Insuficiência.

A verdade é que eu estou com medo. Assustada por perceber que por mais que eu tente, as coisas simplesmente não mudam. Estou cansada de ter um falatório interminável na minha mente, com correntes tão distintas que parecem me arremessar de um lado ao outro, e então os pensamentos que de tempo em tempo simplesmente viram do avesso numa velocidade maior do que aquela que eu posso acompanhar. Porque nada para, nada espera, nada clareia, nada se justifica, nada acontece/ nada deixa de acontecer, e eu definitivamente não aguento.

Eu posso passar o dia inteiro apenas dizendo o quanto as pessoas são capazes, torcer com cada fibra do meu ser pelo melhor delas, sinceramente esperando por seu sucesso. E então, faço votos altíssimos de confiança em quem elas são e na grandiosidade que carregam em seu interior, além do potencial absurdo de cada uma delas. O que me remete a… Eu nunca vou ser como eles. Eu nunca serei um alguém assim. Não dá.

Meu corpo simplesmente se recusa a trabalhar de maneira mais comum, mantendo sensações/emoções/pensamentos normais ou, pelo menos, quem sabe, uma chance. Eu tento ousadamente me virar e revirar e então escalar, alçando todas minhas células numa escalada pela vitória, pela concretização de seja o que for. Talvez, só uma estabilidade, mas o único ponto de chegada que se mantém constante é o fracasso.

Eu estou aos frangalhos, esgotada de estar partida em centenas de milhares, com conteúdos tão ridiculamente divergentes. É como se quem eu fosse, na verdade, não fosse ninguém. Estando além de qualquer descrição pois, assim mesmo, não há uma. Não é possível. Se entregar a risos forçados, ou naturais, e então estar aos prantos, enquanto outrora esteve pedindo por lágrimas só para limpar, se esvair e exteriorizar de alguma forma aquela podridão. O desgaste é tangível.

Contudo, eu ainda me amarro em farsas, já que não querem ouvir sobre a sua cabeça que só piora uma vez que parou de tomar a medicação sempre que há dor, pois, se não já teriam acabado todas as caixas dela. Não querem ouvir sobre passar mais de 18h acordada, sem sequer deitar ou fechar os olhos, só para na hora de dormir ainda rolar por longas dezenas de minutos e depois manter intervalos, acordando sempre como se nunca houvesse de fato dormido. Não querem ouvir sobre estar se distraindo com qualquer mínima coisa, só para manter a mente mais ocupada, quando hora ou outra ela o surpreenderá com alguma imagem suicida. Porque, sim, eu não preciso querer isso. Não preciso pedir ou planejar algo. As imagens estão lá. A vontade com o desejo é f-i-x-o. Sem ser manifestado, sem ser cultivado. Não importa a batalha que seja travada, dia-a-dia, as porcarias não deixam de crescer. E eu me sinto profundamente envergonhada em reconhecer o quanto alguém pode ser maravilhoso, amar e então, a quem isso tudo é direcionado, não ser… o bastante.

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