Sozinha, sozinha, sozinha.

Não.

Minha mente turbulenta, barulhenta, movimentada, pesada, gritante, nauseante, incompreensível e irreprimível.

Há vozes nela, fora dela, vozes em mim, vozes comigo, vozes que as vezes sei de onde são, as vezes não.

Se minha mente diz que há alguém no quarto sem que eu perceba, eu não sei dizer se há ou não – em quem acredito? Em mim? Nela? Não sei de nenhuma, não confio em nenhuma.

Tenho convivido com gente que não acredito que seja vivo. Tenho convivido com vivos que não me deixam querer ser um ser vivo. Tenho convivido com uma solidão mesmo se não estou só, com gritos sem o movimento dos lábios. Passo frio debaixo do sol mais caloroso, a água escaldante do chuveiro ainda arrepia meu corpo como se fosse congelante. O meu organismo, o meu corpo, eu – nada parece estar como deveria. (E como seria isso?)

Minha percepção equivocada adquiriu todos os traços da realidade, mas não sei qual é a realidade assim como vejo perceber estranhamente o meu redor – percebo o que não percebem, não percebo como percebem. Encaro alguém querendo saber se esse alguém está mesmo ali, não chego a conclusão nenhuma.

Confiança virou utopia.

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