Olhos, meus.

Em cada olhar, gritos castanhos de horror.

Deixa-me dizer dos olhos, esses assustadores de uma figa. Eles me pregam sustos, os medos chegam com o frio na espinha. Não vou dizer sobre o par de olhos esverdeados agora, ater-me-ei aos meus, pois sequer sei se são meus. São amedrontadores porque, quando os encaro no espelho, não vejo conforto algum. Reconhecimento nenhum. Não há familiaridade. Não há nada ali, nada substancial, nada acolhedor. Os olhos me fitam de volta, mas não sei o que são, não sei quem os possui, por que eles parecem destacados de minha face, do meu organismo inteiro – e o que está neles, com eles ou, quem sabe, dono deles, me passa a inquietante sensação de que me fará mal, de que me observa incessantemente, que vai me puxar para sei-lá-onde e que não há retorno. Recebo de mau grado o vazio magnético que há neles, parece haver algo prestes a avançar, algo tão imóvel que não me convence de sua existência, mas também penetrante numa imponência congelante. Os olhos são gritantes. Há um enigma sobre eles e o que há neles, parecem uma passagem, como uma porta entreaberta, mas nada convidativa – embora intrigante -, e então é como um atormentável pedido de ajuda vindo do fundo desse cômodo.

“Seus olhos sempre me assustaram, desde que nos conhecemos, eu tenho medo deles e nunca olho dentro deles ou diretamente para eles – nem mesmo em fotos.”

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