Foi um vicio. E vicios fazem isso.

Deixa eu contar um pouco do muito.

As vezes eu me pego reservando passagens para Araguaina, lá do outro lado do país, pra onde você foi e abriu mão de me buscar e deixou de me esperar também.

Eu nunca mais coloquei Shakira para tocar, por mais que eu goste, mas quando ela toca independente da minha escolha, eu fecho os olhos e canto alto, assim as lágrimas não fazem alarde. Madonna também, eu não sei se teria aprendido a história dela de outra maneira, e ouvido as músicas que ninguém mais ouve mas que você as carregava e ouvíamos.

Tem umas gírias do vocabulário que é só seu que ainda impregna o meu, digo um “por certo” e a saudade grita em silêncio lembrando de como dizia a cada poucas palavras.

Não coloquei mais os sapatinhos que deu de presente para o meu cachorrinho personificado, seria demais, nem voltei a rever as fotos do meu aniversário – o único em muitos anos mesmo que permiti comemoração e estavam todos de que mais gosto. Você está em cada uma delas.

Não ousei voltar a nenhum dos nossos bares e restaurantes, nem ao meu amado rodízio japonês. Certa vez tive de descer na sua estação, caí de joelhos, engoli o choro e tentei correr, surpresa pela reação, as lágrimas caíam, lábios trêmulos e o vento cortante, e desviei meu pensamento 545878643543 em vão, voltando para casa e sem querer me enfrentar por aquilo.

Ainda tenho sonhos contigo e acordo com o nó na garganta tão atado que não passa nem saliva, mas acordo depois de ter tentado morar ali com você junto de mim enquanto durmo. As vezes, chego a ouvir seu “bom dia” no meu ouvido, coloco então meus joelhos na altura dos seios, virando uma bola, e tento não pensar em como parece que vou partir.

Não aceitei mais vestir as roupas que colocava para te ver quando buscava seus elogios, já que eram suas preferidas, como a saia cintura alta rodada preta, regata branca e meu oxford preto e branco com meu batom vermelho.

Não comi mais também o hambúrguer da minha mãe, aquele que você era viciada.

Não consigo ouvir La Roux sem ter o seu clipe cantando e dançando na minha frente, daí eu não aguento.

Até cortei meu cabelo num protesto de não deixá-lo mais enorme como você queria. Voltei a me despreocupar com o meu peso sem as suas exigências de que eu me mantivesse magrela.

Repeti inúmeras vezes para mim que eu não voltaria e nem queria, e me convenço de que foi melhor ter ido de vez. Faz meses, quase metade do ano, mas se eu abraço alguém, aperto o cabelo como você gostava de receber o cafuné, ainda é o seu cheiro que sinto, ainda é dos seus olhos fitando e engolindo os meus que vejo, é aquele seu sorriso safado que fazia e me mirava como se eu fosse alguma salvação que me persegue quando tento lembrar do coração aquecido, de estímulos que fazia o ar entrar e sair dos meus pulmões.

Eu me lembro de tudo. E, confesso, as vezes de um jeito doentio.

Agora eu quero começar a pensar contra. E eu espero que não seja autodestruição.

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