Desistência. Resistência.

Começo a perceber que destino não significa trilhar um caminho, ou simplesmente ir a lugar algum e ainda assim continuar em um plano, onde seu ponto de chegada permanece inalterável. Tampouco que seriam atos previamente executados, permanecendo, assim, como reprodução de uma vida já vivida e decidida de antemão.

Decidi estar em algum lugar, sem nem mesmo saber quem diabos estaria ali e aonde tal lugar se encontraria. Não reconheço decisões, produtos, vias alternativas ou caminhos certos embramados a errados. Eu estou perdida, porém. Perdida em mim, perdida no mundo. Sinceramente, eu busco a minha própria identidade. O meu destino sou eu. Seja qual for esse o significado.

Diariamente me empenho em trabalhar outras maneiras, alterar fatores e torcer por algum produto diferenciado. A mesmice outrora querida, agora se apresenta com uma carga repulsiva. Quão mais eu deveria mudar para haver, de fato, a mudança? A suma insistiria em fantasiar-se de covardia? Afinal de contas, eu sequer posso reunir exata ou categoricamente os temores.

Tenho medo de acordar e ter de viver, acordo e amaldiçoo o amanhecer. Não por medo de sofrer, mas sofro por não poder escolher. Sem poder determinar, a aflição passa a assumir o contorno de seu olhar. Sua presença me presenteia com a angústia, diariamente tenho a rotineira desesperança que por ventura reside em cada nota sua.

Não se trata de amor não correspondido, ilusões demasiadas adolescentes, conclusões inconclusivas ou anseios indesejáveis. O nó do estômago percorre a íngreme subida até se entrevar na garganta, as palavras se perdem ali, o enjoo onipresente com as lágrimas que ardem os olhos durante horas que se transformam em dias até se excederem em meses, poucas arriscam transbordar hora ou outra mas, ao se acumularem, são irrefreáveis.

As risadas, estridentes, descompasadas e até inconvenientes parecem vívidas e convincentes, e verdadeiramente queridas, porém frígidas. Refletem o transtorno interno, distorcendo gritos mudos, desesperados para reverbarem por todo ambiente inabitável. Sinto pelas falhas em repetição automática, pela força que há muito eu já perdera, travando numa frequencia admirável a mesma batalha por suas sobras enfraquecidas.

As minhas veias parecem ocas, o meu interior sofre o atrito de turbilhões que, vez ou outra, se confundem com o vazio, com a devastação e a desolação da lise de feridas ascendentes. Não houve estancamento, o colapso rompera pelas comportas que apenas imaginei construir. A resistência fora vã. Eu continuo, naufragada, junto ao magma do vulcão em minha consciência que entrara em erupção.

Inundada por frustrações e traumas que a cada visita não me largavam, apenas convidavam outros familiares para assumir o controle de meu corpo. Eu continuo a afundar, com sonhos que ao invés de acenderem vislumbres de uma superfície cobiçada, apenas me jogam em outro pesadelo que compele minha alma a ceder e se inclinar ao abismo, despencando de penhascos cada vez mais altos.

Seria enganação, um truque ou peça, mas a plateia se fora, as luzes se apagaram, os ruídos cessaram e as palavras já não se pronunciam ao abraço de vogais e consoantes. Ousadamente, o eco de dúvidas enterradas ressoa, em parte inintelígivel e, em outra face, o inconfundível pedido por socorro.

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