Não queria admitir.

Eu não queria admitir que por mais que eu tenha tentado eu ainda não estou nem perto de como gostaria.

Eu não queria admitir mas vou dizer que ainda não me sinto por aqui. Sim, ainda é como se eu não existisse, mas esse mal estar tem crescido e ao passo que me apavora, ele vem com uma calmaria que estanca o sangramento do desaparecimento. É como um torpor que se instala, chega feito névoa e minha visão fica turva, os olhos arregalados não piscam, não há foco nem movimentos, e eu fico em suspenso. Posso ver as coisas acontecendo, posso tocar, posso ouvir e cheirar, mas é como se acontecesse com alguém ao meu lado, eu não estou ali.

Seria assustador se eu me encontrasse em mim o bastante para recorrer ao meu íntimo e clamasse por alguma reação, algo vívido. Mas não consigo.

Eu não queria admitir que por mais que eu reze todas as noites, os impulsos são cada vez mais intensos mas também efêmeros, até que eu me levante para executar o que veio a minha mente, já fui assaltada por outro pensamento.

Não queria admitir que me sinto cada vez mais desconexa, desfalecendo e me esvaindo.

As coisas estão em câmera lenta, a voz baixa e falhada.

Quando falo com alguém, é como se fosse uma despedida.

Observo como se estivesse prestes a piscar e meus olhos não fossem mais abrir.

As vezes consigo me perguntar: “O que está havendo comigo?”, a questão se perde como o resto e sigo.

Eu com certeza sou uma decepção para cada um que tenha me conhecido e sinto muito por isso.

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