Mary Jane.

“This is the end of the ending… Somehow I have to pretend(…)”
Certo. Ela estava ouvindo as músicas há horas. Desde que se falaram a sensação que ela carregara o dia inteiro havia mudado radical e dolorosamente. Pois, antes de fazer o contato após a primeira vista, ela ainda acreditava que não havia nada de errado. Ela considerou tudo estar bem, prestes a melhorar as coisas entre as duas.

No entanto, ao se falarem, ela teria se sentido mais aquecida se simplesmente uma avalanche de gelo a tivesse soterrado. Ela sentiu seus músculos se resetarem, o estômago embolar na garganta e outro buraco em processo de expansão ser cravado em outro ponto de seu corpo já perfurado.

As lembranças do dia que passaram juntas, as mesmas que lutara durante horas e horas para guardar em sua mais perfeita essência, captando cada olhar com respiração, cada palavra e cada imagem, sim, sem escapar um só momento… Eram agora imagens que ameaçavam dilacerar seu organismo, provocando a lise de cada célula com aqueles flashes maravilhosos.

Como ela conseguira ser tão irremediavelmente tola e acreditar que não mudariam? Acreditar, acreditar, acreditar. ELA NÃO PODE ACREDITAR. Mas acreditou e agora só estava saboreando a decepção com o desapontamento, desiludida. Congratulações, minha cara, você definitivamente sabe como piorar insuportavelmente algo que até então estava livre de todo e qualquer mal.

Por mais ideal, incrível, romântico e… Magnífico, divino, blablabla perfeito. Enfim. Não importa. Está acabado. Não foram necessárias nem 12 horas da mais arrebatadora relação entre elas, agora ela se repudiava, com asco de ter se permitido algo tão nocivo e absurdo – ainda que “típico”. Os danos seriam permanentes, afinal.

A música continuava a tocar, ela sempre gostou de suas músicas. Ela admirava a melodia, a composição de sons com as letras. Desde o principio, há anos quando se conheceram, ela se encantava com tamanha habilidade e talento que sua menina demonstrava de forma tão fascinante. Talvez isso complemente o porque de ser demasiado difícil para que ela parasse a música, se esquecesse da voz com a pessoa que cantava canções que tanto gostava e agora tanto a desfaziam. Reduzindo-a em algo pior do que a sensação de estar naquela montanha-russa no escuro. Ou somente em sobras, sombras de algo que não mais existia. E não voltaria a existir. Jamais.

Não obstante, a música continuou a tocar. Nesse momento, Mary Jane.

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