Aconteceu.

Ela se lembrava de sua sessão na psicóloga. As imagens se repetiam em sua mente com a voz que ela sabia partir da vibração de suas cordas vocais mas ainda nao a reconhecia como sua. Além do mais, nao conseguia lembrar-se de seu rosto, como sua face respondia ao que seus ouvidos mal escutavam e esboçava o desconhecido monstruoso.

Foi na semana que se cortou pela última vez, os cortes ardiam sob seu uniforme, com a pomada que grudava de forma grotesta em seus curativos improvisados. Os cortes eram de dias atrás mas ainda estavam inchados, sangrando uma hora ou outra pelo dia. Ela estava sentada em uma cadeira, insandecida. Praticamente aos berros, sua respiração estava entrecortada com o choro.

Dizia que nao entendia mais uma só coisa, nem o porque de estar ali. Aquilo sequer deveria ser real. Ela estava dormindo. Talvez já havia morrido. Comentou sobre as injeções de emoções/sentimentos que lhe aplicavam sorrateiramente. Da grande farsa e o complô que enfrentava diariamente. E então, o desespero.

Ela estava sem palavras, sua escrita era porca e nao parecia mais a sua. Ela já nao estava mais ali.

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