Ausente.

Eu sei que está se aproximando. Consigo sentir o tempo esvaindo, o sangue escorrendo, a pressão caindo. Não é o tipo de ferida que se pode estancar o sangue, religar a pele com alguns pontos, fazer uma compressa ou qualquer outro tipo de tratamento. É uma ferida que continua aberta, doendo até mesmo quando o mais ínfimo dos pensamentos lhe é dirigido.

Passei por algumas pessoas que se dispuseram a serem amigas, porém, mal devem saber o que significaria para alguém como eu.

Acabei de sair da quadra onde todos os outros alunos estão. Subi as escadas, ainda invisível, peguei uma tesoura. Aconteceu que cheguei no último andar, há apenas alguns metros das grades que supostamente evitariam uma queda.

Há dias que as imagens suicidas preenchem minha mente, talvez há anos. Nao me importa. Nada mais. Eu sei que o sol está batendo bem no meu rosto, mas ainda sinto meu corpo se arrepiar dolorosamente. Sendo essa a menor das dores.

Cheguei ao ponto onde o vazio é tamanho que é como se fosse me comprimir, ligar as paredes do meu corpo para experimentar e preencher isso. O que de longe sabemos não ser possível.

Provavelmente eu só tenha chegado a ponto nenhum. Acredito ter parado em lugar nenhum. Como um nada. Sem saber sobre o futuro, sendo difícil demais sobreviver ao passado.

Não sei como continuar.

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