Nostalgia.

As lágrimas chegaram. Seus olhos as reverenciavam, talvez por sentir tamanha ausência, a reteram ali antes que transbordassem para não parar mais. Sua mente deliberadamente vagou (um simples devaneio) para eles, levou um quarto de segundo para que acontecesse. As risadas com os abraços, as confissões com as brincadeiras, os encontros e cada momento pelo qual passaram. Nem sempre fáceis ou rápidos, mas pelos quais permaneceram até que em um, cuja culpa recaíra exclusivamente em seus ombros, romperam.

Desde então ela era pega em certas ocasiões, por mais alta que sua guarda estivesse, e não encontrava nenhuma outra solução até ser acometida pela falta que sentia, que a deixava em frangalhos e entregue aos prantos, o que não era uma surpresa. Sua garganta travou, sentia o buraco agarrar com garras, esfregar e alargar a pele. Suas víceras se reviravam, e suas entranhas ameaçavam escapar enquanto o caos se instalava.

Ela pensou ser uma deles. Por uma primeira e única vez, se deu o direito de acreditar, de fato, que não seria deixada ou passada para trás. Mas é claro que ela não contou com a iminência de ver tudo o que reunira, guardara e cultivara com tamanho zelo e apreço, ruir rápido demais para ser parado, mas vagarosamente gravado em sua mente. Até que estava perdido, sem chance alguma de estar encerrado.

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