Inconstância e/ou Inconsistência.

Testes, investidas, reparos, mobilizações, tentativas frustradas e afins. Eu não entendia o que faziam-lhes acreditar que alguma coisa daquilo valeria a pena. Não havia como. Há muito eu havia sido modificada, alteraram-me as estruturas de forma que agora pareciam todas feitas de areia. Alguns dias eu conseguia escalar, desafiadoramente, até acreditar ter chegado no topo. Outros dias, eu sabia que estava no subsolo daquele castelo de areia. Mas, na maioria das vezes, era apenas como se tudo estivesse prestes a ruir.

A água viria em alguma hora, levando tudo o que fora construido. Logo, eu passava a maior parte do tempo soterrada por areia, ou afundando nas águas que não permitiam outras opções além do afogamento. Por mais que eu me mexesse, a situação insolúvel também parecia imutável. Terrorificamente fatal. E eu estava danificada.

Manipularam-me até não haver mais o que ser feito. Eu estava com problemas, sem dúvidas. Sentia mãos me moldarem como um bola – meu corpo desgastado não passava de uma borracha derretida, flexível -, até que, ao me deixar bem em sua palma, me arremeçavam ao acaso. Mesmo em queda-livre, com todo aquele ar me envolvemendo, sentia-me sufocada. E ainda mais perdida, sem direções a serem alcançadas.

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