada a chance de se partir, estilhaçar.

E não é como se eu pudesse me achar, ou entender. Eu nunca vou saber. Porque, o que eu teria contra a verdadeira morte, seria que quando se está morto, você não sabe. Você só morre (and everything just ends).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s