Sobre ela que não conheci.

Nos esbarramos por acidente, o cabelo em chamas tinha me chamado atenção, ao vê-la quase dobrar o salto e cair, em silêncio pedi que ela não bebesse mais e conseguisse se recuperar. Logo ela se distanciou e observei a silhueta maravilhosa se esconder em outros corpos. Achei que não mais nos veríamos.
Mais tarde na mesma noite um amigo comentou como ela era mesmo linda enquanto a fotografavam, gostei do meu coração reconhecer a sensação de estar na presença dela outra vez, por insistência alheia tiramos uma fotografia juntas e começamos a conversar. Ela estava bêbada sim, mas a voz ainda melódica, as palavras compostas, coerentes com um papo que dava para saborear, o riso delicioso deixava água na boca, até que nos beijamos e não mais paramos.
Não pude rejeitar o convite de ir à sua casa, não quando me convidava com beijos, mordidas, apertadas e eu encharcada de tesão. Fui aonde nunca havia ido, feito o que não cogitava, recebido mais e menos do que esperava depois.
As músicas dela escuto até hoje. As vezes lembro do seu riso, lembro das rolhas de vinho, centenas, como decoração, e ter imaginado se um dia seria eu ali naquela varanda tomando vinho com ela e nossos corpos nus.
Lembro de como se arrumava, vestindo uma roupa que caia melhor que a outra com seu corpo indefectível, peças que (se eu tivesse dinheiro) com certeza estariam no meu guarda-roupa.
Lembro que o desejo crescia inversamente proporcional a uma vela acesa, quanto mais queimava e seu tamanho diminuía, o desejo seguia ascendente se mantendo aceso mesmo quando só restava cera derretida e vestígios do pavio.
Achei que sequer nos falaríamos mais, mesmo com suas promessas do contrário. Fui surpreendida com o contato ainda no mesmo dia, com a conversa ininterrupta abrangendo fotos minutos antes de dormir, o dia a dia contado, partilhado, a poesia que me escreveu, como me envolvia e demonstrou que ficaria.
E não ficou.
Até que nunca mais sequer nos falamos.
Foi encantadora a medida que efêmera. Se fez presente na memória, mas com sua ausência, assim como ausentes quem de fato é, hoje é mistério.
Mistério sem resolução como uma pendência. A atração fica inevitável.
Fica a dúvida do desconhecido que parou dentro de mim, assim.

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