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Só um pensamento solto e lembrança fixa.

Elas se conheceram de um jeito torto, mas torto que não foi errado – até porque talvez elas deem certo. Mas eu não quero falar de vocês – o que se tornara concreto, eu ainda vou falar de nós – que não existiu e está cada vez mais abstrato.

Eu vou dizer mais algumas centenas de vezes sobre os seus olhos esverdeados, são eles que prendem os meus com sua luz (a única capaz de iluminar o meu olhar), dos seus cabelos, suas curvas, seus ombros, seus peitos, seus passos de bailarina (ou pinguim!) e sua distância. Vou insistir em gritar aos quatro ventos, vários cantos ou sei lá, talvez eu arranje um megafone, mande um pombo correio, coloque a mensagem numa garrafa, talvez voltemos a nos falar ou eu só continue como tenho estado, num estado paralelo ao seu – e nós sabemos que paralelas não se encontram.

Os meses estão passando numa velocidade desconexa, mas o tempo é assim – passa quando você está desprevenido. A minha vertigem é mental. Ainda ontem eu chorei ao lembrar de ti, pensar em teu toque, pensei na tua voz, lembrar das nossas conversas empolgadas que variavam de história e política até os pornôs e nossos mamilos. Senti vontade de pegar o cobertor que vez ou outra sinto o teu cheiro, mas a nostalgia já estava me deixando contorcida e eu sabia que o cheiro já teria ido – assim como você se foi.

Eu tive a confirmação de que sequer lê minhas palavras e ainda assim eu te escrevo; quão grave?

É quase começo de ano outra vez, e eu não abandono a ideia de que passei o ano inteiro contigo em pensamento, apenas, mas que houveram aqueles meses de gloria que eu podia te segurar brincando que era minha.

Logo vai ser carnaval e vou pensar na nossa viagem, vou lembrar dos meus cigarros com você me assistindo e nós quase que nos beijávamos com olhares, você dizia ser sexy e eu me excitava com a ideia de te provocar algum desejo, quando eu já estava doente de vontade de ti.

Vou lembrar dos carinhos no sofá, com você no meu colo, minhas mãos sem se controlarem pelas suas pernas. Vou lembrar de como me deixou quente quando todos sabem da minha baixa temperatura constante.

Vou lembrar de estar te conhecendo, reconhecendo, te encontrando e eu me entregando. Vou lembrar de como eu olhava incessantemente, penetrantemente, intensamente, com incontáveis palavras e tanto a ser dito mas num silêncio incompreensível.

Vou lembrar do quanto eu queria ter te dito e ainda tenho, de como cada coisa em você me fascina de maneiras que eu enlouqueço se tentar ordenar. Eu definitivamente devo ter visto tudo o que há de mais belo em você.

Eu vou lembrar das nossas caminhadas de madrugada, das nossas transas sem hora, dormindo e acordando, das massagens, dos beijos intermináveis.

Vou lembrar das caretas, dos apertos de mão, das roupas, das despedidas e jogos com os amigos.

Vou lembrar de como eu pensei que jamais teria só a lembrança.

Vou lembrar de tentar culpar só a dopamina com a norepinefrina durante o sexo por eu ter me apaixonado loucamente no que era pra ter sido sexo casual numa amizade.

Vou lembrar do quanto te acho atraente, do tesão absurdo que me dá e de como me seduz mesmo intelectualmente.

Vou lembrar de quando me ligava doente e eu ficava prestes a largar trabalho e faculdade para te cuidar.

Vou lembrar das madrugadas que estávamos, não poucas vezes, distantes e você pegava no sono na webcam – eu morria de dó e de amores, queria te colocar no colo até a cama, te cobrir e te encher de beijos, queria tê-la perto.

Sempre quis sua aproximação, quis tê-la intrínseca a mim, queria nos ver amalgamadas, queria que fossemos o motivo dos nossos outros relacionamentos não terem dado certo, queria que se enxergasse pelos meus olhos, queria que vislumbrasse como é fabulosa pra mim, queria que me fizesse sua.

Talvez eu nem quisesse um relacionamento, como não quero agora, eu só quero e queria estar junto de ti.

Eu não faço ideia de como eu fui cair de amores assim, lembro que era lento, não era tanto, e então foi de repente, com força total.

Eu queria convivência, reciprocidade, veracidade e intensidade – mas o que eu queria mesmo era você, fosse como fosse, seria você, e você sendo você sempre vai bastar.

Estagnei.

Chega momentos da vida que você não sabe onde é que chega, onde esteve e o que tem feito. Parece uma estagnação medonha, coisa de louco mesmo – que faz jus ao uso de tratamentos de choque e camisas de força.

Já não sei sobre minha sanidade ou, melhor, a falta dela. Tenho um senso duvidável com o tato quase escasso. Não sei mais o quanto de culpa que me cabe, de subjetividade com ilusões quase holográficas. (Eu até converso contigo, crio imagens suas e te mantenho por perto quando estou a sós ou na companhia de qualquer outro que não responde por seu nome e pela saudade com seus traços mais formosos, seu riso frouxo e seus olhares mais belos.)
As vezes eu só queria te acarinhar, passar os dedos num afago que não chega a pesar mesmo com as toneladas de sentimento que transborda em cada toque. Pele com pele, nossas mentes dançando e de alguma forma eu estou em você, até acreditaria que as guerras terminariam e que há cura do câncer, daí.

E também as vezes parece que eu jamais vou me ver fora desse sentimento, que o que eu passo é uma forma de punição pelo que posso ter feito em outras vidas ou sei lá. A saudade chega a machucar fisicamente e eu já não sei lidar, nunca soube, mas suportar está difícil. Tenho dormido cada vez menos, quando pego no sono, parece que tenho sonhos conscientes pois te encontro neles todos (mas passo dias inteiros sem sequer levantar). Aqueles olhos claros esverdeados me perturbam da cabeça aos pés. Eu não sei mais o que faço. Já se passou tempo demais para ser algo passageiro, já senti mais do que paixonites permitem e já sofri mais do que poderia ser saudável. Tenho dificuldades tremendas em aceitar ou sequer considerar que, provavelmente, não ficaremos juntas e que, quem sabe, não fomos feitas uma para a outra e até mesmo, por que não?, não voltaremos a nem mesmo nos beijar ou nos vermos, já que deixamos de nos falar também. Falar e até escrever tais coisas me dão enjoo, náuseas, o estômago revira e eu fico sem conseguir dar poucos passos adiante que sejam. Respirar já foi mais fácil.

Não é eterno, posto que é chama, mas tem sido infinito enquanto dura. Mas será só chama?

Se for, que seja.

Se for para eu arriscar, que eu tenha o seu amparo. Se for para eu me aventurar, que seja em cada detalhe seu a ser mostrado. Se for para escancarar, que seja seus sorrisos não só em dias ensolarados. Se for para eu me mostrar, que não seja só o melhor lado. Se for para te apoiar, que também seja em algo delicado. Se for para conturbar, que eu te acalme sem atraso. Se for para eu estar contigo, que não seja perdida, mas envolvida em harmonia. Se for para eu me entregar, que não seja entrecortado. Se for para cuidar, que seja de bom grado. Se for para eu pedir, que não seja o seu afago. Se for para demonstrar, que me deixe encantado. Se for para compartilhar, que não tenha timidez mas que o faça sem insensatez. Se for criar, que não seja só o inusitado, mas livrai-nos de só amores inventados. Se for se gabar, que se encha da razão, mas não deixa de me estender a mão. Se for perpetuar, que não seja só na memória, que faça durar como o começo de nossa história. Se for para escolher, que possamos sempre não só nos ver. Se for para estar, que seja em seu abraço, se for para morar, que eu continue em seus braços. Se for para crescer, que seja acompanhado. Se for para agir, que não seja para te ferir. Se for para aproveitar, que eu esteja contigo sem (me) acabar. Se for desejar, que não seja de mim se distanciar. Se for hesitar, que não deixe de se permitir a nos experimentar. Se for tentar, que tenha a coragem não só de esperar. Se for melhorar, seja o meu par.

E se? E se nada.

E se eu chegar a ver suas fotos e não sentir essa bala que parece me atravessar o peito, se o ar não ficar ali contido, espremer as costelas e apertar o coração que parece se atrever a ir mais fundo onde se esconde e não mais o acho? E se eu parar de procurar por sua companhia quando não volta a fazê-la minha? E se eu realmente apagar os seus números que não quis decorar? E se nunca mais nos falarmos de fato? E se foi só ilusão e ficar por conta do acaso? E se agora que choro, com o rosto machucado, com sentimento trancado, eu deixe pra lá o que não me deixa? Eu só insisto em causa perdida. E se eu fosse mais bonita ou interessante? E se eu fosse quem você queria, você se renderia? E se eu deixasse de querer, você ligaria? E se eu não te procurasse mais, você notaria? E se eu continuar por outra dezena de meses com as mesmas lágrimas, você cederia? E se não fossem lágrimas, se eu te cobrisse de alegria, você deixaria? E se eu ousasse te alcançar, você se entregaria? E se eu te perseguisse para te mostrar como posso amar, você não aguentaria? E se eu quisesse experimentar como é nem mais em ti pensar, como eu faria? Eu não sei lidar comigo sem me ligar a você, eu fico aos soluços e sem jeito, fico sem fim e perdida nos meios, onde está quem esteve comigo no nosso começo? Porque se escreveu se não deu continuidade em mim? Porque se insinuou a sabe-se-lá-o-quê e não ficou para eu saber como poderia ser? Por que eu não sei lembrar de te esquecer? Porque eu me perco sem me achar, sem te ver, sem te encontrar e sem você se importar. Eu me tornei a absurda que escreve para um zé ninguém, mas que para mim tem olhos esverdeados que gritam em silêncio, que tem um corpo curvilíneo ocupando o espaço da cama que eu durmo sozinha, que tem cabelos longos e escuros que mais parecem um ímã ao meu afago. Eu não sei mais onde colocar tanta  dor, não me importo mais com a escrita perdida, a coesão fora esquecida, por que pensar em você ainda me traz as melhores lembranças mas é a memória mais difícil de se carregar sem que eu me entregue em lamúria recebendo só a carcaça do meu corpo em troca. Eu estou tão entregue sem ter onde que chega a parecer insanidade, impulsividade ou fantasia, a pira de ter caído numa mão única. Eu estou esperando por algo que não vai acontecer. Você tem outro alguém, você continuou a viver de forma que eu chego a duvidar se lembra do meu nome. É como se eu tivesse entrado numa outra dimensão, e então o mundo girou e me deixou aqui.

Não quero!

Eu não quero ver seus ombros pesarem demais e você hesitar quando eu pedir que reparta comigo a carga. Eu não quero que chegue ao final do dia e não venha a mim quando só quiser conversar, eu vou querer saber como ele foi. Eu não quero que você deixe de olhar o seu reflexo sem admirar o que vê por não se lembrar dos traços pelos quais tenho tanto apreço. Eu não quero que menospreze suas curvas que me causam tamanha atração. Eu não quero que seu trabalho pareça te enlouquecer e que você não encontre a minha calmaria. Eu não quero que você pense se desconhecer sem ter a mim para te presentear com a minha visão de ti. Eu não quero que se veja desamparada quando tem os meus cuidados onipresentes, caso queira. Eu não quero que se veja inapta a alguma escolha quando sei de seu potencial ilimitado. Eu não quero que encoste sua cabeça no travesseiro sem minha mão para te dar conforto. Eu não quero que sinta frio sem o calor do meu corpo. Eu não quero que te faltem sorrisos quando não há som melhor que o do seu riso. Eu não quero que fique sem um cafuné, quando meus dedos buscam por seus cabelos. Eu não quero que pense estar errada quando optar por alguma estrada menos asfaltada. Eu não quero que encontre outro prazer quando sou eu que quero estar ali para você se deliciar em júbilo e satisfação. Eu não quero que sinta medo quando ainda posso afugentar de ti o que eu mesma temo. Eu não quero que venha a se ferir, prefiro o meu próprio coração partir. Eu não quero suas roupas como decoração do chão de outro quarto, quando espero por você sem nenhum intervalo. Eu não quero que te pressionem, quando nós sabemos que quando preciso você faz por onde. Eu não quero que esteja sempre em alerta e sem descanso, quando eu até te daria horas do meu sono. Eu não quero que chegue a ser só mais um rosto, que aos gritos, no sufoco, na marra e no impulso eu aprenda a deixar você e volte a viver. Eu não quero que fique aos tropeços quando eu te carregaria por onde quer que sopre o vento. Eu não quero que se desdobre para achar outro alguém quando eu não vou deixar de pedir por você e fazer prece pelo seu bem. Eu não quero que te faltem forças quando se deparar com a desesperança. Eu quero que as desavenças sejam raras mas que só as experiencie, não deixe que te prendam e também não as atire. Eu não quero que te falte apoio quando me tem como se jamais fosse possivel o abandono… Eu não quero que se vá, mas você ia e vinha quando queria e agora que não quer mais, sem querer eu ainda te queria… E eu não quero ter que não querer você. Eu não quero ter que sair e não te ver. Eu não quero ser um eu sem um você. Ponto.

Aceitação.

Eu vou ter de encarar que assim como não fui a primeira, também não serei a sua última garota.

Eu vou ter de aceitar que você vai se deitar com outra ou outras, que a sua roupa de cama vai conhecer outros cheiros, que os seus braços vão se enlaçar em outros abraços, que a sua cabeça terá outros ombros, que as suas roupas guardarão outro perfume, que os seus cabelos terão outro cafuné, que a tua voz terá outra fã e ávida ouvinte, que os teus gemidos não serão mais a minha melodia exclusiva e preferida, que as suas mensagens não será mais a mim a quem envia, que os teus pensamentos se um dia os dedicou a mim agora não faz nem menção, que os pronomes possessivos que diz não são e nem serão associados a mim, que se teu corpo se encurva de prazer, não sou eu que estarei ali com você, que se alguém afaga com delicadeza sua face, contornando suas feições e memorizando cada canto seu, não será com as minhas digitais; eu vou ter de aceitar que as imagens de nós duas ao por do sol, em viagens ou almoços, era conversa, descuido ou poesia.

Vou aceitar que não fui e não serei sua amada, vou aceitar que fiz prece pro acaso e que não há santo que resolva o que não é destinado. A sua pele vai se distanciar da minha, corpo a corpo não terei o seu calor, vou carecer da sua risada, os seus olhares vão se ausentar como um céu que perde não uma estrela ou duas, mas impossível e exageradamente seu astro, as suas roupas não vão mais decorar o chão do quarto, eu vou deixar de comprar as suas comidas preferidas e guardar para suas visitas.

Eu vou aceitar que eu não fui quem você queria, que eu não fiz o que outra faria, que eu não acertei como gostaria, que eu não te fiz rir como poderia, que eu não estive o quanto precisaria, que eu não fui quem eu seria.

Eu tenho de aceitar que o nó na garganta são as malditas palavras mal ditas, que nos viramos do avesso e depois ao inverso e a confusão não era pouca, mas era irresistível. Eu tenho de aceitar que suas mãos não vão se dar as minhas, que diferente das minhas visões, nós não estamos juntas, que os sonhos eram fantasias, que as projeções de um futuro eram delírios, que as lágrimas por mais intensas que sejam, elas não são poucas mas também não são importantes assim, elas vão durar mais do que deveriam e só. Eu vou ter de aceitar que você vai desfilar por aí com alguém que deveria ser eu mas que não vai ser. Eu vou enxergar que não importa beleza, intelecto, atração ou interesse, pode ser só questão de escolha e eu não fui a sua.

Só que eu não sei aceitar o que não tem que ser aceito, mas me é imposto.

Os olhos verdes viraram piada.

Eu vou ter de avançar em outra direção, não sei o que vou ter perdido ou ganhado, quais partes minhas ficarão e se nesse caminho vou descobrir que nem notícias suas terão me dado.

Sei que não dá para continuar a te querer sem nada acontecer, dona de mim e dos meus pensamentos, nos esqueço pelo tempo e então me busco no fundo do poço onde tinha me aconchegado para dormir os cinco minutinhos que me trouxeram vergonha e não-reconhecimento.
Não digo que vou esquecer de ti, mas parece que enfim nos esqueci.

Carreguei um sentimento vazio demais por mais tempo do que deveria, fiz que te queria e acreditei no ponto sem nó, vi que reguei um amor ilusório, amor não é amor sem ser recebido e jamais respondido. Eu vou olhar naquele par de olhos mais algumas vezes e me parabenizar por eles não me presentearem de forma grega por mais tempo. Eu vou escancarar a verdade e esfregar na minha cara que amor por ti eu não sinto, que eu romantizei o sexo, que o rala e rola eu quis adornar e carregar de floreios, e que eu quis o relacionamento por algumas transas bem dadas. Eu quis fazer do lençol amassado um cafuné, quis trazer sua cerveja quando o que queria era só algum álcool qualquer, quis te fazer sopa quando você só queria manter a boca ocupada com os lábios longe dos meus. Eu quis tornar mental o que só coube o carnal. Quis que uma cabeça com cabelos longos e negros fossem inúmeros fios queridos e muito bem acarinhados, mas ali nem a queratina se fixa. Eu camuflei carência com paixão, maquiei obsessão com orgulho ferido e tentei te aninhar em meus braços só para te surpreender numa chave de braço daqui algum tempo.

Ei, Heroina, você pode ser alguma droga opióide e é de conhecimento geral o seu vício, mas a esse mal eu sei que resisto. Droga nenhuma de amor nos mantem refém por tempo o bastante para espantar a lucidez sem dor.

Você diz chega mas não chega.

Não sei se estou mais farta de mim ou de você. Me entrego sem ter a quem, caio sem ter onde, alucino que te vejo, sinto o seu cheiro como se estivesse no ar, exalando do seu corpo próximo ao meu, mas eu só estou em algum lugar a sós.

Fico sem ter com quem dizer as mesmas coisas, aquelas que me fazem parecer uma garotinha se apaixonando pela primeira vez, assinante de alguma revista para pré-adolescentes que mais beiram a infância do que questões sentimentais de fato abrangentes.

Não sei se enlouqueci, se estou prestes a enlouquecer ou se só não me desvencilhei dos seus tentáculos invisíveis que me deixam aprisionada a você.

Quanto tempo se passou desde que nos conhecemos? Quanto tempo desde que demos o último beijo que eu não sabia ter sido o último e queria que ainda fosse os primeiros de inúmeros outros? Te quero como se não fizesse mais do que algumas horas que nos relacionamos de maneira íntima e apaixonada. Não selamos contrato, não interligamos de maneira concreta nossos destinos, não nos prendemos e não mais nos vimos.

Careço de notícias. Como está e como esteve? Não me importa muito quem tem te acompanhado, mas o que eles têm te feito. Não se distancia de mim, eu quero te aninhar nos meus braços para afagar teus cabelos, em cada toque te trazer sossego mas com agito em seu peito. Como pode ter sido de maneira tão diferente pra mim do que foi para você? Enquanto eu sou indiferente para você, cada movimento seu me causa abalos tremendos.

Tremo, te chamo, choro e te grito. Te procuro e não acho, me conformo mas não me silencio.

Olha a carência de mãos dadas com o desejo certo, a incerteza na contramão de meus pensamentos que não se diferenciam de ti. Olho nos teus olhos e encontro dúvidas, apenas, mas há neles quem procuro.

Não sabe que teu sorriso me desmorona? Pode sorrir, mas deixa eu me encaixar de maneira preguiçosa em seu meio. Deixa eu desvestir suas frustrações e travesti-las de novas tentativas.

Não tem culpa de nada, é só quem você é. O que é em muito se parece com o que projetei de ti. A projeção diz que sou sua, e você é nada minha. Mas é meu calor, o nome que fica em meu organismo rotulando minhas hemácias, você corroeu minhas sinapses, alguma substância letárgica e sem dosagem me aflige com sua ausência. Faço prece para que eu te acrescente felicidade e adentre as suas curvas no amor.

O seu toque em mim está ao passo da utopia, se me encarrego de persistir em tê-lo, mais ele desfila num horizonte menos próximo. A sua inteligência me perturba numa admiração absurda, o seu senso de humor me cala como um fanático por obras raras encara alguma relíquia, faço dos teus lábios o vinho com o qual quero me embebedar. Toda a desordem mental parece se desfazer e se refazer com o que constrói em mim sem nem mesmo me dirigir algum gesto.

Eu te amo, amo, amo e amo: é o que grito ao te abraçar e sinto, cedo demais, seus braços caírem e me deixar inconveniente conforme te aperto, mas não quero me mover. Eu te amo! Mas você faz que não sente, e de fato o amor não está ali para você. Levanto a bandeira da amizade, mas algum juiz veta rebatendo que não deve haver mentiras em sentimento. Eu paro num silêncio barulhento e revido que o farei sem impedimentos, só não posso deixar que me deixe.

Cabeça caixa.

Nuvem cheia da minha chuva.

clasuda  Nos sentimos pequenos, sozinhos, vazios e perdidos. Choramos de saudade de coisas que nunca tivemos, sentimos falta de abraços que foram dados de longe, através do pensamento. E nos deixamos levar por um amor que não é movido por dois corpos e duas almas e sim, por um corpo, uma alma e uma caixa cheia de (nada) vento.
E depois de tanto tempo alimentando esse amor de vento, o dono da caixa resolve tirá-la do seu lado, porque é hora de enche-la com sentimentos por um outro alguém. E agora? Você amou tanto aquele mundo de nada… você se dedicou tanto a criar um laço com aquele vazio com certidão de nascimento. Você ama aquela caixa de nada, quer que ela seja sua pra sempre. Mas ela não pode ser sua, porque ela nunca se alimentou verdadeiramente do amor que você sente por ela; então ela parte sem nem…

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De: eu memo. Para: meu amô, minha santa.

Nuvem cheia da minha chuva.

Tanta coisa pá acontecê, tanto sol pá se pô
e eu aqui deitadin na rede, pensando nesse meu amô
bandido amô, dolorido amô.
Ô muié danada que foge e se esconde dos meus beijin,
facilita muié! E gruda “nimim”.
Me róba sorrisos, dorme comigo e sossega nesse peito
que tanto gosta do seu calô.
Vem minha santinha, somando eu mais ucê, tem só
coisa boa de lembrar e de vivê.
Num deixa o már-me-quér daquela frô atrapaiá os passinho
bunito que nói deu, desenhô e bordô na estrada das histórias de amor bonitas que só.
Ô muié danada, arretada! Num cumprica a vida e vem cá, pá mó de se beijá.
Cadequê é nos seus lábios que encontro abrigo,
que nem os fiote de curió embaixo das asas da mãe.
É no calô do seu corpo que eu me esquento,
não importa os soprar do vento,
ou o destino que…

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