Esboço.

Eu não gostava daquela sensação – essa, de que as palavras parecem se amontoar na minha cabeça, numa profusão aparentemente infindável, como prestes a explodirem meus miolos até que de forma desconhecida e com um desconforto razoável, assim que eu me apresso para expressá-las, espremê-las de meu cérebro e então preencher N linhas, elas desaparecem de forma sorrateira.

Devido a quantidade excessiva de vogais somadas a consoantes, elas não saem todas de uma só vez, me deixando, assim, apenas com um branco parcial. Fazendo com que eu tente, inutilmente, recolocá-las onde estavam, numa forma que possibilite seu desenvolvimento e a revelação de outros fatos. Estes que elas parecem possuir alguma chave ou outra ferramente capaz de anunciar seu desenrolar, assim como sua paralização, deixando minha cabeça numa verdadeira confusão na qual eu não conseguia me achar.

Há muito eu tivera conhecimento de como as palavras me preenchiam, formavam minha estrutura e promoviam o ligamento de conexões que meu cérebro não era capaz de fazer apenas com o auxílio de suas células. Porém, assim como atualmente experimentei de forma involuntária, as palavras eram potencialmente traiçoeiras a ponto de me deixarem completa e enlouquecedoramente à merce.

É claro que eu havia percebido antes, em certos episódios, que eu me encontrava constantemente numa narrativa da qual eu me alternava entre a figurante e a protagonista da trama. Em geral, eu nunca estivera no comando e agora, é seguro dizer, eu já me permitira passar por longos períodos apenas tentando absorvê-las e não me sobrecarregando, porém, ainda não as compreendia. E por mais que eu soubesse do que era feita, ainda continuava desconhecido o que diabos aquilo fazia de mim, e o que eu era, afinal.

Ainda mais quando o estágio em que a história estava continuava indecifrável ao meu intelecto, e eu era acometida frequentemente por longos acessos de frustração e paralizia, alternados por outros de euforia e ansiedade, armando um cenário no qual eu definitivamente não escolhera estar como alguém além de visitante.

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