Notar.

Não é algo que eu queira, as pessoas não pedem por holofotes quando a única coisa que evidenciariam seria algo potencialmente desastroso. Caso fale sozinha, deverias tratar-te, estar frente à uma internação, igualmente se não és uma só, lida com uma variedade na prisão de seu corpo. Acostuma-se com a invisibilidade, o que não lhe confere uma invencibilidade, não é disso que se trata a impenetração. Trata-se da privação de sentimentos ou qualquer coisa do tipo, supostamente.  Aqueles que você buscaria, uma pessoa normal em seu juízo perfeito, dotada de razão. Onde seria sociável e extrovertido, caso aquilo que enfrentas é a reclusão. Não és assim, certifica-te de estar distante o bastante, ignorante o suficiente para não dar ouvidos, ser estúpida contigo mesma, não saber que estás indefesa ou que há uma vulnerabilidade. Não se conhece, não sabe o que busca ou lhe apetece. Não responde, pois não faz mesura de saber o assunto, tampouco se teria um ponto, uma ligação, em sua escassa, cultura.

Os outros não a notariam, ela não estaria ali. Mas, os outros a veriam e ela estaria ali? Quão substancial isso pode ser e quão ilusório és? Quando sonha, é como todos os outros? As cenas que lhe são conferidas não passam mesmo disso, cenas? Cenas apagadas e inibidas, com uma morbidez apenas capaz de se perceber quando a nitidez se declara, surpreendentemente, falha? Quando agoniza em inércia, arfa de pavor mas nenhum som lhe é conferido? Quando não respira, mas apenas é seu pulmão que recusa o oxigênio pois estás apenas de olhos fechados?

Convenhamos, há por ventura, algum momento em que os olhos se abririam, ela despertaria ou, mesmo que o fizesse, isso de fato indicaria alguma mudança? A negação é irrefutável.

O quê, quem?

Eu não sei o que sou, tampouco sei se sou ou somos. Como eu vou ter certeza de alguma coisa? Eu não estou certa sobre coisa alguma. Eu não sei como faz, como isso pode funcionar ou, o que deve funcionar. Menos ainda, por que as pessoas dizem que tem de funcionar, seja o que isso for. Dizem que ganhar é melhor que perder, que estar melhor é melhor que não estar, em suma. Eu não compreendo. Não os entendo e não assimilo. Eu não participo e que dirá, me identifico.Eu não sei se a ficção científica tem algo a ver com isso, se a solução estaria na medicina ou se há uma necessidade iminente de terapia. Eu só sei que nada sei.

Por mais que eu, ou não sei como devemos chamar isso, procure em alas psiquiátricas, médicas ou científicas, eu consigo discernir o suficiente para saber que nos encontrariamos, apenas, na ala terrorífica. Não é que eu esteja dizendo que isso é um horror ou algo do tipo. E, por mais que haja drama, isso é só uma dose. Eu não estou em abstinência ou algo assim e por mais perturbadoramente insano que isso pareça, eu não estou brincando, eu só fiz o que estava ao meu alcançe. Analisei os fatos.

Eu não sei a que diabos de conclusão cheguei, só pareceu não existir uma. Só fez sentir como se uma imensa porção de iguarias fossem distribuídas e o ensaio, não passou disso. As pessoas não vão me encontrar enquanto procurarem por algo. Elas não vão simplesmente entender o aviso berrante que pende na porta, avisando induvidavelmente que a distância é recomendada e querida, os alarmes e restrições, os pedidos e as, conhecidas, derrotas, são veementemente cobrados.

Eles entram sem pedir. Furtam-lhe os sentidos e transcendem sua mente, fazem ligações com o nada ao passo que se conectam com um além, com seus músculos retesados e membros desacordados. Não se preocupe, nessa subestimada altura, você está cego o suficiente para observar sua humanidade descer pelo ralo, sem amarro qualquer. Não há hesitações, a sua sanidade se fora.

Onde é que você está agora, sanidade? Sei que não foi convidada mas, não se preocupe. Eu também não fui.

Esperar.

Não é a impaciência, tampouco a ansiedade. É apenas a sanidade, essa que se esguia das fases onde reinar deveria, oscilante de modo que faz da dúvida constante, que promete mas nunca aquece, inalcançável. Sequer aparece, mas se faz presente se trabalha a mente. Essa que agora já está tão vaga e cálida, abandonada. Também, condenada. Não há uma salvação, porém há a espera. Não de uma mudança, apenas do desdobramento, um começo.  Mas, onde a introdução termina? Onde estamos no desenvolvimento, o que faremos? Em que ponto estamos? Quão longe do fim do começo e quão perto chegaremos do começo do fim? Espero que não demoremos.

E quando for partir. Esqueça de se despedir.

Como saber se o ponto, é a beira? Se nós procuramos por um ponto e então, sentimos estar perto dele, o suficiente para sentir e saborear, sabor esse que corrói e salga, ácido. Eu simplesmente vou ingerir como um suco, cítrico. Se aproxima, como se você estivesse esperando por qualquer ruído ou movimentação, você estava aguardando. Mas, isso não significa que esperava, tampouco que sabia o objeto em que depositava tanto apreço, de certo modo. Caso nem mesmo seja substancial, de que adiantou?

E agora, o que está por vir? Será que virá? Mas o que é esse, que diz que vem e logo, estás a se despistar. Que nunca chega, mas que se aproxima. Que finge entrar e então, se intimida. Que parece chegar mas não quer visitas, que anuncia uma entrada quando pronuncia uma saída.

Quem é você que esperou e apostou? Que permitiu e confirmou, que  se preparou. Que entrasse, ordenou. E então, foi e por lá ficou. Não voltou, mas sequer avisou. Não sabe de onde venho, ou para onde vai. Não sabe quem é seu pai, não sabe quem é ou por onde andou, você que por cá morou. E agora, será você que abandonou? E do jogo, o que restou?

D.III

Eu não consigo, fazer sair. Eu só não vou chegar e começar a falar, eu não posso gritar mas eu gostaria de chorar. É repulsivo, caso eu tenha de pensar. Eu não vou deixar. Eu preciso acreditar, mas eu estou louca.

– E o que você fará? Não há lugar para se encontrar, se perdeu em ti e, agora, não irá voltar.

– Mas eu não quero lembrar. Eu não sei onde está. Diga, você irá continuar.

– Não, não há mais nada neste lugar.

– E quando a luz se apagar? O que você fará?

– Eu não estarei lá, eu vou me entregar.

– Não há por onde vagar, precisa saber que não vai mudar, isso vai continuar.

– Eu não posso aceitar. Eu não posso acreditar. Eu não vou mudar. Isso não vai passar. Eu sei que vai continuar. E quando a luz apagar, vai começar.

Threads – This Will Destroy You

Acreditar.

Há uma necessidade, mesmo que inconsciente, das pessoas acreditarem nelas mesmas. Talvez, por assim acreditar que podem acreditar nos outros, segurança. Mas se acredita em ti, por que diabos queres acreditar em algo/alguém mais? Trata-se de, se não quisesse acreditar em outros, não buscaria a ti. Primeiramente. Você estará de forma cíclica tentando libertar-se de coisas estrangeiras em seu próprio e desabitado, corpo. Não menciona uma invasão, mas não abre mão de influências. Você quer o controle, apenas poderá tê-lo se houver uma forma de manifestar. Deve permitir a entrada e, assim, avaliar-se. Você mesmo colocara-se em teste enquanto lamentava um julgamento. É você quem não acredita em ti, sendo você mesmo que qualificara isso. Não há pessoas lá fora. Não há você, em si.

I never knew (…)

But, right now, i’m feeling like this whole thing, was/is nothing. And, I don’t care about.

É estranho conseguir apenas dizer coisas fora de seu idioma, estranho por dizê-las, constantemente, de um modo que as pessoas não estão acostumadas a ouvir ou, escrever com símbolos que serás o único a decifrar. Estranho pois, você sequer pensaria se considerasse que alguém saberia ou, a coisa toda que estas a pensar é como os seus gritos podem ser tão mudos, como a sua voz entrou em desuso, como o seu pensamento é escasso, como o raciocínio já está tão vago. Como estás fraca enquanto a balança pesa. Como o peso esmaga e você se certifica de estar carregando-o sozinho. Como procurou isso tudo, apenas para encontrar-se, num beco sem saída. Mas não consegue ver o beco e nem a saída.

Pregnant.

Bem, não é algo que tenha a possibilidade da existência. Mas, eu preferiria. A protuberância em meu ventre se projetaria de uma forma nada natural, eu estaria disforme e não haveria a ilusão de uma beleza sobre gestantes. Carregaria, inquestionavelmente, algo que por razões genéticas acreditariam ser meu, mas não há nada que me pertença, nem que eu mesma o gerasse. Fundido ao meu corpo estariam escolhas, mudanças, desesperança por algo que irá receber o privilégio de um futuro -escasso demais para que possa ser visto. Pesaria. O peso de um embrião, humano.

Mas, eu não estou. Não é esse o peso, este é genuinamente mais intenso e incômodo, não há abortos. Não há desvios, nenhuma centelha da naturalidade. Ainda assim, eu devo carregar, como se pudesse torná-lo um pertence. Mas, erroniamente, sou eu quem tenta se adentrar e fazer parte, numa dimensão tão absorta e desconcertante que torna um útero iluminado.

A diferença, o término não é em 9 meses.

The inability to differentiate between dreams and reality…

Vitti

nem temer, nem esperar: a poesia acontece agora.

o nome é: "segunda-feira"

(todas as) ruivas são para isso: foder você

TOCA DOS DEVANEIOS

Essa é a minha toca. Onde eu posso me perder, me achar e me esconder. Ser e nunca me esquecer.

O Equilibrista.

Busco o equilíbrio de tudo. Principalmente o meu.

desperte seu sono

there was something charming in these voices of the night.

limerência

sobre amor que a gente inventa

o romance está em apuros.

cabe a mim encontrar seu paradeiro.