Malograr-se.

Eu não sabia o que estava acontecendo, tampouco sabia como essa situação mudaria – se é que fosse possível – e eu enfim descobriria o que diabos havia de errado comigo. Meus acessos estavam cada vez mais intensos, desproporcionais e irracionais. Por que eu continuava fazendo aquilo? Aquelas ações não pareciam minhas. Eu gritava por coisas que sequer me eram relevantes. Meus atos se baseavam em impulsos, meus pensamentos todos incoerentes e encobertos, perdidos de qualquer foco.

Contudo, sempre a sensação que eu tinha era de me restarem apenas alguns minutos – fossem de lucidez ou insanidade – até que tudo se renovasse outra vez, voltando a uma rotina que me era usualmente desconhecida. A natureza daquilo me perturbava de formas que eu jamais imaginara.

Podia me dar ao deleite de habitar cantos de meu intelecto onde a situação era bem-vinda, onde eu podia falsear a satisfação de ser tão perturbadoramente oscilante. A fugacidade das coisas, o desconcerto do mundo e o princípio da efemeridade sempre esteve presente para mim, mas as coisas mudavam quando seu organismo inteiro precisava lidar com isso. Quando seu corpo era movido por tais coisas e desprovido de controle.

Não importava quão intenso fosse, duraria cedo ou tarde demais, mas sempre o suficiente para que eu acreditasse na impossibilidade de ser aniquilado… Fixo. Eu não sabia se algum dia eu me acostumaria àquilo. Parecia demais para absorver. Eu poderia simplesmente me permitir o benefício da dúvida, com um voto a mais na questão de poder.

Se nada seria o bastante para conquistar sua permanência, eu também sabia que por mais perto que eu estivesse do limite de um extremo, como se fosse produto da metafísica, eu seria arremessada ao outro, pois.

A Teoria do Caos também ampliara seus sentidos. O bater das asas de borboletas, causadores de tufões no outro lado do planeta… É como se existisse um mundo inteiro em meu interior, suscetível a todo e qualquer – mínimo ou não – movimento que lhe fosse referente. E eu não fazia ideia de como administrar isso. Afinal, o psiquiatra nunca estivera tão correto ao descrever aos meus pais, o tsunami que se revolvia no meu cérebro danificado.

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