Estragada.

É claro que acontecera outra vez. Ela sabia que deveria se permitir, deixar as palavras virem ao seu encontro de forma natural, acariciando o teclado apenas por acaso, vez ou outra acertando em letras e promovendo a conciliação de palavras que com sorte fariam algum sentido.

Há dias que hora ou outra textos se formavam sem nenhum comprometimento, ainda que eloquentes estavam fadados ao esquecimento pois não os carregava o suficiente para salvá-los em algo material. Contudo, agora que podia de fato voltar-se a sua escrita, discorrer sobre o amontoado de coisas que transitavam e transtornavam sua mente, ela não conseguia.

Suas roupas estavam tingidas pelo dia desgastante e seu corpo exalava sinais não só físicos característicos do dia que se afunilava cada vez mais em seu término sem chegar de fato a um desfecho. Sentia cheiro de cansaço, sentia até mesmo o deslocar de suas órbitas pois essse mínimo movimento a apunhalava com uma dor absurda.

Devaneava desde a noite mal dormida, acordando de hora em hora, chorando vez ou outra até que retornasse a mais algum sonho infeliz. Depois se seguia uma sequencia de imagens, a prova que não conseguia ler uma só questão sem se desconcentrar e fitar o nada. Até as outras aulas que continuou de cabeça baixa, se entregando a lágrimas que enchiam seus olhos sem nenhum controle.

Pela tarde foi torturada por horas com marcos que a desconcertavam, sem ter mais de alguns poucos minutos de folga, cada momento se declarava através do que a deprimia. Sem compreender, continuou quieta, sentia e não demonstrava. Eles queriam sorrisos, cooperação, algo prestativo. Sua carcaça fabricou algo que ainda não entendera mas que agora que o preço da farsa acometia seu corpo, sabia que não passava de outro fracasso.

Ela tinha assuntos que eram constantes em sua mente. Escrever sobre si mesma em terceira pessoa, deslizes do último final de semana com seu efeito cascata, mais deslizes de quase um mês atrás com sua destruição ascendente, deslize de meses atrás com ferroadas que continuavam a encontrar seu corpo em brasas, e o provável deslize após os 3 dias.

Ela não sabia se um dia seria capaz de realmente falar, encontrar um feixe que a transportasse para luzes, esclarecimento ou… Algum lugar. Ela estava demasiadamente perdida, soterrada por sensações e emoções vãs. Se perdera das palavras, afinal.

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