Soltos.

Os dias se acumulam, com proporções ascendentes que parecem se tornar, como se não bastasse sua intensidade, altamente reflexivos, atingindo pontos de meu cerne que não deveriam continuar daquela maneira, uma vez que não permanecem os mesmos.

Pode apostar que o assento permanece com a temperatura que alcançara enquanto ela repousava, tranquilamente, ali. Meus olhos continuavam fixos no objeto inanimado, como se de alguma forma fossem adquirir a capacidade de reagrupar suas partículas de modo que trouxesse de volta à sua vista aquela que a deixara. Começava a repassar quantas vezes tal cena acontecera ou voltaria a acontecer. Passara pela situação vezes o suficiente para saber que, por mais ou menos iminente que a ideia da volta parecesse, não seria nem uma centelha mais reconfortante. O ar sumira.

Eu não quero continuar. Não quero encontrar em músicas resquícios do que eu fui e do que eu me tornara sem qualquer controle. Não quero ser moldada, não quero que tente me desenhar e nem que me guie. Quero que me ilumine pois não quero que deixe de emanar um brilho que é teu, por natural. Pois, essencialmente, tenho a necessidade de que siga meticulosamente cada partícula tua de modo a honrar o que tem por original. E ainda assim, quero que seja recíproco, preciso achar onde se escondera o que há em mim para que possa nomear ou promover alguma ordem. O caos é inteiramente sufocante, sinto-me soterrada, em meio a uma escuridão que não me dista o suficiente do céu e do oceano igualmente profundos e infindáveis. E nessa vastidão não há o que me acolha.

Pedi que parasse. Ajoelhei e então fiz uma prece. No momento, soava mais como uma apelação, alguém desesperadamente aos prantos, a implorar por misericórdia. O silêncio se exteriorizava, no entanto. Ela queria que a sua garota soubesse que não aguentava saber certas coisas, pois algumas das coisas que falava, na verdade, machucavam. E não era nem próximo de ser pouco.

Desolação. Ela sucumbira.

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