“Balada”?!

Meus pais me obrigaram a fazer mais uma das coisas que qualquer um da minha faixa etária faria. Minha mãe comprou-me um novo vestido, me levou ao salão de beleza e meu pai estava mais que disposto para me enfiar no carro. Eu reconheço seus esforços, admiro a esperança e seria eternamente agradecida a eles caso ainda me fosse permitido sentir algo. Porque caso sentisse, seria o lado ruim delas – o único que eu conhecia.

Talvez eu devesse fingir, simular a empolgação ou fabricar entusiasmo. Sinceramente? Nem há alguém a ser enganado. Eu tento me juntar a multidão em sua nuvem de euforia mas, quando me aproximo, a nuvem se dissipa e/ou os meus pulmoes são incapazes de inalar aquele mesmo oxigênio… É quase sufocante, pois.

A música está alta. Milhares de pessoas seguem praticamente os mesmos movimentos, o que só faz com que se pareça ainda mais uma coreografia ensaiada com fervor – da qual eu nao participei e nao apresentava convites. Meus pés nao conseguem se mover de tal forma sem que eu e quem mais arriscar a proximidade sofra algum acidente.

Eu continuo sentada e sozinha, sem nem mesmo o foco ser suficiente para livrar-me dos devaneios. As vezes, como agora, me questiono profundamente se nao estou em algum transe ou talvez em algum sonho. Tenho a necessidade de sentir verdadeiramente algo, o que vai se alastrando com a certeza de que só resta uma coisa para que eu sinta: O fim de todas elas.

Eu estou cercada de pessoas, sendo estúpida o bastante para segurar o celular e escrever durante incontáveis minutos.

Não sei quando foi que a ideia se tornara fixa, mas eu fora contaminada por ela: Esse mundo não é real. Sendo crente de que através da morte serei capaz de atingir a realidade e nao essas projeções, sombras ilusórias que refletem a tamanha devassidão e o desconcerto do mundo.

Não há nada que me pareça certo. Nao obstante, há uma unica coisa a ser feita.

Antes, tirem-me daqui. Disso tudo. Desse lugar, dessas pessoas com sua música ensurdecedora e desse planeta. Onde está o novo mundo? Ainda assim, se possível, pretendo ser clara. Anseio que, com a morte, eu encontre apenas o fim. Nada mais, nada menos.

É uma necessidade atingir a tecla “pause” até que, levados à exaustão, todo o resto desapareça, tonalizando o que mais restar em preto, e eu estando enfim livre dessa escala cinzenta onipresente.

Ps. Podem desconsiderar o restante, caso eu seja uma cadela e tenha meus anos contados de 7 em 7, o que daria uma soma de 105 anos… Então é parcialmente apropriado.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s