Extremos Adjacentes.

As coisas saiam cada vez mais do controle. As sensações, as palavras, os atos com as expressões… Todas eram expelidas do meu corpo de maneira que eu não mais as comandava. Eu sequer as reconhecia. Era como se nao fosse eu. Ainda assim, parecia além nao só do meu compreendimento mas também – principalmente – do meu alcance. É como se uma parte de mim intra ou extra corporal, nao fosse minha de fato.

Nao se tratava mais de como escapar dos demonios em minha mente. Era como passar cada arrastar dos ponteiros do relógio num campo de batalha, andando sobre ovos como num maldito campo minado. As pessoas começaram a falar coisas abominaveis sobre mim, as quais eu repudio e que as tenho permanentemente descartadas de minhas ações. Mas elas continuam a acontecer, como se aproveitassem alguns dos meus momentos de descuido e me colocassem para dormir enquanto acordam o meu corpo e brincam juntos num ensaio de marionetes.

O resultado é um desequilibrio tão terrível e absurdo quanto a experiência de perder seus sentidos, seus membros e o que mais lhe pertencer. Ainda assim, não há comparações com sentir impulsos como uma compulsão até mesmo física, acessos de raiva desproporcionais e inconvenientes, assim como o descontrole de outras sensações e vontades, e ainda – como se pudesse faltar – oscilações de humor que vão além da minha montanha russa pessoal de emoções, deixando-me a beira de um colapso, uma vez que o suicidio já fora dado como terapeutico, e em intervalos irregulares além de indefinidos, prostram-me de joelhos, mas logo estou pulando, jubilosa e orgulhosamente em êxtase.

Loucura? Pergunte às sombras que se arrastam ao meu redor, obliterando todo o restante. Talvez os individuos de tocaia nas portas (assim como aqueles que a qualquer momento, em qualquer lugar, também não deixam de me observar e às vezes até mesmo sussurraram coisas diferentes dos ruidos ininteligiveis habituais) possam esclarecer essa insanidade avassaladora.

De qualquer forma, eu queria que alguém me entendesse, soubesse identificar ou como agir. O conhecimento que peço é incomum, porem é o único capaz de viabilizar meu futuro – que há muito deixou de ser previsto ou existente.

O que não deve ser considerado como algum presságio, nao há saídas além da morte: Apenas ela me oferece mudanças que eu mesma posso fazê-las, será o meu único e último ato pela conquista de meu livre-arbítrio.

Sem mais responsáveis, espero ser tomada somente pela dose mais revigorante possível de morbidez. Anseio pela vastidão imensurável e íntegra do vácuo. Desesperadamente, entrego-me em rendição ao “nada” cobiçado, que apenas será existente no momento em que minha existencia for igualmente nula.

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