Você diz chega mas não chega.

Não sei se estou mais farta de mim ou de você. Me entrego sem ter a quem, caio sem ter onde, alucino que te vejo, sinto o seu cheiro como se estivesse no ar, exalando do seu corpo próximo ao meu, mas eu só estou em algum lugar a sós.

Fico sem ter com quem dizer as mesmas coisas, aquelas que me fazem parecer uma garotinha se apaixonando pela primeira vez, assinante de alguma revista para pré-adolescentes que mais beiram a infância do que questões sentimentais de fato abrangentes.

Não sei se enlouqueci, se estou prestes a enlouquecer ou se só não me desvencilhei dos seus tentáculos invisíveis que me deixam aprisionada a você.

Quanto tempo se passou desde que nos conhecemos? Quanto tempo desde que demos o último beijo que eu não sabia ter sido o último e queria que ainda fosse os primeiros de inúmeros outros? Te quero como se não fizesse mais do que algumas horas que nos relacionamos de maneira íntima e apaixonada. Não selamos contrato, não interligamos de maneira concreta nossos destinos, não nos prendemos e não mais nos vimos.

Careço de notícias. Como está e como esteve? Não me importa muito quem tem te acompanhado, mas o que eles têm te feito. Não se distancia de mim, eu quero te aninhar nos meus braços para afagar teus cabelos, em cada toque te trazer sossego mas com agito em seu peito. Como pode ter sido de maneira tão diferente pra mim do que foi para você? Enquanto eu sou indiferente para você, cada movimento seu me causa abalos tremendos.

Tremo, te chamo, choro e te grito. Te procuro e não acho, me conformo mas não me silencio.

Olha a carência de mãos dadas com o desejo certo, a incerteza na contramão de meus pensamentos que não se diferenciam de ti. Olho nos teus olhos e encontro dúvidas, apenas, mas há neles quem procuro.

Não sabe que teu sorriso me desmorona? Pode sorrir, mas deixa eu me encaixar de maneira preguiçosa em seu meio. Deixa eu desvestir suas frustrações e travesti-las de novas tentativas.

Não tem culpa de nada, é só quem você é. O que é em muito se parece com o que projetei de ti. A projeção diz que sou sua, e você é nada minha. Mas é meu calor, o nome que fica em meu organismo rotulando minhas hemácias, você corroeu minhas sinapses, alguma substância letárgica e sem dosagem me aflige com sua ausência. Faço prece para que eu te acrescente felicidade e adentre as suas curvas no amor.

O seu toque em mim está ao passo da utopia, se me encarrego de persistir em tê-lo, mais ele desfila num horizonte menos próximo. A sua inteligência me perturba numa admiração absurda, o seu senso de humor me cala como um fanático por obras raras encara alguma relíquia, faço dos teus lábios o vinho com o qual quero me embebedar. Toda a desordem mental parece se desfazer e se refazer com o que constrói em mim sem nem mesmo me dirigir algum gesto.

Eu te amo, amo, amo e amo: é o que grito ao te abraçar e sinto, cedo demais, seus braços caírem e me deixar inconveniente conforme te aperto, mas não quero me mover. Eu te amo! Mas você faz que não sente, e de fato o amor não está ali para você. Levanto a bandeira da amizade, mas algum juiz veta rebatendo que não deve haver mentiras em sentimento. Eu paro num silêncio barulhento e revido que o farei sem impedimentos, só não posso deixar que me deixe.

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