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Outra manhã.

Eu vou falar que mudou. Mudou o quê? Eu estou perdida. Perdida em quê?

Eu reconheço o não reconhecimento, o conhecer do novo, de novo, sendo novo, me perco, me perco no meu achar em outro.

Eu busco o foco, focar em mim, não conheço o egoísmo, não o meu próprio. Sigo, me individualizo, te liberto, nos solto, me apego, te aperto, Santa Maria, que eu não te sufoco. 

As palavras seguem tão incertas quanto a vida, mais incertas de que vida? Vida, vivida, a minha? Novamente, fuga da mente, vivo em prol dela, construo a gente, me fortaleço, você impaciente.

Não me apreça, não te aquieta. Quero falar de mim, você me atesta, casamento regente.

Deitada, cigarro aceso, me arrepio, teu corpo não está seco, dali te vejo, seu banho, um refresco.

Me respeita! (eu)

Não é para ser sofrido, o coração não tem de estar aflito, a ansiedade não tem de abraçar o descontrole, a insegurança não é para fazer moradia, a repreensão com autocrítica não é para ferir vorazmente.
Seu jeito pode ser lapidado e melhorado mas não é para pautar o errado. Você não tem de ser o réu.
Os olhos não têm de estar prestes a inundar a face.
A saudade não tem de revirar suas entranhas a ponto de, se não saciada, se colocar do avesso e vomitá-las.

É para ser querido, sabiamente escolhido.

É para haver reciprocidade e, por que diabos não?, positividade.

Serendipity.

Finding something good without having to look for it.

De repente você faz o que jamais considerou que faria, num repente a situação que está é diferente de todas as hipóteses que já ponderou, sem aviso e sem hesitação você se coloca onde ainda não tinha se visto, se amarra, se desampara, se joga e não se nega. Afinal de contas, a importância não está mais no que faz e onde o faz, mas na presença daquela que está ao seu lado, que você quer que esteja, que você não deixa deixar de estar contigo. Ela não tem dono, não tem barreira, não tem limite, tem experiência, vivência, sabedoria, você só quer que ela o tenha, que ela se componha em suas entranhas e faça moradia em seu corpo desajeitado mas receptivo, quer que ela o acompanhe sabe-se lá para onde, mas não quer nem pensar que se ausente de “nós” e do que seja “nosso” que encantadoramente nos foi apresentado. (20/02/2014)

Todo llega cuando debe llegar.

Eu gosto do seu sorriso, não só pela beleza dele em si, mas por estar sorrindo e pelo que a levou a isso. Gosto de como o seu cabelo parece se comunicar com o resto de ti, de como suas roupas são fiéis a você assim como é com seu interior, gosto de como seus olhos não deixam de me convidar mesmo quando o resto é receio com hesitação. Gosto das suas músicas tocando repetitivamente por ser da sua cantora favorita, é real e isso basta, são gostos e não quero que os mude. Gosto de como não se mascara mas permanece misteriosa, gosto de como é envolvente, de como sua voz me embala, gosto da sua unicidade, gosto da sua sabedoria com experiência, gosto da sua força, do seu gênio, do seu jeitão. Gosto das loucuras, das decisões, das suas metas, dos seus planos, do seu comportamento, de como não se pausa se for para expressar alguma certeza, gosto da grosseria porque é chato quem se mede e fica moldado, gosto do seu pé no chão, gosto de como acredita ser tão mais velha do que eu pelo que não se permite, o que te dá um ar reverso ao que pretende, enquanto tenta remar contra a maré, eu não me afogo paralela a ela, mas ambas mergulham. Gosto de te observar e imaginar que não preciso me preocupar com o dia que não vai estar ali sem poder ser vista. Gosto da sua pele com seu cheiro, gosto do frio que invade, aquece, e revira minhas tripas com seu toque e sua presença. Gosto de te enxergar e sentir que há muito mais a ser visto. Gosto de que esteja ao alcance dos meus dedos mas ainda assim parecer que preciso ir muito mais longe para te manter sem estar distante de fato. Gosto do inesperado nas suas reações, de como não sei o que vai fazer mas peço para que o faça junto de mim. Gosto de como imagina que eu seja tão nova e ingênua mas não chega a considerar que eu teria esperado outros 18 ou mais anos para que você mesma chegasse, enfim, e que sua espera foi maior do que a minha, mas dei um basta nela. Gosto dos seus hábitos, desde que saudáveis, eles te deixam mais composta. Gosto da sua praticidade, gosto da confusão por te humanizar mais. Gosto do cheiro da sua comida, me abre o apetite por já conhecer o gosto, mas também faz com que eu crie cenas de quantas outras vezes vou senti-lo. Gosto de supor que eu ainda venha a conhece-la e que o que eu conheço, por mais encantador que seja, não passou de um prenúncio para a minha completa entrega. Gosto do que te torna quem é, gosto como é, e não há o que eu possa gostar mais do que ser um alguém contigo e fazer parte do que você já o é. Gosto de pensar que já era amor antes de ser. Gosto da ansiedade pelo que está por vir desde que me assegure que a nossa evolução é mutua e partilhada. Gosto de pensar que posso ser auxílio. Gosto até que o meu sentir seja tão intenso de modo que eu não possa descreve-lo, mas que me permita a demonstra-lo. Gosto da ideia de que por mais que tenha vivido e presenciado, nada foi comigo e que o melhor está por vir, eu cheguei. (20/02 as 03h05 madrugada de 21/02)

Simples sem ser fácil.

Elegi seu perfume o cheiro mais cheiroso desde que esteja em você.
Vi nos seus olhos uma luz como guia.
Com suas mãos enxergo meu caminho.
Em ti não tenho apenas abrigo, de ti nada tenho, apenas a faço do que sinto, mas não escolho senti-lo.
Eu já não sei o que faço. Sei bem o que sinto, e até por isso menos sei do que faço, menos sentido tenho e menos me basto.

Eu entendo, mas isso não muda nada.

Sempre entendi os loucos, os burros e os filhas da puta – são felizes. A felicidade que nunca estendeu sua compreensão para os meus braços.

Os filhas da puta, em particular, são aqueles que se fazem mais claros, são os que me desdobro, ou então por epifania, mas os compreendo para que não ocupem ainda mais espaço com rancor em meu organismo – e deve ser por isso que exaustivamente lido com filha da putagem.

Não é que só me relacione com filhas da puta, eles seriam assim caso me permitisse a enxergar sua podridão, mas repito: não faço dos defeitos empecilhos e, não raramente, só sinto (e sentimento é mesmo para se sentir, não para se pensar sobre).

Pois então, entendo que minhas reações e ações não sejam reproduzidas por alguma outra pessoa, entendo que não gostem de mim e sequer sintam empatia, entendo que o que tivemos não tivemos – a carência não deve ser tão estimada -, entendo que facilmente tenha se distanciado e então partido como se mal tivesse vindo e visto o que viu e feito o que ainda resta.

Entendo que não esteve na minha, entendo que não quis prolongar minha companhia, entendo que mesmo se estivesse numa casa vizinha ainda não me convidaria para visita, entendo que cada palavra desta e cada após como posterior sequer passarão por sua vista.

Entendo o que me forço, não entendo o por que dos esforços, entendo que tenha ido e não entendo por que ainda escuto seu riso, tenho seus olhos comigo e não deixo de sentir como sinto.

Te entendo por si só, sim, a admiro e a estimo,  mas não entendo como você é você se não um você comigo – e sem pretensões de mudar isso, não entendo pois insisto em ser eu-contigo e não esse meu eu perdido tão só quanto um eu-lírico.

Lo.

Lo, como foi a praia? Será que estando lá, lembrou-se de quando estávamos juntas? E aquele sofá, teve alguém com você ou quis que estivesse sem ser eu? Tenho saudades de me ouvir dizer Lo, nos meus braços você sempre será Lo. E a faculdade, será que agora que tem alguém querido com você lá, você passou a gostar mais? Eu tenho gostado mais de sopa e cerveja, já gostava, mas agora tomo algumas porções e doses a mais, lembro de você e consigo sorrir sabendo que você gostaria de estar fazendo o mesmo – mas é claro que o faz, só não é comigo. Lo, você consegue se lembrar de quando me chamou de “mor”? Era tão normal, mas que agora já não fala mais. Lembro-me quando usou “minha modelo”, e eu sabia que não era modelo nenhuma, como agora sei que continuo sendo sua – embora o que eu tenha seja a rejeição bem explícita. Lo, vamos marcar um dia pra eu gemer e você dizer no dia seguinte que te deixei louca? Lo, e se você voltar pra minha vida? Eu já não quero mais insistir. Eu cansei de dar murro em ponta de faca e depois me perguntar porque está sangrando. Lo, eu acho que a sua amizade me faz mais falta do que você comigo, e eu já não quero repetir ainda mais isso. Lo, e sua saúde? E a natação, voltou? E o trabalho, ainda te estressa? Lo, as vezes minhas mãos só querem te massagear, não estar entre suas pernas ou nos seus seios. As vezes eu só quero te dar um beijo no rosto, não nos lábios ou no pescoço. Lo, as vezes eu só quero me aproximar, não me relacionar romântica e sexualmente. Não sente falta da minha sinceridade? Lo, eu acho que você sequer pensa em mim de verdade, e pra deixar mais claro: você não me conheceu. Lo, eu fiquei tão absorta em reparar cada coisa sua que não te mostrei as minhas. Eu me prendi em te desvendar, e com isso eu não me mostrei – por falta de um, somos dois mistérios. Eu tenho arrependimentos tão dolorosos que não me largam, queria ter cruzado menos os braços, me atirado mais e ter falado mais também, queria que me visse sem rodeios, sem hesitações e com menos receios. Lo, eu me entreguei sem você saber o que receberia. Lo, mais do que eu saber dos meus erros, eu sei que foram mais do que eu imagino. Lo, eu queria não ter te cobrado nada, nem inconscientemente, nem reciprocidade. Lo, vamos nos conhecer? Eu já não sou mais a mesma e talvez nem você seja. Mas Lo, sei que não me deseja, apenas seja não só a lembrança do perfume que ainda te traz pra perto e o par de olhos esverdeados que anseio. Lo, eu já nem sei o que te escrevo, de qualquer forma, sei que não leu mais nenhum pedaço de nenhum texto, não leu nem o meu pedido para que não se ausentasse em nossos beijos.

Só um pensamento solto e lembrança fixa.

Elas se conheceram de um jeito torto, mas torto que não foi errado – até porque talvez elas deem certo. Mas eu não quero falar de vocês – o que se tornara concreto, eu ainda vou falar de nós – que não existiu e está cada vez mais abstrato.

Eu vou dizer mais algumas centenas de vezes sobre os seus olhos esverdeados, são eles que prendem os meus com sua luz (a única capaz de iluminar o meu olhar), dos seus cabelos, suas curvas, seus ombros, seus peitos, seus passos de bailarina (ou pinguim!) e sua distância. Vou insistir em gritar aos quatro ventos, vários cantos ou sei lá, talvez eu arranje um megafone, mande um pombo correio, coloque a mensagem numa garrafa, talvez voltemos a nos falar ou eu só continue como tenho estado, num estado paralelo ao seu – e nós sabemos que paralelas não se encontram.

Os meses estão passando numa velocidade desconexa, mas o tempo é assim – passa quando você está desprevenido. A minha vertigem é mental. Ainda ontem eu chorei ao lembrar de ti, pensar em teu toque, pensei na tua voz, lembrar das nossas conversas empolgadas que variavam de história e política até os pornôs e nossos mamilos. Senti vontade de pegar o cobertor que vez ou outra sinto o teu cheiro, mas a nostalgia já estava me deixando contorcida e eu sabia que o cheiro já teria ido – assim como você se foi.

Eu tive a confirmação de que sequer lê minhas palavras e ainda assim eu te escrevo; quão grave?

É quase começo de ano outra vez, e eu não abandono a ideia de que passei o ano inteiro contigo em pensamento, apenas, mas que houveram aqueles meses de gloria que eu podia te segurar brincando que era minha.

Logo vai ser carnaval e vou pensar na nossa viagem, vou lembrar dos meus cigarros com você me assistindo e nós quase que nos beijávamos com olhares, você dizia ser sexy e eu me excitava com a ideia de te provocar algum desejo, quando eu já estava doente de vontade de ti.

Vou lembrar dos carinhos no sofá, com você no meu colo, minhas mãos sem se controlarem pelas suas pernas. Vou lembrar de como me deixou quente quando todos sabem da minha baixa temperatura constante.

Vou lembrar de estar te conhecendo, reconhecendo, te encontrando e eu me entregando. Vou lembrar de como eu olhava incessantemente, penetrantemente, intensamente, com incontáveis palavras e tanto a ser dito mas num silêncio incompreensível.

Vou lembrar do quanto eu queria ter te dito e ainda tenho, de como cada coisa em você me fascina de maneiras que eu enlouqueço se tentar ordenar. Eu definitivamente devo ter visto tudo o que há de mais belo em você.

Eu vou lembrar das nossas caminhadas de madrugada, das nossas transas sem hora, dormindo e acordando, das massagens, dos beijos intermináveis.

Vou lembrar das caretas, dos apertos de mão, das roupas, das despedidas e jogos com os amigos.

Vou lembrar de como eu pensei que jamais teria só a lembrança.

Vou lembrar de tentar culpar só a dopamina com a norepinefrina durante o sexo por eu ter me apaixonado loucamente no que era pra ter sido sexo casual numa amizade.

Vou lembrar do quanto te acho atraente, do tesão absurdo que me dá e de como me seduz mesmo intelectualmente.

Vou lembrar de quando me ligava doente e eu ficava prestes a largar trabalho e faculdade para te cuidar.

Vou lembrar das madrugadas que estávamos, não poucas vezes, distantes e você pegava no sono na webcam – eu morria de dó e de amores, queria te colocar no colo até a cama, te cobrir e te encher de beijos, queria tê-la perto.

Sempre quis sua aproximação, quis tê-la intrínseca a mim, queria nos ver amalgamadas, queria que fossemos o motivo dos nossos outros relacionamentos não terem dado certo, queria que se enxergasse pelos meus olhos, queria que vislumbrasse como é fabulosa pra mim, queria que me fizesse sua.

Talvez eu nem quisesse um relacionamento, como não quero agora, eu só quero e queria estar junto de ti.

Eu não faço ideia de como eu fui cair de amores assim, lembro que era lento, não era tanto, e então foi de repente, com força total.

Eu queria convivência, reciprocidade, veracidade e intensidade – mas o que eu queria mesmo era você, fosse como fosse, seria você, e você sendo você sempre vai bastar.

Estagnei.

Chega momentos da vida que você não sabe onde é que chega, onde esteve e o que tem feito. Parece uma estagnação medonha, coisa de louco mesmo – que faz jus ao uso de tratamentos de choque e camisas de força.

Já não sei sobre minha sanidade ou, melhor, a falta dela. Tenho um senso duvidável com o tato quase escasso. Não sei mais o quanto de culpa que me cabe, de subjetividade com ilusões quase holográficas. (Eu até converso contigo, crio imagens suas e te mantenho por perto quando estou a sós ou na companhia de qualquer outro que não responde por seu nome e pela saudade com seus traços mais formosos, seu riso frouxo e seus olhares mais belos.)
As vezes eu só queria te acarinhar, passar os dedos num afago que não chega a pesar mesmo com as toneladas de sentimento que transborda em cada toque. Pele com pele, nossas mentes dançando e de alguma forma eu estou em você, até acreditaria que as guerras terminariam e que há cura do câncer, daí.

E também as vezes parece que eu jamais vou me ver fora desse sentimento, que o que eu passo é uma forma de punição pelo que posso ter feito em outras vidas ou sei lá. A saudade chega a machucar fisicamente e eu já não sei lidar, nunca soube, mas suportar está difícil. Tenho dormido cada vez menos, quando pego no sono, parece que tenho sonhos conscientes pois te encontro neles todos (mas passo dias inteiros sem sequer levantar). Aqueles olhos claros esverdeados me perturbam da cabeça aos pés. Eu não sei mais o que faço. Já se passou tempo demais para ser algo passageiro, já senti mais do que paixonites permitem e já sofri mais do que poderia ser saudável. Tenho dificuldades tremendas em aceitar ou sequer considerar que, provavelmente, não ficaremos juntas e que, quem sabe, não fomos feitas uma para a outra e até mesmo, por que não?, não voltaremos a nem mesmo nos beijar ou nos vermos, já que deixamos de nos falar também. Falar e até escrever tais coisas me dão enjoo, náuseas, o estômago revira e eu fico sem conseguir dar poucos passos adiante que sejam. Respirar já foi mais fácil.

Não é eterno, posto que é chama, mas tem sido infinito enquanto dura. Mas será só chama?