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Lo.

Lo, como foi a praia? Será que estando lá, lembrou-se de quando estávamos juntas? E aquele sofá, teve alguém com você ou quis que estivesse sem ser eu? Tenho saudades de me ouvir dizer Lo, nos meus braços você sempre será Lo. E a faculdade, será que agora que tem alguém querido com você lá, você passou a gostar mais? Eu tenho gostado mais de sopa e cerveja, já gostava, mas agora tomo algumas porções e doses a mais, lembro de você e consigo sorrir sabendo que você gostaria de estar fazendo o mesmo – mas é claro que o faz, só não é comigo. Lo, você consegue se lembrar de quando me chamou de “mor”? Era tão normal, mas que agora já não fala mais. Lembro-me quando usou “minha modelo”, e eu sabia que não era modelo nenhuma, como agora sei que continuo sendo sua – embora o que eu tenha seja a rejeição bem explícita. Lo, vamos marcar um dia pra eu gemer e você dizer no dia seguinte que te deixei louca? Lo, e se você voltar pra minha vida? Eu já não quero mais insistir. Eu cansei de dar murro em ponta de faca e depois me perguntar porque está sangrando. Lo, eu acho que a sua amizade me faz mais falta do que você comigo, e eu já não quero repetir ainda mais isso. Lo, e sua saúde? E a natação, voltou? E o trabalho, ainda te estressa? Lo, as vezes minhas mãos só querem te massagear, não estar entre suas pernas ou nos seus seios. As vezes eu só quero te dar um beijo no rosto, não nos lábios ou no pescoço. Lo, as vezes eu só quero me aproximar, não me relacionar romântica e sexualmente. Não sente falta da minha sinceridade? Lo, eu acho que você sequer pensa em mim de verdade, e pra deixar mais claro: você não me conheceu. Lo, eu fiquei tão absorta em reparar cada coisa sua que não te mostrei as minhas. Eu me prendi em te desvendar, e com isso eu não me mostrei – por falta de um, somos dois mistérios. Eu tenho arrependimentos tão dolorosos que não me largam, queria ter cruzado menos os braços, me atirado mais e ter falado mais também, queria que me visse sem rodeios, sem hesitações e com menos receios. Lo, eu me entreguei sem você saber o que receberia. Lo, mais do que eu saber dos meus erros, eu sei que foram mais do que eu imagino. Lo, eu queria não ter te cobrado nada, nem inconscientemente, nem reciprocidade. Lo, vamos nos conhecer? Eu já não sou mais a mesma e talvez nem você seja. Mas Lo, sei que não me deseja, apenas seja não só a lembrança do perfume que ainda te traz pra perto e o par de olhos esverdeados que anseio. Lo, eu já nem sei o que te escrevo, de qualquer forma, sei que não leu mais nenhum pedaço de nenhum texto, não leu nem o meu pedido para que não se ausentasse em nossos beijos.

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Só um pensamento solto e lembrança fixa.

Elas se conheceram de um jeito torto, mas torto que não foi errado – até porque talvez elas deem certo. Mas eu não quero falar de vocês – o que se tornara concreto, eu ainda vou falar de nós – que não existiu e está cada vez mais abstrato.

Eu vou dizer mais algumas centenas de vezes sobre os seus olhos esverdeados, são eles que prendem os meus com sua luz (a única capaz de iluminar o meu olhar), dos seus cabelos, suas curvas, seus ombros, seus peitos, seus passos de bailarina (ou pinguim!) e sua distância. Vou insistir em gritar aos quatro ventos, vários cantos ou sei lá, talvez eu arranje um megafone, mande um pombo correio, coloque a mensagem numa garrafa, talvez voltemos a nos falar ou eu só continue como tenho estado, num estado paralelo ao seu – e nós sabemos que paralelas não se encontram.

Os meses estão passando numa velocidade desconexa, mas o tempo é assim – passa quando você está desprevenido. A minha vertigem é mental. Ainda ontem eu chorei ao lembrar de ti, pensar em teu toque, pensei na tua voz, lembrar das nossas conversas empolgadas que variavam de história e política até os pornôs e nossos mamilos. Senti vontade de pegar o cobertor que vez ou outra sinto o teu cheiro, mas a nostalgia já estava me deixando contorcida e eu sabia que o cheiro já teria ido – assim como você se foi.

Eu tive a confirmação de que sequer lê minhas palavras e ainda assim eu te escrevo; quão grave?

É quase começo de ano outra vez, e eu não abandono a ideia de que passei o ano inteiro contigo em pensamento, apenas, mas que houveram aqueles meses de gloria que eu podia te segurar brincando que era minha.

Logo vai ser carnaval e vou pensar na nossa viagem, vou lembrar dos meus cigarros com você me assistindo e nós quase que nos beijávamos com olhares, você dizia ser sexy e eu me excitava com a ideia de te provocar algum desejo, quando eu já estava doente de vontade de ti.

Vou lembrar dos carinhos no sofá, com você no meu colo, minhas mãos sem se controlarem pelas suas pernas. Vou lembrar de como me deixou quente quando todos sabem da minha baixa temperatura constante.

Vou lembrar de estar te conhecendo, reconhecendo, te encontrando e eu me entregando. Vou lembrar de como eu olhava incessantemente, penetrantemente, intensamente, com incontáveis palavras e tanto a ser dito mas num silêncio incompreensível.

Vou lembrar do quanto eu queria ter te dito e ainda tenho, de como cada coisa em você me fascina de maneiras que eu enlouqueço se tentar ordenar. Eu definitivamente devo ter visto tudo o que há de mais belo em você.

Eu vou lembrar das nossas caminhadas de madrugada, das nossas transas sem hora, dormindo e acordando, das massagens, dos beijos intermináveis.

Vou lembrar das caretas, dos apertos de mão, das roupas, das despedidas e jogos com os amigos.

Vou lembrar de como eu pensei que jamais teria só a lembrança.

Vou lembrar de tentar culpar só a dopamina com a norepinefrina durante o sexo por eu ter me apaixonado loucamente no que era pra ter sido sexo casual numa amizade.

Vou lembrar do quanto te acho atraente, do tesão absurdo que me dá e de como me seduz mesmo intelectualmente.

Vou lembrar de quando me ligava doente e eu ficava prestes a largar trabalho e faculdade para te cuidar.

Vou lembrar das madrugadas que estávamos, não poucas vezes, distantes e você pegava no sono na webcam – eu morria de dó e de amores, queria te colocar no colo até a cama, te cobrir e te encher de beijos, queria tê-la perto.

Sempre quis sua aproximação, quis tê-la intrínseca a mim, queria nos ver amalgamadas, queria que fossemos o motivo dos nossos outros relacionamentos não terem dado certo, queria que se enxergasse pelos meus olhos, queria que vislumbrasse como é fabulosa pra mim, queria que me fizesse sua.

Talvez eu nem quisesse um relacionamento, como não quero agora, eu só quero e queria estar junto de ti.

Eu não faço ideia de como eu fui cair de amores assim, lembro que era lento, não era tanto, e então foi de repente, com força total.

Eu queria convivência, reciprocidade, veracidade e intensidade – mas o que eu queria mesmo era você, fosse como fosse, seria você, e você sendo você sempre vai bastar.