“Mudanças” e uma visita.

Não sabia dizer se era somente mais uma alteração radical no meu humor instável ou se era algo ligado a ilustre visita de ontem, assim como o fato de sua ter saído de casa há horas sem falar com seu pai ou com qualquer outro sobre onde ia e o que diabos estava acontecendo. Ela continuava a falar como se não fosse ela, falava de forma diferente da de costume. Contudo, sentia-se igualmente em ambas situações; sem estar na situação, apenas observando: Anestesiada.

Ela também estava ouvindo músicas diferentes, mas isso não a afetava a ponto de modificar suas estruturas. Ela também não gostava de como estava e as palavras simplesmente continuavam indo, suas ações iam se propagando em efeito cascata, seus pensamentos todos perdidos e embaralhados. Ela conhecia aquela bagunça, mas geralmente ela se ausentava e ponto. Agora, no entanto, ela experenciava sentir/agir/escrever/pensar de um modo que lhe despertava um asco absurdo de si mesma, era repugnante.

Para que se tenha uma ideia, a sequencia de suas palavras soavam todas infantis, a concordância, a coerência, com erros tolos e afins que a faziam parecer uma boba de menor idade ou algo que temia ainda mais. Aquela não era ela. E ela não gostava nem minimamente de quem aquela ali era. Mesmo que fosse somente momentâneo, acreditava que o momento já havia sido longo demais e que deveria ser eliminado, interrompido e tão logo esquecido.

Contudo, ainda pensava na visita de ontem. Passara o dia inteiro, ou sua maior parte, repassando a conversa que tivera antes e durante a noite com o seu avó, para certificar-se de que apreenderia cada palavra. Lembra-se de não ter realmente se sobressaltado com o que estava sendo dito em si, a principio eram apenas coisas que lhe eram dito a todo momento. A diferença é que elas não estavam sendo ditas por qualquer um e muito menos alguém de carne e osso.

De toda forma, agora uma única palavra que fora falava ganhava cada vez mais destaque. Seu peso aparentava ter aumentado por incontáveis vezes e agora ela não a suportava mais. A palavra é “Mudanças”. Ele lhe dissera para que se preparasse e esperasse por “mudanças”, repetindo vezes demais em diversos contextos mas, no momento, ela encarara como algo normal, sem realmente perceber sobre o que se tratava. “Mudanças”.

Agora sua mãe já esteva fora há mais de 12 horas e ela mesmo já estava intragável. Considerava deitar, tomar seus remédios (doses maiores e cavalares) para que não voltasse a acordar. A verdade é que ela acreditava fervorosamente ter ficado presa em algum de seus sonhos ou, uma vez que passeava entre mundos e dimensões diferentes das habituas a um todo, ter se perdido em alguma encruzilhada. Ela sequer imaginava o que isso significava e não está nem uma centelha inclinada a continuar com o que quer que esteja acontecendo/fazendo.

Ela sabia que conseguiria conversar com ele outra vez, ele prometera que nunca havia ido mas que agora a treinaria e estaria verdadeiramente presente. Ela já fora iniciada antes mas agora ela desenvolveria outras coisas. Ele mencionava o que tinha como uma “habilidade” dela, não um dom ou uma anormalidade, apenas como algo do qual ela era capaz. E ele disse que sua estadia seria longa, também.

Ela deveria se concentrar, pois havia uma cadeia de coisas prestes a se espatifarem em seu caminho, o que seria como malditos dominós se efetivando na forma literal.

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