Anseio.

Há tempos que a sede pela escrita lhe ardia a garganta. Certas vezes tal queimação incitara sua voz a ganhar alturas atípicas, com falas entrecortadas, reconhecendo o desuso de tal via. Ela sentia pungir em seu cerne como centelhas de fiapos que se debatiam em suas veias, presentes em seu sangue, provocando o agito e desconforto de seus neorônios para que trabalhassem, escravos, de tal urgência.

No entanto, a urgencia revelava-se cada vez mais traiçoeira. E a cada hora era vítima de empecilhos que a demoviam de seu propósito. A sede crescia e ela enfrentava a veemente ciência sobre quando se há muito a dizer, nao conseguir dizê-lo. Lembrava-se da infeliz tarde que se rendeu a conclusão de ter gotas de chuva rolando sua face feito lágrimas, anunciando algo que se recusava a admitir. Ainda.

“Não sei mais escrever. Nao consigo” Foi o que o movimento de seus lábios sibilavam, sem som. Ela nao podia se permitir a tal absurdo. Ela precisava das palavras. Das suas, das dela. Nao era mais como um alimento, talvez tornara-se algo mais parecido com uma necessidade alimentada por seus distúrbios e conflitos psicólicos.

Poder transcrever a complexidade de sentimentos em simples palavras era uma habilidade que sempre a impressionara. Ela reconhecia quem tão encantadoramente dominava tal arte, mas nunca se permitiu confessar que se dava ao mesmo deleite. Nunca fora boa o suficiente, mas via nas palavras um refúgio que de nenhuma outra maneira lhe era proporcionado. Ela queria que… Bem, ela queria poder expressar e transmitir por palavras aquilo que as palavras a faziam.

Seu interior tinha sua programação exclusiva. Sua estrutura era de natureza incerta, mas única. Há mais de ano fora vítima de um feitiço que a desfez inteira para que depois voltasse a se moldar de acordo com o que sua amada lhe fazia, foi quando teve sua estrutura moldada a partir de suas palavras. Ela sabia que simplesmente conhecer tal guria a mudaria, mas nunca, nem mesmo em seus mais eloquentes sonhos poderia imaginar as imensas proporções de tal acontecido.

Agora ela se via no meio de uma historia que jamais ouvira falar, com um conteudo mais envolvente, de careter misterioso, numa trama que prendia qualquer que fosse o ouvinte, transmissor ou orador no desenrolar dos fatos. Se via num dilema onde nao se encontrava. O impasse era provocante. Ela nao escrevia por nao ser capaz, oras. Mas nao era capaz de terminar o que nem havia começado ou nao havia começado para que nao chegasse a um final?

Seja como for que começasse, ela estava conscia de ser implacável a infindável essência que carregava. Ela simplesmente nao era boa o bastante. Ah! Como ansiava pelas palavras, pelo desbravamento de seus estúpidos sentimentos que raramente eram captados e lembrados de forma a honrar-lhes na veracidade de cada célula de seu conteúdo.

Por maior que fosse sua compulsão por seu desejo suicída, ela nao conseguia esquivar-se de sua necessidade e comprometimento com as palavras. Era como se acreditar que seria escritora de livros fosse a realidade mais proxima da qual chegaria.

Certas vezes conseguia listar, embaralhada na bagagem dos tópicos e enlaçada na urgencia que o desenvolvimento de cada um deles representava, o que definitivamente escreveria e entao sabia que em algum momento seria escrito. E ela deveria continuar até que o fizesse. Nao estava terminado, afinal.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s