Bad (as) person – II

Ela sequer esperava, não havia comentado, demonstrado, sequer se mexera nos minutos que antecederam a avalanche aparentemente interminável. Sentada em sua mesa de sempre, os outros que a rodeavam começaram a comentar e apontar em sua direção:

– Você está morta. Por que não a enterram? 

– Você é gelada, está sempre tão fria que não sei como não congela.

– Você é uma pessoa oca.

– Conhece sentimentos?

– Você nem está mais aqui.

– Você nunca sente nada. 

– Não tem emoção nenhuma.

Ela sequer levantara a cabeça, espremeu a lapiseira entre seus dedos, fingiu escrever algo da matéria, notando que quebrara o grafite – era o último. Fingiu nada ter acontecido – ambos os acontecimentos, sem parar.

 

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