Ininteligível.

Eu sei que tenho protelado, e isso tem sido tudo o que tenho feito. Eu tenho evitado e até repensado, mas não é como se fosse diferente. Não é porque você imagina uma coisa que ela se torna real, mas também não são reais só porque não as imaginou, pois você nunca sabe, na verdade, se outrem a imaginara antes.

Não é como se fosse possível passar a confiar em alguém, pois você nunca o conhece e também não se conhece para saber como seriam. Logo, você não sabe a reação. Quando isso passa a ser uma constante tão aterradora que lhe impede de concluir qualquer ato, não há mais o que ser feito.

Não se trata de só não saber o que fazer, sobre o quê. Trata-se de não poder, não conseguir, não ter mais nada a ser feito. Quando você não consegue mais acreditar em nada, mas porque não há em que acreditar. Quando você só sente essa ausência, mas não é como se sentisse de verdade e isso fosse aumentar. Pois, quando tudo é ausência, isso apenas domina.

O que aumenta é o vazio, é o sentir-se só mesmo numa multidão, é o nada. É a invalidez, a incapacidade, apenas a soma de subtrações. Eu só queria poder escrever, sem pensar que alguém pode estar lendo e tentando entender, pois eu sei que não o faria mesmo que tentasse, pois não há o que ser entendido. E o que pensarem estar explicado, só vão estar errados sem entender como.

Capaz que eu saiba, apesar de poréns, que não há risco nenhum no que já fora dito. O perigo estaria no que está sendo escrito e no que eu estarei lendo. Eu tenho implantado calabouços em minha mente, feito do meu corpo uma prisão e tenho escondido, mantido isolado, um bloqueio mental do qual nem eu mesma sou capaz de escapar.

Não é como o baú de outrora, apenas com as lembranças que, se libertadas, seriam fatais. Tudo parece amplificado, mesmo quando o tudo é como o nada. Eu sei sobre o labirinto paradoxal que me enfiei, sei bem. Sei também que quando o criei, não embuti uma saída. Pois sabia que já havia falhado antes mesmo de ter tentado.

E eu vou continuar andando, adentrando cada vez mais essa profusão de palavras que são como a espinha dorsal. Vou conseguir ver algumas luzes apenas para me iludir e saborear a desilusão uma vez mais e depois outra e, é claro, o meu organismo não terá nem meia inclinação ao tentar não seguir um mísero ruído.

Destruição, é isso. Nada além. Autodestruição, masoquismo, suicídio. É só outro rótulo que ninguém jamais se importara. Só mais uma camada, outra farsa. Minha. Mas que nunca ninguém vai descobrir, entender, ver, sentir. É uma mentira, as pessoas mentem o tempo inteiro, só não sabem pra quem ou pelo quê. E eu não sou diferente como pensara, eu só não uso mentiras. E então, é só outro mistério… Insolúvel.

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