Princesa.

Minha princesa camaleoa, minha princesa minúscula mais imensa que esse universo conheceu. Ah, princesa, eu não sei por quanto tempo ainda estarei aqui, e espero que não tenha de deixá-la como já fiz há alguns anos, eu estou lutando para me manter, mas as coisas estão de um jeito que eu já não consigo sequer dizer sobre. Procurei ajuda até mesmo na nossa religião, com o nosso pai espiritual, procurei em livros, terapeutas e remédios, procurei em mim e até em você, mas agora é como se já não houvesse mais solução e nem para onde ir. Enfim, princesa, espero que não me odeie quando algo acontecer, espero que jamais me odeie e se embraveça comigo, eu não saberia lidar com isso, você de longe foi o de melhor para mim em todos esses anos e é por isso que estou aqui hoje.

Princesa, não espero que consiga, mas torço que possa me perdoar por cada decepção que já te causei e pela que está por vir também, por toda e qualquer coisa que eu tenha te aborrecido.

Princesa, o que eu consegui viver foi com o que me ensinou, e serei eternamente grata a você mais do que possa imaginar.

Princesa, não há como descrever o quanto eu gostaria de te ajudar, amparar, apoiar, cuidar, estimular e mais o que quer que precise, mas você sempre deu conta do recado tão bem, sempre do seu jeito, sempre sábia, sempre determinada, bem fada e cheia de graça com encanto. Aliás, nossa amizade foi o mais próximo da magia que essa Terra viu.

Princesa, obrigada por me mostrar o que é de fato o amor, por eu ter esse amor incondicional por você e te amar até sem nem me encontrar em mim e me emocionar com a sua lembrança.

Princesa, eu espero que o seu indiozinho esteja com você como e durante o tempo que quiser que ele esteja.

Princesa, quando desfilar pelo tapete vermelho, tenha a certeza de que vou estar te assistindo de onde quer que eu esteja.

Princesa, tira da cabeça a ideia de que precisa de alguma cura, alguma mudança ou que há algo de errado contigo. Você é a criatura mais especial que existe, fascinante e sensacional, não há nada em você que precise de reparos ou alguma salvação terrena ou divina!

Princesa, obrigada por ser tão você. Lembra de que o melhor está para te acontecer a cada dia.

Princesa, eu sinto muito, mas já não consigo escrever.

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Não queria admitir.

Eu não queria admitir que por mais que eu tenha tentado eu ainda não estou nem perto de como gostaria.

Eu não queria admitir mas vou dizer que ainda não me sinto por aqui. Sim, ainda é como se eu não existisse, mas esse mal estar tem crescido e ao passo que me apavora, ele vem com uma calmaria que estanca o sangramento do desaparecimento. É como um torpor que se instala, chega feito névoa e minha visão fica turva, os olhos arregalados não piscam, não há foco nem movimentos, e eu fico em suspenso. Posso ver as coisas acontecendo, posso tocar, posso ouvir e cheirar, mas é como se acontecesse com alguém ao meu lado, eu não estou ali.

Seria assustador se eu me encontrasse em mim o bastante para recorrer ao meu íntimo e clamasse por alguma reação, algo vívido. Mas não consigo.

Eu não queria admitir que por mais que eu reze todas as noites, os impulsos são cada vez mais intensos mas também efêmeros, até que eu me levante para executar o que veio a minha mente, já fui assaltada por outro pensamento.

Não queria admitir que me sinto cada vez mais desconexa, desfalecendo e me esvaindo.

As coisas estão em câmera lenta, a voz baixa e falhada.

Quando falo com alguém, é como se fosse uma despedida.

Observo como se estivesse prestes a piscar e meus olhos não fossem mais abrir.

As vezes consigo me perguntar: “O que está havendo comigo?”, a questão se perde como o resto e sigo.

Eu com certeza sou uma decepção para cada um que tenha me conhecido e sinto muito por isso.

Eu aprendi a te amar sem ser amável.

Eu aprendi a te amar sozinha, digo, a sós.

Assim, eu aprendi a te amar sem se relacionar em nada comigo.

Eu aprendi a te amar sem que sequer me tocasse, sem que comigo falasse, sem que aqui estivesse.

Eu aprendi a te amar por pura e simplesmente ser você.

Te amei no seu canto, com você reclusa, hesitante, rabugenta, reclamando, me evitando, me subordinando, me colocando para passear, me xingando e repreendendo.

Aprendi a te amar sem que você fosse amável.

Aprendi a amar cada parte sua sem nada mais ligado a isso, só pelo fato de ser seu e, por isso, eu querer.

Aprendi a te amar mesmo quando me deixava, me machucava e até humilhava.

Aprendi a te amar porque eu me colocava no seu lugar, e tentava enxergar pelos seus olhos e sentir como se fosse eu no seu organismo, como se estivesse em você a mesma toxina que hoje maltrata meu próprio corpo.

Aprendi a te amar sem que você desse motivo, fundamento, explicação, estrutura.

Aprendi a te amar por capricho, talvez, mas eu não me vi fazer essa escolha, eu não vi ensinamento algum, não houve sabedoria.

Eu aprendi a te amar de bobeira, como se fosse alguma besteira.

Mas te amei sozinha.

Eu amei quem você era, e quis que me amasse sim, mas o meu amor por você e a vontade de ser correspondido eram duas paralelas, por mais que andem lado a lado, elas não se encontram, sem nunca, jamais, uma influenciar na outra.

Então eu aprendi a te amar sem nunca me sentir amada.
E te amei a sós.

Te amei por ser quem era. Amei as botas, as camisas com os blazers, amei o cabelo que parecia escultura, amei a boca com os dentes pequenos, amei os olhos que ainda agora me descompassam, me aceleram o batimento e me deu esse frio na barriga com um vislumbre na memória deles, amei a voz que nunca outra fora tão sedutora, amei o sotaque único, amei a autoridade, as imposições, a determinação, amei a autosuficiência, amei o talento de persuasão, amei o charme que parecia algo cinematográfico de outra década, amei até o sobrinho capa de revista, amei o toque que se revelava ávido quando eu nem desconfiava do interesse, amei cada gemido que transbordava prazer com intensidade, amei as noites que simplesmente não dormíamos e nos entregávamos uma a outra como fogo e pólvora que se consumiam, amei o encaixe, amei as comidas, amei os planos, amei a foto da nossa casa em construção, amei segurar sua mão diante da família inteira, amei te dar o primeiro pedaço do bolo, amei achar que era cuidada, que me ensinava e que, embora minimamente, se importava se eu aparecesse morta ou quase. Amei seus ímpetos, sua rispidez, sua astúcia, seu domínio, sua manipulação, seus maus tratos, te amei em cada ato, cada átomo seu, em cada átimo de tempo. Amei seu mau humor, amei seu cansaço, seu desinteresse, sua ousadia, seu descuido, sua revolta, sua libertinagem, sua bebida excessiva. Amei você por ser você como quer que você fosse enquanto ainda continuava tão você.

Aprendi a te amar sem ter quisto, sem ter me dado conta, como se eu sempre soubesse que não era aprendizado, só aconteceu.

Aprendi a amar sua natureza, você que nunca foi crua, e  sendo natural que te amasse, te amei sem que fosse amável, mas nada em você me convenceu um dia do contrário.

E agora, de fato sozinha, não aprendo a não te amar.

Afinal, o que mudou? Nós iríamos nos casar, pois EU te amava, mas não por ser verdade ou não quando dizia que me amava.

Eu aprendi a te amar sozinha e sigo sozinha.

Como não amar, daí? Eu não vejo saída. Eu ainda sequer sei se seus defeitos são, por certo, defeitos se tenho amor por eles. Eu devia ter achado algum empecilho, talvez. Talvez eu não devia ter estado sozinha por tempo demais. A solidão seria tratada como visita ao invés dessa residente.

Eu senti amor por você, mas não de você.

(E, por eu amar você e não por você me amar ou não, disse “sim” quando perguntou se eu me casaria com você, e casaria. Até que você simplesmente desistiu, não quis, se foi e não voltou.)

Devaneio.

Passaram alguns minutos das seis da manhã, você está dormindo e eu queria ser o travesseiro que está abraçada. Não diferente de você, eu não sei bem o que está acontecendo; só sei do que digo, faço e sinto. Acabo que sinto sem hesitar, sem me poupar e não me privo. (17/02/2014)

Quimera soubesse que eu não deveria ter adentrado sonho nenhum com você de protagonista, o pesadelo que embarquei devia ter vindo com um presságio de que a lucidez não poderia ter ido. Não hesitei, não me poupei e não me privei, mas valeu a pena?

Eu não sei. A cabeça ainda dói pelo mergulho no cimento.

Como?

É que, na verdade, eu sequer quero falar sobre você.

Sinto a minha falta.

Sinto mais falta ainda de saber, ou me lembrar, de quem eu era antes de você.

E eu não sei me perdoar por isso.

Anda garota, desbloqueia.

Não demorou que eu notasse que havia parado de escrever como de costume para me recompor, esvaziar, apenas dizer, tentar me expressar e, ao ler, me reconhecer; foram meses que o que eu escrevia se direcionou a uma única pessoa, e não havia limite de palavras e nem horários marcados, podia ser enquanto te olhava comigo de olhos fechados aqui e a pessoa em outro estado mesmo, ou distante, ou onde quer que ela estivesse e esteja agora.

Aconteceu que não foram apenas os meus escritos que ganharam um único destinatário, consumida pelo sentimento de que para ir além de mim, era ir até ela.

Bobeira.

Agora eu tento empurrar essa barreira que se instalou tão destrutivamente aqui que tapa meus olhos e manda estímulos que me forçam a acreditar que ainda não há nada além daquilo para não somente ser escrito, mas para ser vivido, talvez nem eu mesma acredite nisso, não obstante a crença não impera no que o corpo abraça por si só.

Queria mandar embora as respostas que guardei desde que decretou sua desistência, seu deixar de querer mais estúpido na atroz covardia e mau caratismo, as madrugadas que passei no turbilhão inóspito de palavras que se atropelavam e me deixavam sem qualquer possibilidade de defesa, achando que se eu as cuspisse fora, você poderia saber e mesmo que não voltasse, quem sabe eu deixasse de me arrastar com seus grilhões.

Posso estar sufocando sim com as palavras que não foram ditas – ou repetidas oportunamente -, mas não é como se paredes fossem emitir algum som além do eco de um choro abafado num corpo em frangalhos.

Eu havia me jurado que você seria a última vez que eu faria cada uma das coisas que fizemos, e agora é como estar numa camisa de força no hospício do corpo-cadeia que habito. Não que eu não aceite o que me fez, eu não tolero o que eu deixei com que você me fizesse.

Agora, nem mais palavra tenho. E essa mordaça que me colocou com sua ida é pior do que qualquer mínima distância que seus lábios podiam estar dos meus sem que se encontrassem.

Continua.

Fica nisso de ser tão superficial e passageiro que me quebra não só ao meio. Entram nessa de me dizer onde e com quem ir e eu continuo a sós aqui ou ali.

Pontuo poucas pessoas, as minhas preciosidades, como o meu referencial para continuar e me aprimorar, acontece que eu não sinto firmeza nem para fazer menção a algo, dou meu apoio mas sequer há refúgio. É como estar num mundo, planeta, universo, alheio, é como se nada daqui me convencesse, seus componentes estranhos a mim, não por eu ser superior ou o que quer que seja, simplesmente não há encaixe. Acontece que por mais que me desagrade admitir, eu me incomodo a ponto de não me suportar, procuro sim, de fato, observar os outros, trocar de lugares e pontos de vista, mas o que vejo é um reflexo do que eu jamais seria.

Queria entender a falsidade, mas não consigo me aproximar a nada dela.

É como se não houvesse sentimentos além dos que eu mesma sinto. Como se cada amizade que tenho ou já tive fosse apenas na minha cabeça.

É estar sozinha numa verdade num mundo de mentirinha.

Sobre amor e pedalinhos.

Nuvem cheia da minha chuva.

Tu descreves o amor como se
tivesse alguma ideia (sequer)
do que seria tal sentimento.

Te emaranhas nessa banho-Maria-sem-açúcar
e me esqueces, como se eu não tivesse sido
nada e acaba sendo o inferno que me persegue
à nado no mar de traços que desenhei para nós.

E nas andanças dessa minha busca eterna de
motivos que te façam ficar grudado-tatuado-costurado
em mim, tropeço
perdida em todas as constelações que imaginei
explorarmos com nossas bocas e corpos entrelaçados.

Laços desfeitos quando te vi naquele pedalinho
que era meu! era tão meu e tão pouco de outra
que me ofendi em vê-la sentada em meu lugar, meu,
tão meu, exclusiva e unicamente meu.

Realmente, o amor é a vontade de entrar no pedalinho
e não deixar com que tu
pedale para longe de mim com
aquela que não sabe nem um pouco o que é ter um
sorriso teu,
de tão…

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Ainda você.

Eu ainda escolheria você.

Depois dos bloqueios, exclusões e fugas que me diligenciou, eu ainda escolheria você. Depois de ter sido a empregada, o banco, a secretária, a terapeuta imprestável, a planta, o brinquedo, eu ainda voltaria para você. Depois de ter sido a pirralha mimada, a egoísta que pintou na minha cara, eu ainda tentaria ser a melhor para você. Depois de terem te xingado, mostrado por a-mais-b que não é as N coisas que pensei, mas um outro idioma com alfabeto num mundo aparte, errôneo e fora do que te localizava, eu ainda defendo e defenderia você. Depois de nem um ou dois, mas cinco meses que sequer te vejo como agora ou mais, eu ainda espero e esperaria você. Depois das atitudes controversas, das humilhações e desrespeito, eu ainda apoiaria você. Depois das chantagens, manipulações e piadas sem graça, eu ainda ouviria você. Depois dos maus tratos, eu ainda cuidaria de você. Depois do seu esquecimento com superação, eu ainda só penso em você.

Mas você não é mais você.

E agora eu já não tenho escolha.

Não existe mais você, e eu só nasci para você.

E agora, sem você?

Talvez você nunca tenha sido você.

E eu, que tanto amo você?

Não mais, não você.

The inability to differentiate between dreams and reality…

Vitti

nem temer, nem esperar: a poesia acontece agora.

o nome é: "segunda-feira"

(todas as) ruivas são para isso: foder você

TOCA DOS DEVANEIOS

Essa é a minha toca. Onde eu posso me perder, me achar e me esconder. Ser e nunca me esquecer.

O Equilibrista.

Busco o equilíbrio de tudo. Principalmente o meu.

desperte seu sono

there was something charming in these voices of the night.

limerência

sobre amor que a gente inventa

o romance está em apuros.

cabe a mim encontrar seu paradeiro.