Correspondência.

“Be brave and want me back”, parte minha ainda recebe os ecos dessas palavras presas em algum lugar abaixo da minha pele. Outra parte, cisma em não deixar isso vir a tona, é uma parte menos sã e mais benfeitora, mas que não me respeita, apenas eu que a respeito. 

Respeito está em não lotar sua caixa de entrada, não te enviar cartas, deixar de lado as mensagens com recados pendurados, em rede social ou na porta da geladeira. Faço de conta que apaguei seu número da minha agenda, que não quero ter contato com teus queridos pais, e que pouco de ti eu ainda levo (pouco, tão pouco que não se compara com os quilos de bagagem sua nas minhas costas, guardei um olhar aqui, um toque ávido ali, um cheiro que deve estar intrínseco ao meu, um beijo que meus lábios ressecam se não o rega com mais doses, e um abraço que meus braços se fazem de difícil na hora de afrouxarem em seu corpo – imagina que tenho decorado os seus traços). 

O meu pensamento tem olhos verdes, corpo curvilíneo e cabelos escuros. A minha insônia, tem sua voz de trilha sonora. Os meus dias tem flashes soltos da sua presença de outrora e por aí vai. Mas nada disso eu faço querendo algo em troca ou esperando um reflexo seu. A minha parte é independente da sua. O seu bem estar não vem arraigado ao meu, mas a recíproca é mentirosa. 

O engano é achar que vou te encher de críticas, ser mesquinha ou hipócrita. Mas não seja demasiado ingênua caso cogitar eu não querer que me queiras ainda mais do que te quero. Quero, sim, mas quero o que de melhor tiver de te acontecer, e embora possamos ter uma melhora, como eu garantiria ser o teu melhor? Se eu arrisco e você petisca, por que é que não se arrisca e deixa o meu estômago forrado de borboletas sem ter de haver uma luta contra?

Faço a curva da expectativa em alta velocidade, passo pelas decepções que invadem a pista na contramão, mas o encanto não se acidenta. Por mais que você colida com o que eu crio de ti, você apenas acrescenta o que eu não quero ficar livre. Você me atropela pilotando o meu organismo inteiro, e esse magnetismo é inumano, mas eu já me habituei.

Não te faço pedidos e nem cobranças. A minha saudade vai desde a minha mão nos seus cabelos até ela entre suas pernas, mas o que não me larga é a constante estima de que esteja bem, e quem sabe uma amizade com benefícios?

Que você não é apaixonada por mim eu sei, mas nenhuma de nós acredita nisso como verdade. E você continua buscando por algo que vá ao teu encontro, mas parece gostar de ouvir a campainha tocar sem me abrir a porta. As minhas mãos estão cheias de sua correspondência, fizeste a encomenda e eu estou entregue, mas você não quer corresponder, e insiste em dizer que não sou o que aparentei naquela imagem meramente ilustrativa de teus sonhos.

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