Habitual.

Ela sabia que o que fazia agora era diferente do que parecia, algo que se tornara mais perturbadoramente comum do que sequer toleraria se ainda estivesse no comando da situação. Ninguém além dela mesma imaginaria como era estar dessa maneira. Os sorrisos, as conversas, a preocupação, a disposição… Tentativas. Todas frustradas, mas mais frustrante era perceber ao final de cada uma delas, ainda num ciclo infindavel, que ela nem mesmo havia estabelecido o que tentava, afinal. Ela sabia que nao havia previsões de melhora, o que estava tão estonteantemente claro. Alguns insistiam em dizer que dependia exclusivamente dela, outros tampouco notavam que de fato carregava problemas atípicos com doenças um tanto graves. Ela própria já ouvira de profissionais que não era sua culpa/ o que tinha nao era somente psicológico/ o caso é delicado/ tratamento com urgencia/ internação/ psicose/ remedios/ terapia e bla. Ainda assim nao era como se entendessem ou, não sabia qual era pior, sentissem. Para ela, palavras como catatonia/ inércia/ desistencia e afins soavam mais adequadas. Tentadoras. Na verdade, a morte estava bem ali e a abraçava a medida que ela conseguia ver o mesmo aconchego que o significado de seu suicidio proporcionava.

Eu falhei, e não há nada que possa mudar isso. O produto de uma inutilidade absurda, do desperdicio de espaço com o roubo de oxigênio é a suma. O resto, apenas um amontoado ascendente de fracassos.

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