Desalento.

Sinto falta do meu eu. Falta de quando não havia mais nada, nem ninguém. Mesmo que tenha sido quando mais me importei com qualquer outro. Fora quando me esqueci de mim e apenas busquei o que se revelaria ser um deixar de buscar. Passei a observar, me aquietar e, isoladamente, perceber de forma aterradora, tantos meses depois, que aquela “pessoa” ou coisa, ainda é o que resta de mim.

O resto de nada, nada que me reste. Nada que dê algum proveito. Um nada que respira com pulmões perfurados, sofre e sofre. Visto que este nada, nada seria. Só posso contentar-me com… Nada.

Tenho estado num constante descontentamento, numa inquietação e ainda insatisfeita com o que quer que venha de encontro ao meu corpo vazio, mesmo que não chegue ao intelecto, ainda me despertaria para um incômodo inigualável que se mostraria, com o arrastar dos segundos, onipresente.

Tenho tudo o que não possuo, mantendo, assim, o número de pertences nulo. Longe de escapar das dolorosas armadilhas dessa humanidade que parece impregnar-se em mim. Desabo em futilidades ou elas acabam saltando em mim. Embaralham minha visão, roubam meu discernimeno e então, como se eu fosse algum aeroporto, elas vem e vão.

Assim como as tortuosas inseguranças que me deixam à merce, pronta para receber o ataque, elas se preparam para me deglutir ainda viva ou me tiram a vida, deixando aqui apenas a carcaça, a tralha, o inútil. Como estou agora. Uma concha vazia, sem pérola alguma.

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