Arquivo da tag: você

Eu entendo, mas isso não muda nada.

Sempre entendi os loucos, os burros e os filhas da puta – são felizes. A felicidade que nunca estendeu sua compreensão para os meus braços.

Os filhas da puta, em particular, são aqueles que se fazem mais claros, são os que me desdobro, ou então por epifania, mas os compreendo para que não ocupem ainda mais espaço com rancor em meu organismo – e deve ser por isso que exaustivamente lido com filha da putagem.

Não é que só me relacione com filhas da puta, eles seriam assim caso me permitisse a enxergar sua podridão, mas repito: não faço dos defeitos empecilhos e, não raramente, só sinto (e sentimento é mesmo para se sentir, não para se pensar sobre).

Pois então, entendo que minhas reações e ações não sejam reproduzidas por alguma outra pessoa, entendo que não gostem de mim e sequer sintam empatia, entendo que o que tivemos não tivemos – a carência não deve ser tão estimada -, entendo que facilmente tenha se distanciado e então partido como se mal tivesse vindo e visto o que viu e feito o que ainda resta.

Entendo que não esteve na minha, entendo que não quis prolongar minha companhia, entendo que mesmo se estivesse numa casa vizinha ainda não me convidaria para visita, entendo que cada palavra desta e cada após como posterior sequer passarão por sua vista.

Entendo o que me forço, não entendo o por que dos esforços, entendo que tenha ido e não entendo por que ainda escuto seu riso, tenho seus olhos comigo e não deixo de sentir como sinto.

Te entendo por si só, sim, a admiro e a estimo,  mas não entendo como você é você se não um você comigo – e sem pretensões de mudar isso, não entendo pois insisto em ser eu-contigo e não esse meu eu perdido tão só quanto um eu-lírico.

Anúncios

Lo.

Lo, como foi a praia? Será que estando lá, lembrou-se de quando estávamos juntas? E aquele sofá, teve alguém com você ou quis que estivesse sem ser eu? Tenho saudades de me ouvir dizer Lo, nos meus braços você sempre será Lo. E a faculdade, será que agora que tem alguém querido com você lá, você passou a gostar mais? Eu tenho gostado mais de sopa e cerveja, já gostava, mas agora tomo algumas porções e doses a mais, lembro de você e consigo sorrir sabendo que você gostaria de estar fazendo o mesmo – mas é claro que o faz, só não é comigo. Lo, você consegue se lembrar de quando me chamou de “mor”? Era tão normal, mas que agora já não fala mais. Lembro-me quando usou “minha modelo”, e eu sabia que não era modelo nenhuma, como agora sei que continuo sendo sua – embora o que eu tenha seja a rejeição bem explícita. Lo, vamos marcar um dia pra eu gemer e você dizer no dia seguinte que te deixei louca? Lo, e se você voltar pra minha vida? Eu já não quero mais insistir. Eu cansei de dar murro em ponta de faca e depois me perguntar porque está sangrando. Lo, eu acho que a sua amizade me faz mais falta do que você comigo, e eu já não quero repetir ainda mais isso. Lo, e sua saúde? E a natação, voltou? E o trabalho, ainda te estressa? Lo, as vezes minhas mãos só querem te massagear, não estar entre suas pernas ou nos seus seios. As vezes eu só quero te dar um beijo no rosto, não nos lábios ou no pescoço. Lo, as vezes eu só quero me aproximar, não me relacionar romântica e sexualmente. Não sente falta da minha sinceridade? Lo, eu acho que você sequer pensa em mim de verdade, e pra deixar mais claro: você não me conheceu. Lo, eu fiquei tão absorta em reparar cada coisa sua que não te mostrei as minhas. Eu me prendi em te desvendar, e com isso eu não me mostrei – por falta de um, somos dois mistérios. Eu tenho arrependimentos tão dolorosos que não me largam, queria ter cruzado menos os braços, me atirado mais e ter falado mais também, queria que me visse sem rodeios, sem hesitações e com menos receios. Lo, eu me entreguei sem você saber o que receberia. Lo, mais do que eu saber dos meus erros, eu sei que foram mais do que eu imagino. Lo, eu queria não ter te cobrado nada, nem inconscientemente, nem reciprocidade. Lo, vamos nos conhecer? Eu já não sou mais a mesma e talvez nem você seja. Mas Lo, sei que não me deseja, apenas seja não só a lembrança do perfume que ainda te traz pra perto e o par de olhos esverdeados que anseio. Lo, eu já nem sei o que te escrevo, de qualquer forma, sei que não leu mais nenhum pedaço de nenhum texto, não leu nem o meu pedido para que não se ausentasse em nossos beijos.

Do u mind?

Você se importa se eu te levar pra casa essa noite? Fico outro dia também, caso não tenha problema. Você se importa de vir para casa comigo? Ninguém nos veria, então não precisa ficar tímida.

Você se importa de eu te dedicar mais alguns versos? Você se importa de estar nos meus sonhos? Você se importa de eu vestir algumas lágrimas que me deu? Você se importa de eu te carregar num pensamento constante? Você se importa de eu continuar a te querer? Você se importa de ser minha vontade fixa? Você se importa de eu querer te massagear? Você se importa com eu sentir demasiado sua falta? Você se importa de eu procurar pelos seus olhos em cada face? Você se importa de fazer refugio em meus sonhos uma vez que fugiu de meus dias? Você se importa de me conhecer e saber quem eu sou de fato algum dia? Você se importa de marcarmos uma hora para retomarmos aquele romance inventado? Você se importa de aproximar seu cangote para eu cheirar? Você se importa de deixar minhas mãos passarem pelos fios de seu cabelo, contornar seus traços e repousar em suas coxas? Você se importa se eu marcar nossa viagem? Você se importa de ouvir algumas músicas que não são hits nenhum comigo? Você se importa se estudarmos algum idioma que não sabemos? Você se importa se eu projetar você no meu futuro? Você se importa se o que eu planejar te envolver? Você se importa de aumentar nossas piadas internas? Você se importa de desabafar comigo, só pra eu saber que tem confiança em mim e eu só sossegar quando se sentir melhor? Você se importa de eu ser sua enquanto quer outra e jamais foi minha? Você se importa de eu me alimentar do nosso passado? Você se importa se eu ainda quiser te levar a cerveja e te fazer sopa? Você se importa de eu ter tantos elogios pra ti? Você se importa de eu querer nos colocar em algum protesto ou movimento das minorias? Você se importa de eu pedir por você em cada batida do meu peito vazio? Você se importa de ser importante mas não se importar? Você se importa de eu insistir por outros dez meses? Você se importa de não ser esquecida? Você se importa de eu não te superar? Você se importa de eu te guardar em cada centelha minha? Você se importa se eu deixar de me importar?

Só um pensamento solto e lembrança fixa.

Elas se conheceram de um jeito torto, mas torto que não foi errado – até porque talvez elas deem certo. Mas eu não quero falar de vocês – o que se tornara concreto, eu ainda vou falar de nós – que não existiu e está cada vez mais abstrato.

Eu vou dizer mais algumas centenas de vezes sobre os seus olhos esverdeados, são eles que prendem os meus com sua luz (a única capaz de iluminar o meu olhar), dos seus cabelos, suas curvas, seus ombros, seus peitos, seus passos de bailarina (ou pinguim!) e sua distância. Vou insistir em gritar aos quatro ventos, vários cantos ou sei lá, talvez eu arranje um megafone, mande um pombo correio, coloque a mensagem numa garrafa, talvez voltemos a nos falar ou eu só continue como tenho estado, num estado paralelo ao seu – e nós sabemos que paralelas não se encontram.

Os meses estão passando numa velocidade desconexa, mas o tempo é assim – passa quando você está desprevenido. A minha vertigem é mental. Ainda ontem eu chorei ao lembrar de ti, pensar em teu toque, pensei na tua voz, lembrar das nossas conversas empolgadas que variavam de história e política até os pornôs e nossos mamilos. Senti vontade de pegar o cobertor que vez ou outra sinto o teu cheiro, mas a nostalgia já estava me deixando contorcida e eu sabia que o cheiro já teria ido – assim como você se foi.

Eu tive a confirmação de que sequer lê minhas palavras e ainda assim eu te escrevo; quão grave?

É quase começo de ano outra vez, e eu não abandono a ideia de que passei o ano inteiro contigo em pensamento, apenas, mas que houveram aqueles meses de gloria que eu podia te segurar brincando que era minha.

Logo vai ser carnaval e vou pensar na nossa viagem, vou lembrar dos meus cigarros com você me assistindo e nós quase que nos beijávamos com olhares, você dizia ser sexy e eu me excitava com a ideia de te provocar algum desejo, quando eu já estava doente de vontade de ti.

Vou lembrar dos carinhos no sofá, com você no meu colo, minhas mãos sem se controlarem pelas suas pernas. Vou lembrar de como me deixou quente quando todos sabem da minha baixa temperatura constante.

Vou lembrar de estar te conhecendo, reconhecendo, te encontrando e eu me entregando. Vou lembrar de como eu olhava incessantemente, penetrantemente, intensamente, com incontáveis palavras e tanto a ser dito mas num silêncio incompreensível.

Vou lembrar do quanto eu queria ter te dito e ainda tenho, de como cada coisa em você me fascina de maneiras que eu enlouqueço se tentar ordenar. Eu definitivamente devo ter visto tudo o que há de mais belo em você.

Eu vou lembrar das nossas caminhadas de madrugada, das nossas transas sem hora, dormindo e acordando, das massagens, dos beijos intermináveis.

Vou lembrar das caretas, dos apertos de mão, das roupas, das despedidas e jogos com os amigos.

Vou lembrar de como eu pensei que jamais teria só a lembrança.

Vou lembrar de tentar culpar só a dopamina com a norepinefrina durante o sexo por eu ter me apaixonado loucamente no que era pra ter sido sexo casual numa amizade.

Vou lembrar do quanto te acho atraente, do tesão absurdo que me dá e de como me seduz mesmo intelectualmente.

Vou lembrar de quando me ligava doente e eu ficava prestes a largar trabalho e faculdade para te cuidar.

Vou lembrar das madrugadas que estávamos, não poucas vezes, distantes e você pegava no sono na webcam – eu morria de dó e de amores, queria te colocar no colo até a cama, te cobrir e te encher de beijos, queria tê-la perto.

Sempre quis sua aproximação, quis tê-la intrínseca a mim, queria nos ver amalgamadas, queria que fossemos o motivo dos nossos outros relacionamentos não terem dado certo, queria que se enxergasse pelos meus olhos, queria que vislumbrasse como é fabulosa pra mim, queria que me fizesse sua.

Talvez eu nem quisesse um relacionamento, como não quero agora, eu só quero e queria estar junto de ti.

Eu não faço ideia de como eu fui cair de amores assim, lembro que era lento, não era tanto, e então foi de repente, com força total.

Eu queria convivência, reciprocidade, veracidade e intensidade – mas o que eu queria mesmo era você, fosse como fosse, seria você, e você sendo você sempre vai bastar.

Estagnei.

Chega momentos da vida que você não sabe onde é que chega, onde esteve e o que tem feito. Parece uma estagnação medonha, coisa de louco mesmo – que faz jus ao uso de tratamentos de choque e camisas de força.

Já não sei sobre minha sanidade ou, melhor, a falta dela. Tenho um senso duvidável com o tato quase escasso. Não sei mais o quanto de culpa que me cabe, de subjetividade com ilusões quase holográficas. (Eu até converso contigo, crio imagens suas e te mantenho por perto quando estou a sós ou na companhia de qualquer outro que não responde por seu nome e pela saudade com seus traços mais formosos, seu riso frouxo e seus olhares mais belos.)
As vezes eu só queria te acarinhar, passar os dedos num afago que não chega a pesar mesmo com as toneladas de sentimento que transborda em cada toque. Pele com pele, nossas mentes dançando e de alguma forma eu estou em você, até acreditaria que as guerras terminariam e que há cura do câncer, daí.

E também as vezes parece que eu jamais vou me ver fora desse sentimento, que o que eu passo é uma forma de punição pelo que posso ter feito em outras vidas ou sei lá. A saudade chega a machucar fisicamente e eu já não sei lidar, nunca soube, mas suportar está difícil. Tenho dormido cada vez menos, quando pego no sono, parece que tenho sonhos conscientes pois te encontro neles todos (mas passo dias inteiros sem sequer levantar). Aqueles olhos claros esverdeados me perturbam da cabeça aos pés. Eu não sei mais o que faço. Já se passou tempo demais para ser algo passageiro, já senti mais do que paixonites permitem e já sofri mais do que poderia ser saudável. Tenho dificuldades tremendas em aceitar ou sequer considerar que, provavelmente, não ficaremos juntas e que, quem sabe, não fomos feitas uma para a outra e até mesmo, por que não?, não voltaremos a nem mesmo nos beijar ou nos vermos, já que deixamos de nos falar também. Falar e até escrever tais coisas me dão enjoo, náuseas, o estômago revira e eu fico sem conseguir dar poucos passos adiante que sejam. Respirar já foi mais fácil.

Não é eterno, posto que é chama, mas tem sido infinito enquanto dura. Mas será só chama?

Se for, que seja.

Se for para eu arriscar, que eu tenha o seu amparo. Se for para eu me aventurar, que seja em cada detalhe seu a ser mostrado. Se for para escancarar, que seja seus sorrisos não só em dias ensolarados. Se for para eu me mostrar, que não seja só o melhor lado. Se for para te apoiar, que também seja em algo delicado. Se for para conturbar, que eu te acalme sem atraso. Se for para eu estar contigo, que não seja perdida, mas envolvida em harmonia. Se for para eu me entregar, que não seja entrecortado. Se for para cuidar, que seja de bom grado. Se for para eu pedir, que não seja o seu afago. Se for para demonstrar, que me deixe encantado. Se for para compartilhar, que não tenha timidez mas que o faça sem insensatez. Se for criar, que não seja só o inusitado, mas livrai-nos de só amores inventados. Se for se gabar, que se encha da razão, mas não deixa de me estender a mão. Se for perpetuar, que não seja só na memória, que faça durar como o começo de nossa história. Se for para escolher, que possamos sempre não só nos ver. Se for para estar, que seja em seu abraço, se for para morar, que eu continue em seus braços. Se for para crescer, que seja acompanhado. Se for para agir, que não seja para te ferir. Se for para aproveitar, que eu esteja contigo sem (me) acabar. Se for desejar, que não seja de mim se distanciar. Se for hesitar, que não deixe de se permitir a nos experimentar. Se for tentar, que tenha a coragem não só de esperar. Se for melhorar, seja o meu par.

E se? E se nada.

E se eu chegar a ver suas fotos e não sentir essa bala que parece me atravessar o peito, se o ar não ficar ali contido, espremer as costelas e apertar o coração que parece se atrever a ir mais fundo onde se esconde e não mais o acho? E se eu parar de procurar por sua companhia quando não volta a fazê-la minha? E se eu realmente apagar os seus números que não quis decorar? E se nunca mais nos falarmos de fato? E se foi só ilusão e ficar por conta do acaso? E se agora que choro, com o rosto machucado, com sentimento trancado, eu deixe pra lá o que não me deixa? Eu só insisto em causa perdida. E se eu fosse mais bonita ou interessante? E se eu fosse quem você queria, você se renderia? E se eu deixasse de querer, você ligaria? E se eu não te procurasse mais, você notaria? E se eu continuar por outra dezena de meses com as mesmas lágrimas, você cederia? E se não fossem lágrimas, se eu te cobrisse de alegria, você deixaria? E se eu ousasse te alcançar, você se entregaria? E se eu te perseguisse para te mostrar como posso amar, você não aguentaria? E se eu quisesse experimentar como é nem mais em ti pensar, como eu faria? Eu não sei lidar comigo sem me ligar a você, eu fico aos soluços e sem jeito, fico sem fim e perdida nos meios, onde está quem esteve comigo no nosso começo? Porque se escreveu se não deu continuidade em mim? Porque se insinuou a sabe-se-lá-o-quê e não ficou para eu saber como poderia ser? Por que eu não sei lembrar de te esquecer? Porque eu me perco sem me achar, sem te ver, sem te encontrar e sem você se importar. Eu me tornei a absurda que escreve para um zé ninguém, mas que para mim tem olhos esverdeados que gritam em silêncio, que tem um corpo curvilíneo ocupando o espaço da cama que eu durmo sozinha, que tem cabelos longos e escuros que mais parecem um ímã ao meu afago. Eu não sei mais onde colocar tanta  dor, não me importo mais com a escrita perdida, a coesão fora esquecida, por que pensar em você ainda me traz as melhores lembranças mas é a memória mais difícil de se carregar sem que eu me entregue em lamúria recebendo só a carcaça do meu corpo em troca. Eu estou tão entregue sem ter onde que chega a parecer insanidade, impulsividade ou fantasia, a pira de ter caído numa mão única. Eu estou esperando por algo que não vai acontecer. Você tem outro alguém, você continuou a viver de forma que eu chego a duvidar se lembra do meu nome. É como se eu tivesse entrado numa outra dimensão, e então o mundo girou e me deixou aqui.

Não quero!

Eu não quero ver seus ombros pesarem demais e você hesitar quando eu pedir que reparta comigo a carga. Eu não quero que chegue ao final do dia e não venha a mim quando só quiser conversar, eu vou querer saber como ele foi. Eu não quero que você deixe de olhar o seu reflexo sem admirar o que vê por não se lembrar dos traços pelos quais tenho tanto apreço. Eu não quero que menospreze suas curvas que me causam tamanha atração. Eu não quero que seu trabalho pareça te enlouquecer e que você não encontre a minha calmaria. Eu não quero que você pense se desconhecer sem ter a mim para te presentear com a minha visão de ti. Eu não quero que se veja desamparada quando tem os meus cuidados onipresentes, caso queira. Eu não quero que se veja inapta a alguma escolha quando sei de seu potencial ilimitado. Eu não quero que encoste sua cabeça no travesseiro sem minha mão para te dar conforto. Eu não quero que sinta frio sem o calor do meu corpo. Eu não quero que te faltem sorrisos quando não há som melhor que o do seu riso. Eu não quero que fique sem um cafuné, quando meus dedos buscam por seus cabelos. Eu não quero que pense estar errada quando optar por alguma estrada menos asfaltada. Eu não quero que encontre outro prazer quando sou eu que quero estar ali para você se deliciar em júbilo e satisfação. Eu não quero que sinta medo quando ainda posso afugentar de ti o que eu mesma temo. Eu não quero que venha a se ferir, prefiro o meu próprio coração partir. Eu não quero suas roupas como decoração do chão de outro quarto, quando espero por você sem nenhum intervalo. Eu não quero que te pressionem, quando nós sabemos que quando preciso você faz por onde. Eu não quero que esteja sempre em alerta e sem descanso, quando eu até te daria horas do meu sono. Eu não quero que chegue a ser só mais um rosto, que aos gritos, no sufoco, na marra e no impulso eu aprenda a deixar você e volte a viver. Eu não quero que fique aos tropeços quando eu te carregaria por onde quer que sopre o vento. Eu não quero que se desdobre para achar outro alguém quando eu não vou deixar de pedir por você e fazer prece pelo seu bem. Eu não quero que te faltem forças quando se deparar com a desesperança. Eu quero que as desavenças sejam raras mas que só as experiencie, não deixe que te prendam e também não as atire. Eu não quero que te falte apoio quando me tem como se jamais fosse possivel o abandono… Eu não quero que se vá, mas você ia e vinha quando queria e agora que não quer mais, sem querer eu ainda te queria… E eu não quero ter que não querer você. Eu não quero ter que sair e não te ver. Eu não quero ser um eu sem um você. Ponto.

Aceitação.

Eu vou ter de encarar que assim como não fui a primeira, também não serei a sua última garota.

Eu vou ter de aceitar que você vai se deitar com outra ou outras, que a sua roupa de cama vai conhecer outros cheiros, que os seus braços vão se enlaçar em outros abraços, que a sua cabeça terá outros ombros, que as suas roupas guardarão outro perfume, que os seus cabelos terão outro cafuné, que a tua voz terá outra fã e ávida ouvinte, que os teus gemidos não serão mais a minha melodia exclusiva e preferida, que as suas mensagens não será mais a mim a quem envia, que os teus pensamentos se um dia os dedicou a mim agora não faz nem menção, que os pronomes possessivos que diz não são e nem serão associados a mim, que se teu corpo se encurva de prazer, não sou eu que estarei ali com você, que se alguém afaga com delicadeza sua face, contornando suas feições e memorizando cada canto seu, não será com as minhas digitais; eu vou ter de aceitar que as imagens de nós duas ao por do sol, em viagens ou almoços, era conversa, descuido ou poesia.

Vou aceitar que não fui e não serei sua amada, vou aceitar que fiz prece pro acaso e que não há santo que resolva o que não é destinado. A sua pele vai se distanciar da minha, corpo a corpo não terei o seu calor, vou carecer da sua risada, os seus olhares vão se ausentar como um céu que perde não uma estrela ou duas, mas impossível e exageradamente seu astro, as suas roupas não vão mais decorar o chão do quarto, eu vou deixar de comprar as suas comidas preferidas e guardar para suas visitas.

Eu vou aceitar que eu não fui quem você queria, que eu não fiz o que outra faria, que eu não acertei como gostaria, que eu não te fiz rir como poderia, que eu não estive o quanto precisaria, que eu não fui quem eu seria.

Eu tenho de aceitar que o nó na garganta são as malditas palavras mal ditas, que nos viramos do avesso e depois ao inverso e a confusão não era pouca, mas era irresistível. Eu tenho de aceitar que suas mãos não vão se dar as minhas, que diferente das minhas visões, nós não estamos juntas, que os sonhos eram fantasias, que as projeções de um futuro eram delírios, que as lágrimas por mais intensas que sejam, elas não são poucas mas também não são importantes assim, elas vão durar mais do que deveriam e só. Eu vou ter de aceitar que você vai desfilar por aí com alguém que deveria ser eu mas que não vai ser. Eu vou enxergar que não importa beleza, intelecto, atração ou interesse, pode ser só questão de escolha e eu não fui a sua.

Só que eu não sei aceitar o que não tem que ser aceito, mas me é imposto.

Raio de Amor.

Que raio de amor é esse que acolhe sem ter abrigo? Que raio de amor é esse que se sente sem ser sentido? Que raio de amor é esse que não se mede mas luta para ser contido? Que raio de amor é esse que não se encolhe quando repreendido mas não se ampara quando simula dar-se por vencido? Que raio de amor é esse com que não se brinca, mas que não é levado a sério por quem só o subestima? Que raio de amor é esse que não tem companhia, mas que não me larga e nem desatina? Que raio de amor é esse em que não há nós mas cisma com algum enlaço? Que raio de amor é esse que se alimenta de ilusões autoinfligidas mas que tem os joelhos falhos com memórias ainda tão vívidas? Que raio de amor é esse que passa meses com esperanças vãs? Que raio de amor é esse incessante e até delirante?

Ninguém cede ou descomplica, lhe fazem galhofa e ele suplica para que a emoção mantenha a chama viva, e a ele nada se nega, ele se incendeia acalorado quando só há gelo do outro lado. O raio do amor atormenta, não há surpresa, o raio do amor sabe que dali não há mais o que vir, mas ele só sabe sentir.

Pede-se que pare e que não mais bata, mas ele se chacoalha e num rompante dispara ao vislumbrar a amada. Pede-se que se contenha, e mesmo assim se atira, que raio de amor, que pira! Pede-se sossego e rendição, mas o raio do amor não conheceu a redenção.

Que raio de amor é esse que não desiste? Por que diabos insiste? Não há fracasso e nem ego ferido, mas ele não se encarrega de mudar o seu compasso, de trilhar outro caminho – de preferência pelo asfalto, de sair do ritmo e parar de faz de conta com tanto oxigênio dedicado, tanto pensamento nomeado, tanto sonho a dois que tivera e não deixara resguardado, tanta sensação que não se descreve mas mantem o sentimento declarado.

Mas que raio de coração que ao invés de bater só apanha.