Fiasco.

É estranho como mesmo quando seu corpo está treinado para esperar qualquer tipo de mudança, qualquer desapontamento, qualqer desagrado… Ele nunca está realmente preparado. Sempre é o mesmo golpe, os seus músculos ficam retesados e você não sente mais nada além de todos os seus sentidos se esvaindo. Sente cada elo com o raciocínio se romper e ficar a beira da insanidade, caso já não esteja lá, afundando.

Até que não há mais sentido nem mesmo em tentar, em continuar o que quer que seja. A verdade é que todos já sabem como vai terminar, o fim é o ponto de chegada e partida. É mudança, muda para nunca mais mudar. Nada mais que isso, todos sabem aonde isso tudo vai (traiçoeiramente) parar. Não há razão em começar algo feito apenas para ser terminado, não vai importar quando ou como, ele vai terminar mesmo sendo a última coisa que considera.

Agora eu estou pronta. Eu sinto como se pudesse mesmo ir, minha irmã está com um namorado de merda, mas não está sozinha. Meus pais estão ganhando o dinheiro deles e se entendendo. Minha avó já passou dos sessenta e meus tios e todos os outros continuariam sem problemas. Eu não confio em ninguém, não há amigos reais. Eles não sentiriam a falta. Pois ela nem existiria.

É como dizem sobre colocar o pingo no “i” e, no meu caso, isso só aconteceria se não existisse mais esse pingo, assim tudo estaria certo. Eu sempre vou ser esse estorvo, esse amontoado de inutilidades, um impecílho, uma pedra. Eu até tentei continuar aqui só para tirar a pedra dos outros e colocar no meu calçado, subtrair o problema deles para que se tornassem meus, só para eu poder ficar um pouco mais.

Uma vez que eu não posso ser útil a mim mesmo, tentaria ser para alguém. Mas não é como se eu tivesse percebido que, ninguém pediu. Eu não passo de um fracasso, uma existência inteira só para deixar de existir. Talvez eu tenha mentido esse tempo inteiro para eu mesma e cada vez que pronunciara “não me importo com ninguém”, eu estava só me importando mais do que qualquer um imaginaria.

E, também, quando dizia “não estou nem aqui”, meu corpo me surpreendia ao esperar alguma resposta que revelasse um pedido ou necessidade, interesse ou qualquer outra coisa… Uma razão, pelo menos razoável, ou algum sentido. E, todas as vezes que ouvi, foram todas as vezes que não acreditei. Nunca houve motivo, razão ou o desejo. Foram só enganos e mentiras, os quais nunca desconheci.

Apenas continuei, sem saber. Gritei, quando minhas cordas vocais não respondiam. Chorei, quando meu corpo já desidratara uma semana antes. Esperei, quando sabia que não havia mais nada para acontecer. Pedi, quando não tinha nem ideia do que seria. Fiquei, quando não havia mais nada aqui. Nenhuma essência, nada. E o nada eu me tornei.

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