Você por inteira.

“O que é eu por inteira?”
Foi algo assim que me veio a mente, como se você perguntasse. Não é novidade que minhas palavras sobre você acabam ficando um tanto incompreendidas, então perdoe-me por não conseguir ser clara num assunto que não domino, que não tenho feito pesquisa de campo e nem colhido o material necessário, porém pretendo: o interesse com a paixão eu já tenho.
Sinceramente, parecia-me óbvio o que eu pretendia ao dizer que a queria por inteira. Inteiro é integral, é a soma, o acúmulo, a não exceção, a abrangência máxima, uma plenitude, o mais amplo alcance, uma porção completa de um todo e afins. Contudo, se aplicarmos o termo para uma pessoa, ainda mais com essa sinestesia inteira… A dúvida mostra-se até mesmo preventiva. Não obstante, tais sinônimos continuam a ilustrar, mesmo que minimamente, o meu desejo por ti.
Veja bem, eu não te quero por partes, não quero parcelado ou pré-datado, quero você num todo e ao vivo, às minhas vistas.
Faço questão de contornar cada linha de sua digital, vasculhar seu âmago e sair de lá com umas migalhas até mesmo fétidas, munidas do passado – pois eu poderia embasar o sentimento de conhecê-la há tanto tempo conhecendo você, cada parte sua eu desbravaria com o maior dos anseios. Até meso em questão de tato eu te deixo me dar algumas aulas.
Eu quero decorar cada curva sua, suas nuances, textura e aroma. Quero o seu sabor, quero entrar no cerne de seus ossos e me inserir nas suas estruturas, quero me deixar carimbada em suas sinapses, quero ouvir cada encontro de vogal com consoante que vier a dizer, quero ler do seu primeiro parágrafo ao último. Quero sentir você em meus lábios, acendê-la com o meu fogo e tragar com avidez, como um viciado no conteúdo de seu filtro. Quero contar suas pintas, cicatrizes, marcas e traços. Quero me enxergar no contrair e dilatar de suas pupilas. Quero sentir um ponto meu no seu falar, quero ver que o seu palavreado já puxa um ou dois tons do meu. Quero te dar a segurança de se deixar levar, quero te conduzir numa dança à dois e deixo o ritmo ao seu bel prazer, quero saber de suas comidas preferidas e até mesmo fazer a sopa que mais lhe aprouver. Quero vir e te dar de bandeja o que eu de melhor tiver, mas deixar um guardanapo em seu colo, caso acabe vindo uma porção desagradável que não pediu, mas que estava nos ingredientes de meu prato. Quero que não se acanhe, não hesite, não fuja e nem tema, que adormeça sem preocupações, que se livre das abusões, que veja na fragilidade uma oportunidade de experienciação do que nunca foi tão bom em sua concepção. Quero que permaneça para a janta, café da manhã e almoço. Eu posso ser a sua cerveja no verão ou um prato de sopa no inverno. Mas o que eu também posso ser é sua por inteira, retribuindo o seu gesto.

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